


Aquilo que faz os personagens de Michelangelo Antonioni sofrerem bastante é a filiação extrema deles ao roteiro que acreditam piamente ser conclusivo (em Profissão: Repórter a crença é pior: a de que se pode se esconder no corpo do outro). Desse modo, a traição que o personagem de Blow Up sofre é aquela do olhar, sua arma principal.
O que lhe escapa é aquilo que ele quer transformar em espetáculo. O olho da câmera, mais esperto do que ele, registra uma imagem que pode ser de um assassinato, mas jamais saberemos. Antes de tudo, este personagem, um fotógrafo/artista, parece possuir uma ideia muito segura de seu trabalho. Quando dirige as modelos isso fica claro: ao artista é concedido o poder da narração.
Logo, a falha deste homem é estar muito longe de uma narrativa espetacular (a do assassinato, tudo o que o envolve), é registrá-la sem no entanto dirigi-la. Não é bem para isso que servem as ampliações das fotos do fato? Para trazer, virtual e eternamente, aquele pedaço de crime para perto, para sobreviver num dedo de direção/encenação?
4/4
7 Responses to Blow-Up – Depois Daquele Beijo (Michelangelo Antonioni, 1966)