


Adaptação de um romance homônimo de 2003 sobre a Itália fascista durante a 2ª Guerra, o último filme de Michele Soavi sofre por se levar num nível de seriedade incompatível com o resto da carreira do diretor (excetuando-se aquelas séries de 3 horas feitas pra tv que eu não assisti e/ou não pretendo por suspeitar compartilharem da mesma apatia). Muito pela delicadeza do tema – uma tragédia muito recente na história dos caras -, ou então por se parecer mais com um doc pra tv que com qualquer coisa que se aproxime do bom e velho cinema de gênero que o diretor fazia, Soavi não se permite aos surtos de inventividade que romperam a barreira nostálgica do horror oitentista e reapareceram intactos no fantástico Arrivederci Amore, Ciao (de 2006).
É um porre. Quando parece que a guerra vai se fazer de pano de fundo pra uma caçada a um assassino, com whodonit, com um policial carrancudo de protagonista, uma prostituta morta e sua gêmea idêntica e vagabunda pra fazer o que as femme fatales fazem de melhor, a coisa inverte e é o gênero quem acaba deslocado pra terceiro plano enquanto um desenrolar maçante de uma guerra civil que não me interessa nenhum pouco assume a frente e se transforma em filme pra trabalho de 8ª série, tudo filmado com o ar de desprezo e desinteresse de quem parece odiar o que está fazendo.
Em O Sangue dos Vencidos, Soavi perde a sua condição de autor e possivelmente o crédito pra dirigir qualquer outra coisa na vida.
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*título – tradução livre
7 Responses to O Sangue dos Vencidos (Il Sangue Dei Vinti – Michele Soavi, 2008)