


Não sou anti-Paul Thomas Anderson (gosto bastante de Hard Eight, Boogie Nights e Sangue Negro), tampouco sei se Magnólia já foi bom um dia, mas se foi, então o filme envelheceu muito mal, porque ele é todo descontrolado, inventa mil dramas em torno de dezenas de personagens, acasos e trajetórias que se cruzam, e que vão acontecendo muito rápido, tudo parece desesperado para agradar quem assiste, a coisa transborda; não se insinua, não seduz, só agride e atinge nossa retina com a força de uma marreta insistente, não dando tempo para a gente se envolver e criar uma relação com nada do que histericamente vai desfilando na tela. É uma desajeitada imitação da estrutura de alguns filmes de Altman (especialmente Short Cuts), só que aqui resulta numa experiência amorfa. Mesmo as relações humanas são de um simplismo constrangedor, como a cena do garoto prodígio se mijando nas calças durante o programa de perguntas e respostas na TV (antecipando o esquema Show do Milhão que serviria de arcabouço ao ainda pior Quem Quer Ser Milionário, do Danny Boyle), embora nada se compare com o desfecho comentadisimo, sem razão de ser por nada nesse mundo. No epílogo do citado Short Cuts, depois de todas as subtramas paralelas envolvendo os 22 personagens, ocorre um acontecimento devastador que faz com que todos os personagens sofram uma mesma ação, um terremoto em Los Angeles que vai matar a todos, um brilhante modo de concluir a trama e fechar o seu filme com chave de ouro. Como bom emulador de Altman, o então jovem P.T. Anderson precisa seguir o mesmo caminho e terminar seu filme com um impacto semelhante; para tanto, inventou uma chuva de sapos que equivale para seu filme e seus personagens algo próximo do que o terremoto de Short Cuts representou em sua estrutura. Mas se no filme de Altman o desfecho é coerente e natural, o de Magnólia é uma bosta. Uma afetação muito grande, que busca uma espécie de realismo mágico, mas que peca por excesso de engenhosidade e inverossimilhança, tornando o filme ainda mais rebuscado do que já é (no pior sentido do termo). Sem falar nos cinco minutos com os personagens dublando uma canção no mais surrado estilo videoclipe dos anos noventa! Ainda mais grave é a câmera serelepe que fica se movimentando ininterruptamente meio sem saber para onde, numa necessidade de tornar o filme dinâmico. É quase certo que serviu de influência para que surgissem outros filmes medíocres como Crash – No Limite e Babel.
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40 Responses to Magnólia (Paul Thomas Anderson, 1999)