Autopsy (Macchie Solari – Armando Crispino, 1975)

O maior dos problemas de Autopsy é que os primeiros 5 minutos de filme lançam a expectativa pra tão longe que você não consegue alcançá-la nunca mais ao longo da sessão. Depois dos créditos onde Mimsy Farmer e Ennio Morricone são mencionados (em meio a ruídos e lamúrias do além), é iniciada uma sequência impressionante de suicídios onde o sol (?!) é atacado pelo zoom da câmera como se fosse suspeito de alguma coisa. Em seguida surge Farmer (pinçada de um universo hitchcockiano e jogada no meio do planeta amarelo dos terrores da década de 70) dissecando alguém, envolta de cadáveres e tendo alucinações com mortos-vivos.

Parece infalível, mas aí você entende a diferença entre alguém que sustenta um filme sem narrativa nenhuma (tipo Argento em Suspiria) e de um cara comum com um material rico em mãos. Não há absolutamente nada de sedutor na direção de Armando Crispino. Pelo contrário, o potencial de cada nova situação onde Mimsy Farmer é posta à espreita no escuro é anulada pela pegada frígida do cara. Sem força suficiente na câmera, Autopsy é pego pela mão e levado adiante pela trama que jamais é o foco de quem procura um bom filme no horror italiano (sem falar na possibilidade sempre presente de observar os peitos bronzeados mas um tanto decepcionantes da Farmer).

De qualquer forma, tem uns bons momentos (como a cena final e o passeio pelo museu dos horrores que é encerrado lindamente), mas é preciso mais para que se fique parando em frente à tv durante 100 minutos inteiros, seu tempo merece ser desperiçado com mais estilo.

1/4

Luis Henrique Boaventura

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