


Um homem aparentemente feliz janta tranqüilo com sua família. O telefone toca, ele levanta e vai atende-lo. A expressão que antes era de alegria e de tranqüilidade é substituída por uma palidez e tremedeira. Gaguejando (coisa que não fazia até atender o telefonema) ele mal consegue responder a voz do outro lado que insiste em lhe falar “Ele voltou, Richard”. Considerado por muitos como uma das melhores adaptações do escritor norte americano Stephen King, It – Uma Obra-prima do Medo, conta á história de oito pessoas que enfrentaram seus maiores temores quando criança e precisaram voltar a faze-lo mais uma vez agora, já adultos e com familia.
It (a coisa), é um ser alienígena, que, ironicamente, usa a forma de um palhaço para atacar impiedosamente criancinhas. A criatura escolhe a pacata cidade de Derry, no Maine, para palco de suas atrocidades. Nessa pequena cidade, oito crianças se vêem vulneráveis a esse ser, e sabendo do fim trágico que certamente lhes reserva, as crianças resolvem então se unir, sabendo que esse seria o único jeito de terem alguma chance contra a impiedosa criatura. Nesse aspecto, o filme tem certas semelhanças com outra obra de Stephen King, “Conta Comigo”, no qual a amizade e a confiança são as únicas armas capazes de vencer as dificuldades (e um estilingue). As crianças saem vitoriosas do confronto, mas não conseguem exterminar a criatura por completo, apenas a ferir, e ali mesmo, todos fazem um juramento, que se um dia “a coisa” retornasse, eles se uniriam novamente e a enfrentariam mais uma vez.
Trinta anos depois dos acontecimentos que traumatizaram a todos, a criatura volta a cidadezinha fazendo de vitima uma nova criança. Michael Hanlon, único dos oito amigos que continuou a viver na cidade, telefona para todos os outros os lembrando do juramento que haviam feito trinta anos antes. E é nesse momento, que todos os seus traumas que pareciam estar superados ou ocultos, vão á tona novamente, fazendo assim com que todos voltem a relembrar as terríveis experiências que tiveram com “a coisa”.
Como na maioria dos filmes que são baseados nas histórias de Stephen King, esse aqui também usa como bengala o terror psicológico de seus personagens, e pelo fato de inicialmente ter sido feito para ser uma mini-série de televisão, eles puderam investir bastante no desenvolvimento do medo de cada um deles, fazendo assim com que todos os personagens tenham um papel igualmente importante no filme. Outro ponto alto é Pennywise, a criatura que aterroriza as crianças. Encarnado na medida certa pelo nem sempre brilhante Tim Curry, aqui ele faz uma atuação que beira a perfeição, com um misto de palhaço bonzinho e engraçado, ele muda radicalmente para uma expressão aterrorizadora (graças também, a ótima maquiagem).
Mas o filme não é perfeito, ele falha vergonhosamente em seu final, culpa do Stephen King e também do diretor. Como havia dito antes, o ponto alto do filme é justamente o terror psicológico e a aparência excêntrica do palhaço It, e o que estraga o final é justamente acabarem com os dois. Quando o clímax chega, e os amigos já adultos voltam a enfrentar a criatura, só que dessa vez em sua verdadeira forma, é decepcionante. A história fica comum, como inúmeras que tem hoje em dia. Todos partem pra porrada em cima de uma criatura que é constrangedoramente ridícula, muito mal feita até para os padrões da época. Sem esse defeito, certamente esse seria um dos melhores filmes de terror já feito. É claro que o defeito é mínimo (pelo menos pra mim) se comparado a todos os acertos. Mas é broxante saber que o filme poderia ter se transformado realmente em uma obra-prima, assim como o titulo rotula. Mas a culpa disso não é apenas do diretor, o maior erro vem da fonte onde foi inspirado, o erro foi da megalomania do Stephen King em tentar fazer um confronto histórico quando o melhor era deixar que as coisas seguissem o caminho que estavam tendo.
Mas no geral, o filme ainda é um dos melhores do gênero, e o melhor a fazer é encarar o final como uma mera escorregada. Nenhum filme é perfeito, mas que esse aqui chegou perto, chegou.
3/4
Thiago Duarte
13 Responses to It – Uma Obra-Prima do Medo (It – Tommy Lee Wallace, 1990)