Oscar 2009 – Avaliação da Noite

por Amílcar Figueiredo

Por mais chata, cansativa ou previsível que seja a cerimônia, ver o Oscar sempre traz algo interessante, seja o espectador cinéfilo ou não, e a edição deste ano não foi diferente. É fácil perceber que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vem num esforço constante de se modernizar, de atrair um novo público para ver a entrega de seus prêmios. Nesse ano a organização acertou em vários momentos – fazendo uma bela homenagem a cada um dos atores indicados, agrupando os prêmios por uma espécie de “pertinência temática” (Melhor Figurino junto com Melhor Direção de Arte, Mixagem e Edição de Som junto de Edição de Imagens, etc.) e, numa manobra até ousada, associando indicados do presente com filmes e profissionais do passado – embora tenha errado em outros, como na insistência em trazer ícones da cultura pop e adolescente atual que, claramente, nada têm a ver com o simbolismo e com o significado do Oscar.
 
Embora o saldo pareça ser positivo, para quem, como eu, acompanha a festa desde a época em que Cher comparecia fantasiada de ave do paraíso, ou mesmo que Michael Moore – o eterno agitador profissional – xingava o presidente dos EUA, atraindo aplausos e vaias ao mesmo tempo, as cerimônias do Oscar têm se tornado cada vez mais lineares à medida que o profissionalismo e a necessidade pela audiência também aumentam. O assumidamente brega foi substituído pelo sem sal, ainda que correto. Se ficou melhor ou pior, isso vai do gosto de cada um.
 
Numa noite quase sem surpresas – a exceção ficou por conta do Melhor Filme Estrangeiro – interessante mesmo foi ver como a mente dos integrantes da Academia reflete bem as aspirações do momento. Se, no ano passado, foi eleito como o melhor um filme (Onde os Fracos Não têm Vez) técnica e artisticamente brilhante, um invólucro sofisticado para uma assustadora descrença no futuro da humanidade, nesse ano vimos a luz ao fim do túnel sob a forma de uma estória de amor que teima em ser factível quando parece impossível (Quem Quer Ser Um Milionário?) um belo receptáculo para um convite não ao futuro, mas sim ao presente. Mesmo com eleitos tão díspares, não posso dizer que fiquei insatisfeito com o resultado, muito ao contrário.
 
Que bom que o cinema tem dessas coisas, não é mesmo?

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