Cães Assassinos (Nick Mastandrea, 2006)

Produzido por Wes Craven, esse obscuro (no sentido de ninguém conhecer mesmo) filme de clima camp funciona bem, e ainda consegue inovar, mesmo aproveitando-se de todos os clichês e macetes de filmes do mesmo tipo. É aquela velha história, que todos adoramos ver sendo recontadas: Um grupo de jovens fúteis que só pensam em sexo vão parar em algum lugar isolado e lá começam a ser ameaçados por [insira aqui serial killer, zumbis, força sobrenatural, ou um monstro qualquer], lutando pela sobrevivência. O diferencial nesse aqui é a boa idéia, já usada em Tubarão, pra citar um exemplo icônico, de colocar animais que todos conhecemos, no caso cães, e não seres estranhos, sobrenaturais, para assim nos aproximar mais das vítimas, nutrindo aquela coisa de “nossa, isso poderia acontecer comigo”, que é um combustível dos mais eficazes, a meu ver, para que filmes desse gênero obtenham êxito na pretensão de amedrontar. E aqui realmente dá medo dos cachorros, viu? O elenco de desconhecidos também ajuda nisso, e o saldo final é positivo, apesar, como já disse, dos clichês e sensação de amadorismo total na condução das cenas – outro ponto que só fortalece aquilo que falei da criação de uma aura de realidade ao filme.

“Tudo o que você pensava sobre os cachorros vai mudar daqui em diante”, diz a contracapa, oportunamente, aproveitando-se daquela história de “melhor amigo do homem” e tal. Não sei se chega a ser tão impactante nesse sentido, como foi com Tubarão, que na época fez muita gente temer ir à praia e colocar a bundinha na água, mas é capaz de realmente você passar para o outro lado da rua ao dar de frente com um cachorro mal encarado parado na calçada, pelo menos até você esquecer do filme, já que não é lá tão memorável quanto a obra do Spielberg.

2/4

Rodrigo Jordão

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