Autor: Felipe Leal

  • CARNE, VERBO

    CARNE, VERBO

    Por Felipe Leal A palavra, ainda que aparente não ter corpo, propaga-se, sonora, obra física do impacto, pelo ar, e sobre a matéria de seu ouvinte, finda por tomar corpo; reclama, ali dentro, espaço de persuasão. Quando quer que uma função pública, religiosa, judicial ou acadêmica (e mesmo grande parte…

  • EDITORIAL: CINEMA E PALAVRA

    EDITORIAL: CINEMA E PALAVRA

    por Felipe Leal As relações da arte cinematográfica com a palavra são tamanhas no que ambos os suportes se misturam para “dar a\à voz”, que seria possível questionar se, com o advento da câmera e sua grafia particular, as letras não ganharam com isto uma “cinética-imagética-montagem” renovada, enquanto campo de…

  • A Planície das Afinidades (Il Pianeta Azzurro, 1981)

    A Planície das Afinidades (Il Pianeta Azzurro, 1981)

    por Felipe Leal  É comum que vejamos se atribuírem às lentes concernidas com os “mundos à margem do humano” a categoria de POÉTICAS, ou ainda de SEMIDOCUMENTAIS, como se a desvinculação das tramas do desenvolvimento das emoções-ação, cujo centro é o indivíduo, significasse, como no mundo medieval, uma inclinação lunática…

  • A MELODIA MUDA DO DESTINO: O SILÊNCIO (Mohsen Makhmalbaf)

    A MELODIA MUDA DO DESTINO: O SILÊNCIO (Mohsen Makhmalbaf)

    Por Felipe Leal É a princípio enigmático, diríamos até “incompreensível”, este Silêncio que intitula o filme (Sokout, 1998) do iraniano Mohsen Makhmalbaf, posto que, mesmo na condição de cega, a criança que protagoniza sua itinerância demonstrará ter domado todos os outros sentidos, do paladar ao tato à própria “visão”, justamente…

  • É possível falar em cinema xamãnico?

    É possível falar em cinema xamãnico?

    Por Felipe Leal Para um filme que esgota nos limites da mise-en-scène a relação de estranha cópula ancestral entre humanos e animais, há, contraditoriamente, pouquíssima “naturalidade” em Cinzas e Neve (Ashes and Snow, 2005). Os animais, sejam eles falcões, hienas ou elefantes, não entram sob as lentes como partes de…

  • Do jogo de incontinência à mania da origem

    Do jogo de incontinência à mania da origem

    Por Felipe Leal     Na língua inglesa, quiet vem a traduzir tanto aquilo que está “quieto”, no sentido da pouca vibração, digamos, molecularmente falando, como também significa a ação que se faz num volume baixo, discretamente, em oposição ao que é loud, barulhento – de forma que estes Um Lugar…

  • O pêndulo, a fugitiva

    O pêndulo, a fugitiva

    Por Felipe Leal Quando um esquema distinto de narrativa nos entrincheira numa zona temporal em que um vértice projetado no futuro é eleito como ponto de retorno de todos os esforços também futuros, criando caracóis diegéticos, é comum que saltemos, também nós, no tempo. Saindo da cronologia cuja direção é…

  • De onde vem esta música?

    De onde vem esta música?

    Por Felipe Leal O terreno em que as possibilidades de encaixe de certos fatores também são capazes de criar existências em brecha, e aquele outro espaço, mais virtual, em que um número indefinido de atores entrará em consenso para definir a pertinência de nomenclaturas como existências exclusivistas, territoriais, se distinguem…

  • Alemanha, Ano Zero

    Alemanha, Ano Zero

        Por Jean Narboni Tradução por Felipe Leal Nada é mais enfadonho do que uma certa mitologia desenvolvida ao redor de Rossellini há uma dezena de anos, e à qual ele parece, ademais – por jogo, lassidão, ou simplesmente desejo de que o deixemos em paz? –, entregar-se de…

  • Ou voa, ou volta: por uma sociopoesia do alto

    Ou voa, ou volta: por uma sociopoesia do alto

    Por Felipe Leal   Temporalidades e reflexões empasteladas em cantigas sobre uma certa Valparaíso chilena? Há dezenas; e, como de costume, trançando seus “hurras” com versos de nostalgia, divinação ou espera pela terra de águas que vibram em dourado, como aparentemente nos vibram as harpas. Ora, é neste aparentemente que…

  • Há um olho que me observa

    Há um olho que me observa

    Por Felipe Leal Instigados pelo ruído grandioso, temático, que certas palavras podem suscitar a despeito de seus tamanhos ou complexidades consoantes, seríamos tentados a esquadrinhar o apocalipse sobre as mesas já demasiadamente iluminadas, ora do evento religioso, ora dos interesses filosóficos: ele é, afinal, sempre “O” apocalipse, a derradeira despessoalização;…

  • Até explodirem os pulmões

    Até explodirem os pulmões

    Por Felipe Leal No labor da conversa infestada de uma práxis do discordante intra-, entre– e além– dos planos de uma comunidade de camponeses sobrevivendo em isolamento da própria história e em regime de sub/autoexistência no pós-guerra italiano e no labor dessas técnicas de vida, de gênero e de relação…

  • Singularidades de uma assassina loura: Anna (Luc Besson, 2019)

    Singularidades de uma assassina loura: Anna (Luc Besson, 2019)

    Por Felipe Leal É simultaneamente anedótico e “conceitual”, pedra lapidada de um estilo para que o posado revele certa dimensão do espírito, que Robert Bresson tenha preferido modelos para compactuar na composição de seus elencos. Que tenha chamado seus atores de modelos e os posto numa práxis de tamanha mecanicidade…

  • A sincronicidade das sombras

    A sincronicidade das sombras

    Por Felipe Leal “A pressão real tem outros resultados: estabelece a concorrência entre os organismos desiguais, e se não podemos dizer como as espécies entraram na dança, podemos dizer o que é a dança” Georges Bataille, em A Parte Maldita A perplexidade suscitada sobre a pergunta “o que é uma…

  • HIGH LIFE (Claire Denis, 2018)

    HIGH LIFE (Claire Denis, 2018)

    O mandamento do Único por Felipe Leal A nível quiçá muito íntimo, é com o matrimônio entre as leis da economia e os fenômenos biológicos que Claire Denis cada vez mais sutilmente parece se preocupar. Número e corpos; distribuições dos usos e circularidade “tragicossexual” dos genes. Colônias, exército, famílias, máfias,…