Avaliações:
Luis Henrique Boaventura
Narrativa extremamente irritante, não sei bem por que. Talvez por essa adjetivação meio infantil, dessa estrutura de texto de vinheta, “pergunta – resposta”, sei lá. E outra coisa:
“O lógico se alterna com o ilógico durante o desenrolar do roteiro, mbrecendo um caresenrolar do roteiroçsas mentes ,perto de diante delesrocidade e qual o futuro que terdando um caráter ambíguo que deixa o espectador decidir sobre seu significado.”
Isso é uma tentativa canhestra de metalinguagem ou você bebeu mesmo? Se disser que bebeu, tá perfeito. Escrever bêbado é o que liga, hahahahaha
1/10
Daniel Dalpizzolo
Em alguns momentos parece bem inseguro, não há progresso no discurso e uma frase tenta justificar a outra. E tem algumas imposições exageradas. Apesar disso, consegue se sustentar até o final.
4/10
Daniel Costa
Melhor texto de todos. Expõe toda a paixão e admiração pelo filme, levantando suas questões sem entrar nos detalhes sórdidos do filme.
8/10
Vinícius Veloso Garcia
“…mbrecendo um caresenrolar do roteiroçsas mentes ,perto de diante delesrocidade e qual o futuro que terdando um caráter ambíguo que deixa o espectador decidir sobre seu significado…”
Que raios vc quis dizer nessa frase toda? …tão confuso quanto essa frase está esse seu texto todo, confesso q me perdi aí no meio, como faço pra chegar até a porta de saída? huahuahua
Mas como toda confusão tem lá sua razão, vou me reservar ao direito de ficar em cima do muro, assim não está nem péssimo nem ótimo, simplesmente não entendi, mas vai saber se o burro não sou eu, hahaha… então na dúvida a minha nota é:
5/10
Cassius Abreu
Desculpe-me, Caio, mas o texto não agradou o velho aqui não. Chatinho de dar sono. Vamos por partes: quando Kubrick fez “Dr. Fantástico”, a Guerra Fria NÃO tinha acabado, como está no texto – as aspas para mundo feliz não merecem comentários. Confesso que não entendi exatamente sua posição sobre “como devemos” assistir à obra: situando-se nela ou ficando de fora? Releia estas frases com calma e perceba minha dúvida: “se você penetrar na história, fizer de si um personagem, uma vítima do que poderia vir a acontecer. Porque se não, verá esse como um filme apenas delicioso.” O quarto parágrafo é incompreensível, da sintaxe à semântica (pode ter sido problema de digitação de várias palavras, só que uma revisão até o prazo não faria mal). “Sarcasmos perspicazes” soou-me meio forçado, para tentar convencer por um termo algo a ser desenvolvido com calma. O Dr. Fantástico é riquíssimo também, e parece que você percebe isso mais do que os que escreveram sobre “Laranja”; chega a tentar falar de algo, só que acaba se derramando em elogios adjetivados e sem muita funcionalidade.
Há um ou outro errinho de português, nada de abismal, à exceção do quarto parágrafo, e é um texto ralo, mas parece que você tem potencial, só não soube traduzir de maneira legal para o filme que tanto idolatra – taí, seu texto surge como uma idolatria meio gratuita para quem ler de primeira.
3/10
Total: 21 pontos
Texto:
Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, 1964)
Kubrick já se consagrara antes de “Dr. Fantástico”, mas este daria status de mestre a um gênio em ascensão. Seu potencial em adaptar obras literárias para as telas era devastador. Mas se arriscar nessa aventura/ficção/comédia é que definiu os traços que marcariam o resto de sua carreira, a maneira insana de dirigir filmes aparentemente inconvenientes, e “pior”, fazer de cada um deles uma obra-prima. O cineasta mostrava perícia em traduzir livros incógnitos aos roteiros de cinema. E a história escolhida causaria realmente um tremendo impacto desta vez, numa época em que as contas deveriam ser acertadas entre os governantes, mas com cada um receando a vontade do outro. O que Kubrick fez? Satirizou um assunto pouco admissível.
A Guerra Fria. Com o seu desfecho, o mundo estava mais “feliz”, sabendo que a probabilidade de um novo conflito (pelo menos durante algum tempo) era quase nula. Porém, o que dizer de uma nação socialista armazenar contigo uma máquina de poderio incalculável? Nada, caso a tal máquina, denominada “do Juízo Final”, não fosse utilizada. E por outro motivo também, se o seu grande rival (economicamente, em influência bélica, etc) soubesse que tal máquina existisse. E por causa de um dia, e de um erro, ela não seria apresentada aos inimigos com formalidade. Tudo porque um comandante maluco se deu ao luxo de atacar despreparadamente e imprevisivelmente seu antagonista por que os fluídos do corpo humano se alteraram durante os tempos.
O enredo é mais ou menos esse. Humor-negro como este nunca mais habitaria as telas. Vemos o medo por parte dos políticos de uma forma tão natural, que nem percebemos que somos o alvo dos atos errantes de nossos “superiores”. Isso é, se você penetrar na história, fizer de si um personagem, uma vítima do que poderia vir a acontecer. Porque se não, verá esse como um filme apenas delicioso. É importante fazer-se parte da narrativa, recear o futuro da humanidade. Kubrick reveste tudo isso com uma crítica sagaz as autoridades, mostrando quem somos realmente diante deles e o que podemos fazer para evitarmos certos “equívocos” (nada!). Nossos representantes irresponsáveis perdem as rédeas da confiança e se desunem rumo a um epílogo doloroso, angustiante e mordaz.
Mas quem é “Dr. Strangelove”? Bem, essa pergunta é respondida no fim, onde mais sarcasmos perspicazes resumem o que o ser humano deve fazer para readaptar ao ciclo normal de vida, numa das seqüências mais expressivas e autênticas já contempladas por nós. E esse “Dr. Strangelove” dá uma solução provável e aceitável (o que é mais horrível e interessante, na mesma proporção) para o problema, elevando tudo a perfeição conclusiva. Entretanto o ato final deixa um buraco em nossas mentes, não se dá uma interpretação correta do que sucedeu. O lógico se alterna com o ilógico durante o desenrolar do roteiro, mbrecendo um caresenrolar do roteiroçsas mentes ,perto de diante delesrocidade e qual o futuro que terdando um caráter ambíguo que deixa o espectador decidir sobre seu significado. Nada melhor que se deleitar com um filme que te dá a capacidade de cogitar qualquer decorrência.
Em torno de toda essa temática gira um Peter Sellers irrepreensível, encarando um desafio singular de interpretar três personagens. Mito da comédia que é, em “Dr. Fantástico” ele não esboça um sorriso sequer, tentando transmitir seriedade como deve ser realmente abordado o assunto. Exceto quando ele representa o cientista louco e hilário, que enxerga tudo com uma perspectiva otimista. Sterling Hayden brilha como nunca, num papel alucinante que é simplesmente o personagem-chave da história. E uma excelente exibição de George C. Scott, que brinca com o gestual à vontade, completa o pacote. Claro que tecnicamente o trabalho não é muito bem elaborado, talvez pela própria falta de recursos, mas quem liga quando o que está em jogo é uma visão ampla da ética entre as os povos?
Esse seria o ápice da carreira de um cineasta que como ninguém soube simular o futuro, dando dramaticidade em tudo que pode haver de aterrorizante e propagando uma leitura duvidosa dos conceitos de humanidade. “Dr. Fantástico” buli com coisa séria, indesejável e improvável. Uma belíssima parodia que deve ser observada do ponto de vista épico, do momento histórico que foi a Guerra Fria e o seu desenlace. Esse é um dos marcos inalcançáveis da sétima arte, uma aula em comédia realista e o momento mais acentuado da filmografia de um gênio apocalíptico em tudo que desempenhava. Em outras palavras, o Kubrick mais astuto.
4/4
3 Responses to 3º – Caio Lucas