


Ao contrário de muita gente, não sou contra os remakes. Inclusive várias pessoas que são completamente contra esquecem de alguns fatos. Primeiro, que os remakes já acontecem desde que Hollywood é Hollywood. Inclusive, vários diretores já fizeram remakes de seus próprios filmes (Alfred Hitchcock e Cecil B. DeMille, só para ficar em dois exemplos). Segundo, que não é via de regra que o remake não será tão bom quanto o original (Como exemplos, “Nosferatu”, de Herzog, e “O Homem Que Sabia Demais”, do Hitchcock). Muito desse sentimento de repulsa em relação aos remakes, especialmente se o material original é considerado clássico, é o fato de que “na comparação, o remake sempre sairá perdendo”. E exemplos disso não faltam. Infelizmente, “O Dia em Que a Terra Parou”, refilmagem do filme de Robert Wise, é mais um deles.
Um ds grandes méritos do longa original é justamente o tom sombrio, pendendo para o suspense, que nos faz perguntar até, em certos momentos, se Klaatu realmente está impelido em salvar a Terra, além de ter um gosto um tanto quanto amargo (mas bastante adequado) ao fim do filme. Mas nesse filme, tudo isso é trocado pela ação digna de um filme catástrofe, diluindo todo o clima de suspense (que até aparece na primeira meia-hora do longa). UIsso acaba se agravando na sua última meia0hora, quando o longa abandona a conclusão interessante do original e parte para uma solução muito mais cômoda e fácil, destruindo todo o discurso de alerta produzido na sua metade inicial.
Por mais incrível que isso possa parecer, uma das poucas coisas boas é justamente Keanu Reeves. Fiquem calmos: não estou dizendo que ele se tornou um bom ator de uma hora para outra. Mas a “falta de emoção” de Klaatu acabou caindo como uma luva para a inexpressividade do ator. Por outro lado, Jennifer Connelly, apesar de ser uma das coisas mais belas criadas pela natureza, acaba tendo sua atuação prejudicada pela composição de seu personagem. Mas o maior desastre do filme atende pelo nome de Jaden Smith (filho de Will Smith). O que seria um dos elos de ligação entre o alienígena e a humanidade se transforma em um personagem extremamente chato e concebido apenas para inserir um conflito familiar extremamente desnecessário ao filme. John Cleese é o único que se salva do desastre completo, mas como a sua participação é bastante reduzida, não é o suficiente para tirar o filme do desastre.
O que poderia ser um longa extremamente oportuno e de acordo com a situação mundial (visto que ainda brincamos de “Quem destrói o seu semelhante mais rápido?”) acaba se tornando um desperdício de tempo e dinheiro. O que, curiosamente, me força a transcrever a mesma frase da minha resenha anterior, mas por outros motivos: prova de que nós, apesar de nos considerarmos “seres racionais”, não conseguimos aprender com os nossos próprios erros.
1/4
Adney Silva
One Response to O Dia em Que a Terra Parou (Scott Derrickson, 2008)