Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan, 2008)

Quando eu vi esse filme pela primeira vez no cinema eu fiquei totalmente sem saber o que falar depois, foi aquela sensação “bah, não é horrível, o Shyamalan sabe filmar e tal, mas…” não sabia o que pensar de pessoas correndo de plantas. Mas a merda é que ele não saía da minha cabeça, não por alguma mensagem oculta que eu começava a desvendar ou algo assim, mas pq eu lembrava das cenas nas casas, dos suicidios, daquela ingenuidade dos personagens, etc… e achava bem agradável (sei lá como definir). Mas ainda tinha essas plantas, essa mensagem de “sozinhos não somos ameaças” e um monte de coisa que me enchiam demais. E aí nessa revisada foi tudo pro espaço e surtei com o que tava vendo (e sério, era hilário demais, eu mal conseguia acreditar).

Existe um certo personagem no filme (aquele na imagem do centro – que provavelmente não foi interpretado pelo Shy só pq ele não teria a cara cômica que esse exigia), que considera hot dogs subestimados, já que possuem proteinas e não sei o que e é ele (e apenas ele) que nos fala que as plantas estão se rebelando contra os humanos. Parece absurdo no inicio, e ninguém mais adere essa teoria. Ninguém desconfiaria que o que poderia causar essa epidemia suicida seria a mãe natureza em uma atitude de auto preservação eliminando as ameaças do mundo, nós humanos. Mas claro que pra um sujeito que se questiona por que Hot Dogs não são comidos de manhã, tarde e noite, esse tipo de pensamento não se torna algo tão absurdo, e então ele fala que são as plantas as responsáveis, e na falta de uma explicação melhor (ou qualquer outra explicação) os personagens se agarram a essa possibilidade, e começa então a batalha incessante entre duas raças: humanos contra arbustos. Mas não pensem que será fácil, já que eles têm o vento ao seu favor (filhas da puta!). Enquanto isso nós reclamamos da imbecilidade do roteiro em fazer com que plantas hipnóticas lancem seus pózinhos ao vento fazendo com que nós humanos tenhamos que fugir dele para não cometermos suicidio. Ah sim, mas há outro requisito, apenas sofre as consequências quem esteja em um grupo grande (mas isso não foi o cara do hot dog que falou, isso foi outra teoria lançada por um dos personagens, quando um grupo maior cometeu suicidio enquanto o dele não, já que a única explicação racional (?) para isso seria que as plantas não atacam quando não se sentem ameaçadas, hmmm). E nós continuamos achando imbecil ver plantas assassinas cumplices do vento.

Os personagens se agarram desesperadamente há uma explicação qualquer, por mais absurda que seja, apenas para ter novamente o controle da suas vidas “eu vou me matar pq as plantas querem assim”. Eles pensam isso quando estão frente a frente com o desespero da morte, precisam de uma explicação para se sentirem melhores, enquanto que com nós é a mesma coisa, embarcamos no racíocinio deles, de que as plantas estão se sentindo ameaçadas e por isso despejam toxinas seiláoque na atmosfera (de novo, méritos para o cara do Hot Dog), apenas para termos novamente o controle do filme. Acreditar nesse absurdo faz com que você tenha as redeas novamente, e assim consiga malhar com mais propriedade. Não basta o filme ter cenas fantásticas como as dos corpos caindo da construção,ou da arma que vai passando de mão em mão, ou do carro com um rasgão no teto,ou da casa da velha, ou da casa do sujeito com a 12, ou ver pessoas fugindo delas mesmas com medo do que possam fazer a si próprios, ou até correndo do vento achando que plantas estão lançando toxina nele (isso não é engraçado pq achamos que eles estão certos, caso contrário o filme fica sem explicação) etc. Aquela explicação das abelhas no início do filme parece mastigadinho demais “pra onde foram as abelhas? Importa pra onde foram as abelhas?” etc, mas é isso mesmo. É o trabalho mais egocentrico do Shyamalan, uma birra com todos que reclamavam de seus roteiros, tipo A Vila, Sinais etc “eram ruins? Ok,o que será que vão dizer de plantas assassinas, hein?”. Quando falam que a intenção do Shyamalan era realmente fazer um filme B, ou um filme ruim, eu discordo, o que pareceu pra mim é que ele faz de tudo pra desviar os olhares, fazer com que você preocupe com uma coisa que é extremamente imbecil, enquanto poderia apenas curtir idiotas fugindo de si próprios morrendo de forma extremamente original. É mais ou menos o oposto com o que ele costuma fazer com os outros filmes, onde é sempre criticado por seus roteiros, por suas pretensões na mensagem, aqui ele faz o oposto, faz com que você fique tentando bancar o Sherlock para descobrir o pq de tudo aquilo, enquanto que o que realmente interessa está pulsando na tela. É mais ou menos o chute do balde do Shy. Cada cena envolvendo um suposto ataque de planta ele trata com um to irônico, as vezes aumentando a trilha de uma forma totalmente desproporcional, ou com algum diálogo hilário (pra alguns involuntariamente, pra mim bem voluntário), e até imagino ele se deliciando ao ver críticas que apontam que é idiota ter plantas assaim no filme (e não falo isso como sendo positivo, acho ele bem bestão, mas esse humor funcionou comigo nesse, em A Dama não deu muito certo). A intenção é totalmente idiota (no sentido de “pegadinha para crítico que me crítica”) mas o resultado foi visualmente fantástico.

Mas quado o assisti pela primeira vez o que eu mais estranhei foi o aparente descaso do Shy com os personagens. Se pegar qualquer outro dos seus filmes anteriores, ele os tratava com total admiração, respeito, ficava evidente que ele adorava cada um deles (o garotinho do sexto sentido, o cara do corpo fechado, a bryce, etc) e nesse aqui ele pega dois tipos totalmente wtf, pelo menos foi o que pareceu pra mim no ínicio. Agora até isso já considero um acerto, ele pega os próprios protagonistas pra alivio cômico, não se preocupa em coloca-los em situações idiotas (como a fala com a planta, ou a mulher no filme todo, ou até correndo do vento), usa díalogos cheesy (o que não é propriamente uma novidade na carreira do Shy,mas enfim), em dois adultos de uma ingenuidade tão infantil que chega a ser agradável (pelo menos funcionou comigo agora). Enfim, essa revisada fez extremamente bem pra mim,considero a cena da velha se suicidando uma das melhores da carreira do cara, e esse aí já entra pros meus preferidos junto com Corpo Fechado, Sinais e A Vila.

4/4

Thiago Duarte

ou: Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan, 2008) – Sílvio Tavares – 2/4

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