
Desde 1963, o agente secreto mais famoso do mundo do cinema (não, não é o Inspetor Closeau) está presente no panteão cinematográfico. Trazido inicialmente as págians dos livros por Ian Fleming, a série pode ser considerada uma das portas de entrada do cinema britânico (e dos profissionais britânicos também) no cenário de Hollywod. O agente 007 já teve vários rostos (seis, oficialmente), mas muito pouco das suas características mudaram. Isso era verdade até o penúltimo filme da série, ou, se quiserem considerar uma ordem cronológica, o reinício da série, a primeira missão de James Bond, “Cassino Royale”, que, apesar de muitos fãs reclamarem por não trazer quase nada que lembre os tempso áureos do agente, serviu para atualizar a série (ainda mais num mundo cinematográfico onde Jason Bourne tomou todas as rédeas), além de trazê-la para um novo recomeço (o que foi apropriado, já que anteriormente, “Die Another Day”, apesar de ser uma celebração aos 40 anos do personagem, não funcionou muito bem como filme).
Quantum of Solace começa exatamente de onde o anterior parou, com o agora agente 007 James Bond tentando desmantelar mais uma grande conspiração que planeja acabar (indiretamente) com o mundo, traçando uma ou outra gostosa durante o filme, mas com a lembrança ainda de Vesper, a sua amada do filme anterior, o que provoca nele a sensação de vingança (se você não sabe o proquê, veja logo Cassino Royale!). Aliás, pode-se dizer que todo o roteiro do filme se resume a essa palavra: vingança. Seja toda a busca de Bond por vingança, por conta do fim trágico dado a Vesper no filme anterior, seja por essa mesma busca de vingança pro outros personagens (no caso, a bong girl do filme), ou mesmo se essa busca pela vingança realmente vale a pena. E esse acaba sendo um dos grandes problemas do filme.
Uma das coisas mais formidáveis no universo de James Bond são justamente os vilões da série. Goldfinger, Scaramanga, Dr. No, Emilio Largo, Dr. Kananga, todos eles são partes importantíssimas de toda e qualquer trama envolvendo James Bond. Mais do que isso: são tão importantes no Universo do Agente Secreto Britânico como o próprio agente. Entretanto, ao fazer a opção de centralizar a trama nos problemas pessoais de Bond, toda essa parte importante do “Manual Bond” acabou sendo relegada a segundo plano, o que descaractezou aidna mais a série.
Mas esse não é o único, e nem o maior problema do filme. Marc Forster mostrou que filmes de ação não é a praia dele. Muitas das escolhas de tomadas de câmera feitas por ele (especialmente na cena de abertura, outro fato extremamente importante da cronologia da série) são completamente equivocadas, sem contar o fato de que, em várias cenas (e mais uma vez a cena de abertura é o maior exemplo disso), não se consegue discernir o que está acontecendo. Nada contra a câmera tremida (Paul Greengrass sabe fazer isso), mas, além do fato de que não é qualquer um que consegue fazê-la com excelência, em vários momentos ela não é a melhor escolha.
O elenco têm os seus altos e baixos. Daniel Craig está a vontade interpretando James Bond nos seus anos iniciais como agente secreto. E, antes que venham detratores blasfemando em relação a ausência do humor característico dos filmes clássicos da série, não acho que isso possa ser considerado um demérito, já que está adequado a escolha de direcionamento ao personagem iniciada no filme anterior, como se esse humor, essa finesse característica do Bond clássico ele fosse adquirindo com o tempo de serviço, digamos assim. É como se, com o passar do tempo, James Bond fosse aprendendo, com os seus próprios erros, que nem sempre o ímpeto da juventude é a melhor saída para resolver os problemas. Já a Bond Girl da vez, apesar de ter todos os requesitos para preencher o posto (leia-se: é um pedaço de mal caminho feito pelos deuses), sofre também do mesmo mal causado pelo direcionamento do roteiro e do filme: sua importância acaba ficando em segudno plano por conta do mote de vingança adotado pelos seus realizadores. Judi Dench, como esperado, também dá conta do recado com sobras interpretando M.
No fim das contas, o filme, apesar de seguir firmemente a continuidade indicada no final do anterior, acaba afundando nas suas decisões de direcionamento de roteiro. Uma pena, pois isso acaba ofuscando muitas das características que fizeram com que a franquia 007 fosse uma das mais conhecidas e celebradas no mundo. Desta vez, o agente 007 não foi tão eficiente assim.
Talvez fosse melhor chamar o Martin Campbell de volta…
2/4
Adney Silva
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