
Sou daqueles que adoraram o desenho animado Star Wars – Clone Wars. Minisserie de animação dirigida por Genndy Tartakovsky (de Samurai Jack e Laboratório de Dexter), e que foi exibida no Cartoon Network em mini-episódios entre 2003 e 2005. Não assisti esse desenho quando foi exibido no canal, mas em DVD (já lançado no Brasil), separados em dois volumes com todos episódios, que juntos tem a duração de um filme longa-metragem: 2h. Clone Wars veio para fazer uma ponte entre o Episódio II – Ataque dos Clones e o Episódio III – A Vingança dos Sith, e assim preencher uma lacuna que a série cinematográfica não poderia preencher. Desde o Episódio IV – Uma Nova Esperança de 1977, ouvimos falar da guerra dos clones, mas como a série de cinema tinha em foco a saga de Anakyn Skywalker, Lucas não achou espaço nela para tratar melhor esse conflito. A solução encontrada foi fazer essa minissérie para TV em animação, e que cumpriu muito bem sua obrigação. Finalmente, vemos em maiores detalhes a guerra clônicas, e melhor que isso, podemos observar como os poderosos Jedis se comportavam diante desse ambiente em conflito. E não só os Jedis principais com o Anakyn, Obi-Wan e Yoda, mas vários outros. Sim, Jedis em ação! Isso por si só já justificava a existência da série, que vai além disso, se colocando como parte integrante importante da nova trilogia de SW. Mas depois do Episódio III, resolvem investir numa nova série animada Clone Wars, agora em computação gráfica 3D. Essa série iria preencher algumas lacunas que a anterior não preencheu. Você consegue entender isso? Clone Wars original surgiu para preencher uma lacuna da série cinematográfica, agora lançam outro Clone Wars para preencher as lacunas da outra série. Como assim? Particularmente, não acho que a série SW tenha tanta lacuna assim para preencher e mesmo se tivesse, o Lucas poderia ter investido em outras. Porque não uma série que se passa entre o epispódio I e II (infância e adolescência do Anakyn), ou aquela outra que todos aguardam que é entre o episódio III e IV, ligando a trilogia clássica com a nova? Seria bem mais interessante. Para complicar a situação de tudo, Lucas lança um filme para cinema que servirá de introdução para essa futura série de TV. Repetindo: Um filme feito para cinema cuja única função é introduzir uma série de TV. Fato inédito, que muitos gostariam que continuasse como tal, mas Lucas inventou isso também. Então, nos encontranos de fronte desse “filme” Star Wars – The Clone Wars. Um projeto que já nasce com o rótulo de caça-níquel, e ao vermos o filme, não conseguimos chegar a outra conclusão se não essa. Um grande caça-níquel.
A principal diferença entre esse aqui e a série animada anterior é o foco. Antes se viam os demais Jedis nas batalhas das guerras dos clones, mas aqui Anakyn é o foco novamente com na trilogia de cinema. Lucas já teve três filmes para mostrar as nuances do personagem, mas resolveu fazer mais um agora, e que não acrescenta nada ao que já foi dito dele. Afinal, esse filme é só a introdução da série de TV. Ponto. Deveriam ter colocado já aqui nesse filme outras situações envolvendo tantos outros Jedis, como a Clone Wars anterior, para ficar bem claro que Anakyn não é o foco. Mas nem tentaram tratar de outros assuntos envolvendo outros Jedis. Tudo envolve uma missão que Anakyn tem que cumprir: Resgatar o filho seqüestrado de Jabba The Hutt. Sim, Jabba tem um filho! Um filho bebê que nunca tinha dado as caras na série, e ele não é o único personagem novo. Além dele, Anakyn ganha uma Padwan (aprendiz) que vai lhe ajudar nessa missão, uma Padwan nunca citada antes, e temos ainda o irmão de Jabba, que também dá as caras aqui. Considerando que esse The Clone Wars se localiza antes dos Episódios III, IV, V e VI de cinema e de boa parte da outra Clone Wars, fica difícil entender como personagens que teriam muita importância, afinal, são o filho e irmão do Jabba The Hutt e a Padwan de Anakyn, nunca foram sequer citados em algum momento. Apesar de não ser a primeira vez que isso acontece na série, mas todos esses personagens novos, tirados do fundo da cartola, assim de repente, acabam por decretar ainda mais o rótulo de “caça-níquel” que esse filme tem desde que foi anunciado.
Outro problema que surge com esses personagens é que o público adulto da série provavelmente vai rejeitá-los como já rejeitaram os Ewoks do Episódio VI e Jar Jar Binks do Episódio I. Devo lembrar que o Clone Wars anterior poderia ser visto sem problemas por esse público adulto, porque não era tão infantilizado, ao contrário desse nova série, que pelo que se vê nesse filme inicial, vai ser bem direcionado ao público infantil. Não só pelos personagens novos, mas por várias outras situações. A mais constrangedora seria envolvendo o exercito de droids que a cada momento que aparece surge com uma piada/trapalhada nova. Imbecilizaram demais esse exercito dos droids, e só as crianças menores vão curtir as coisas que eles aprontam aqui. Com isso, o público adulto provavelmente vai rejeitar tudo no filme, e conseqüentemente a série de TV, se ela continuar assim nesse teor como foi apresentado. Devemos lembrar que pouca gente gostou na época, e atualmente poucos se lembram dos dois filmes infantis dos Ewoks lançados na década de 80. Esse The Clone Wars deve ir pelo mesmo caminho.
Sobre a parte técnica: A qualidade da animação até que é boa. Não dá para comparar com as mais recentes da Pixar e Dreamworks, mas é melhor que as animações de TV. The Clone Wars tem cenários grandiosos bem desenhados. Os (poucos) momentos de batalha são bem explorados e os personagens tem um visual legal. Tudo tentando reproduzir o visual da série animada anterior. Então, não chega a ser um problema a qualidade da animação, mas a maior parte do filme se passa a noite, então vamos ver mais cenários escuros, e assim Lucas acha um jeito de esconder possíveis imperfeições de sua animação.
Apesar de tudo, Star Wars – The Clone Wars é um filme SW com todos os defeitos e qualidades que isso possa acarretar. Só que tem vários agravantes como se pode ver, e o problema maior é ver o Lucas esticando uma coisa que não precisa ser esticada, em troca de uns trocados a mais no seu já polpudo bolso. No fim, o público infantil menos exigente pode gostar desse Star Wars – The Clone Wars, mas o público adulto não vai querer passar muito perto. Recomendo para esse público que alugue ou compre a série antiga de Clone Wars, disponível em DVD. Não vão se arrepender, bem do contrário se decidirem ir no cinema ver esse aqui.
1/4
Jailton Rocha
4 Responses to Star Wars – The Clone Wars (Dave Filoni, 2008)