O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980)

O que ocorre em O Iluminado, exercício macabro de horror e hipnotismo de Stanley Kubrick, é uma denúncia. Melhor: uma acusação. De Kubrick contra o espectador, semelhante ao que fazia Argento cinco anos antes. Trancados num universo de uma quietude e serenidade perturbadoras, por ironia os catalisadores da mais absoluta cólera (das que talvez nenhum outro filme seja capaz de despertar), nos vemos sem uma base onde nos sustentarmos senão o próprio assassino. Porque Kubrick teve a ousadia de confrontar o espectador com tudo aquilo que o ser humano mais se força a reprimir. A imensa maioria simplesmente não tem coragem, e se volta contra ele, terminando de todo modo voltando-se contra si mesmo, pois todos o temos dentro de nós. Sim, sr. Jack Torrance, olhe-se no espelho abaixo, e boa leitura:

O Iluminado (The Shining, 1980)

O simples e inofensivo ato de pensar estar na pele de Torrance é intimidador, e talvez a ficção, mais especificamente o cinema, seja o único modo de enfrentarmos algo que nos é implícito: a violência. Mesmo que contra as pessoas que mais amamos. E nenhuma outra obra representaria com tanta autoridade o saciamento deste desejo primário, desta fome, da vazão sem culpa permitida pelo cinema a instintos que somos forçados a reprimir por vivermos numa sociedade incondizente com os animais que inutilmente lutamos para esconder debaixo das roupas. É em O Iluminado que Stanley Kubrick ensaia entregar uma válvula, um passaporte para aquele mundo onde podemos liberar raiva e fúria acumuladas sem maiores problemas. Onde se ensaia o sentido mais bruto de “liberdade”, cortado ao meio pelo final feliz mais triste de todos os tempos, porque mesmo que eu ainda o ame, O Iluminado permanece o filme mais frustrante da minha vida.

(Jack Torrance, um escritor bloqueado e fracassado, acompanhado pela mulher e seu filho, tem sob sua responsabilidade o Overlook Hotel ao longo de todo o inverno. O lugar é um monstro de madeira e concreto incrustado no tronco das montanhas rochosas que, fora de temporada, permanece lacrado e absolutamente isolado pela neve durante longos e solitários cinco meses.)

Mas vamos por partes, como diriam os Jacks. Primeiro que ao mesmo tempo em que me magoa profundamente por perder a chance de ser meu filme favorito, O Iluminado é uma das experiências mais incisivas que um cinéfilo pode encontrar, esquadrinhado de contornos cuidadosamente dispostos na ilusão de um gradativo sufocamento. É assim que Kubrick deixa uma sensação de “ninguém ouvirá seus gritos” bem clara desde a belíssima cena inicial, quando somos levitados em um vôo panorâmico escoltando o modesto automóvel de Jack Torrance que, tocado nas lentes dessa câmera, parece escorregar e abrir caminho virgem até os umbrais do Overlook. À primeira vista, a impressão é que tanto o hotel quanto o próprio Jack são inofensivos. O primeiro está lotado, aconchegante, exala um clima de civilização que se dissiparia nos vácuos abertos com a queda do inverno. O segundo é simplesmente a pessoa mais simpática da terra. Os dois juntos, no entanto, são faces de um mesmo demônio, águas de uma mesma correnteza de loucura alcançada através do fracasso pessoal, da solidão e do desespero; são o princípio de uma sensação que simplesmente não se encontra em filme algum.

“Às 5 da tarde vai parecer que ninguém nunca esteve aqui”. Nada poderia expressar melhor o que se sente através de Jack, Wendy e Danny, depois que o mundo deixa as montanhas rochosas para trás, que esta frase do gerente do hotel. Não sei se era necessário dizer, mas provavelmente ninguém saberia usar os largos salões e longos corredores do Overlook, contra os personagens, tão bem quanto Kubrick. Basta lembrar do circuito traçado por Danny entre curvas, cômodos, salas, um corredor e outro… Algo parecia prestes a saltar na frente do garoto, e o som, sim, o som é maravilhoso. O ruído das rodas de plástico em atrito ora com o piso e ora com os carpetes do hotel teria passado como coadjuvante inútil, não fosse a mão precisa do diretor sobre a edição de áudio, que transforma um simples barulho numa trilha incomparável. O simples passeio de Danny torna-se tétrico e digno de olhos ardendo, vermelhos, atentos, distraídos ao fato de que já não piscam a algum tempo, apenas seguindo a steady cam que rasteja discreta atrás daquele frágil triciclo. E a esta altura, já completamente imerso numa atmosfera de iminência completamente inimitável, tente se lembrar da primeira vez que você viu O Iluminado. Tente resgatar aquela mesma sensação, de quando Danny vira em mais um corredor e lá estão. Elas… Eu não contei exatamente quantas curvas o garoto faz, mas mesmo hoje, depois de ter visto a mesma cena setecentas e cinqüenta e duas vezes, o clima arrepiante pela simples espera da aparição certa daquelas duas garotinhas permanece eficiente. Ainda faz com que eu olhe pra trás e cheque os cantos obscuros da casa. Tudo ali é iminente, tudo aponta para um ataque, fúria, uma revolta do hotel. Como se não bastasse os ter engolido, agora Jack e sua família são digeridos nas entranhas daqueles salões vastos e gradativamente claustrofóbicos, como se o concreto se contraísse e esmagasse aquelas pessoas, quebrando como palitos um a um dos seus suportes emocionais e psicológicos.

E é aqui que Jack Torrance começa a ser afetado. Em primeiro lugar, pela frustração e incapacidade de levar seu projeto adiante. Posteriormente, pelos “fantasmas” e eventos “sobrenaturais” do Overlook.

Quando Wendy e seu filho Danny entram no labirinto, Kubrick utiliza-se de um recurso visual não apenas muito bonito, mas que explora ao máximo o potencial da cena e a traduz numa metáfora que funciona maravilhosamente bem (e é quase impossível metáforas funcionarem). Somos acompanhados pelos becos estreitos do labirinto onde temos novamente a sensação de que a qualquer momento iremos nos deparar com o horror. O que, de certa forma, não deixa de acontecer… Numa das salas do hotel, Jack observa uma maquete do labirinto. O verdadeiro agora é mostrado em uma vista aérea, onde Danny e Wendy caminham à deriva até encontrarem o centro do lugar. Ali começa a se manifestar um desejo retido de Jack, um utópico domínio total sobre sua mulher e seu filho, perdidos numa situação em que ele controla. Curioso também como em O Iluminado os dois grandes pontos de gravidade brilham alternadamente e em proporções dignas de um respeito muito bem dosado. Depois de um mês no hotel, fica visível a fragilidade da paz (silenciosa, mansa, insuportavelmente vaga, esta paz que nunca foi uma maldição tão terrível no cinema) no lugar quando Jack Nicholson/Torrance surge, em uma das melhores e mais assustadoras imagens do filme, olhando fixo de baixo para cima pela janela, acessando também uma janela mental, transpassando para uma dimensão de valores distorcidos de onde não se sai mais. E ele não pisca. Daquele momento em diante, fica impossível imaginar outro ator além do filho da puta do Nicholson no papel. Ele nasceu pra ser Jack Torrance. Ou o contrário.

Aquele homem simpático, aquele chefe de família amoroso que aceitou 5 meses de isolamento por sua mulher e seu filho, que nunca os machucaria, entra numa mecânica cirúrgica de transição. E um ponto-chave deste processo acontece quando Danny vai buscar um brinquedo no quarto e encontra o pai, sentado na cama. Cena INACREDITÁVEL, antológica, brilhante, absurda, intransferível às limitações do papel. Fica clara desde já a influência do hotel sobre Jack, principalmente quando este repete aquela incômoda frase das garotinhas. Nunca um nível tão profundo de terror fora alcançado desta forma: a latência do perigo que Danny corre nas mãos do próprio pai, sentado no seu colo, é de um mal-estar recôndito,  uma dor muda, terrível demais para se mostrar. Não há qualquer paralelo que possa ser traçado com este momento no cinema.

Os efeitos corrosivos do hotel passam a modelar um Jack Torrance absolutamente imprevisível, e a cena do pesadelo é especialmente terrificante. E acho até que vou poupá-los da redundância e nem citar mais a interpretação inenarrável do cara. A partir de agora, toda vez que aparecer o nome dele vocês, por favor, associem. Daqui em diante, Jack toma para si um motivo para odiar e reprovar o comportamento de Wendy, sentindo-se injustiçado pela acusação da mulher e, posteriormente, por seu suposto objetivo em destruir todas as suas possibilidades de finalmente subir na vida. Wendy passa de companheira à grande responsável pelo fracasso profissional do marido. É aqui também que Jack passa a ter contato (bem freqüente, aliás) com os “fantasmas” do Overlook.

Muito da minha tristeza com o filme é que, quando penso nele concebido a partir deste ponto, enxergo um gigantesco potencial para uma obra-prima incomparável. Dizem que na época Stephen King ficou alucinado com Kubrick por causa das inúmeras modificações (cortes) na sua obra. Eu não li o livro (nem vou, pra mim só existe uma obra de arte chamada “O Iluminado”), mas está bem claro pra mim que Kubrick pegou o pano de fundo de O Iluminado e simplesmente tomou outro rumo com o desenvolvimento do projeto. Segundo King, o cineasta transformou sua OP do horror num drama doméstico. Está errado. Está infelizmente errado. Caso O Iluminado tivesse se assumido totalmente como um terror psicológico (e deixando claro: isto não significa necessariamente a dissolução da ambigüidade na dúvida quanto à realidade ou à ilusão afetando os personagens, pelo contrário, a dúvida permaneceria enxertada e apodrecendo na memória do espectador), caso tivesse apenas sugerido ao invés de factuar os traços sobrenaturais do livro, os poucos elementos que ainda restavam dele, O Iluminado teria sido efetivamente o que quase foi: um filme sobre a degradação psicológica promovida em um lugar onde as pequenas frustrações e desentendimentos entre o casal Torrance são amplificados, colocados sob uma lente de aumento (a penetrante lente de Stanley Kubrick), revelando as frágeis estruturas e conceitos de um homem sobre sua vida e suas prioridades distorcidas. E teria sido o maior filme do mundo, somado ainda ao pequeno detalhe quanto ao sucesso de Jack na sua ‘missão’.

Vistas sob esta premissa, as cenas com fundo sobrenatural são especialmente perturbadoras. Tanto o diálogo entre Jack e Lloyd, como com seu “mentor” Grady, no banheiro vermelho. Ou a aversiva cena no quarto 237. A conta é simples: os fantasmas dentro da cabeça de Jack, funcionam. Fora, não (apesar de Danny e seu dedo falante servirem maravilhosamente bem na fundação de um instinto assassino contra ele). Conseqüência da admirável opção e boa intenção do diretor ao reduzir (pra mim, ampliar, imensuravelmente) o horror sobrenatural DE KING a um horror doméstico DE KUBRICK. Na verdade ele devia era ter mandado o King à puta que o pariu e esquecido completamente do livro. King entenderia. Não devia nem ter lido o livro, devia ter lido a sinopse.

A liberdade que Kubrick toma com o cozinheiro Halloram (que tinha outro destino no livro) é um indício desta intenção, uma brincadeira maravilhosa com o público e principalmente com aquele fã de Stephen King que não esperou uma adaptação, uma visão de outra pessoa sobre a obra, mas a própria obra xerocada e descrita visualmente em detalhes. Isso um cinegrafista de telejornal faz. Kubrick, não. Este tem o cuidado de iniciar uma sub-trama envolvendo a relação de Danny com Halloram, de partir do filme através das insinuações paranormais do garoto, de mostrar tooooooda a odisséia percorrida pelo cozinheiro (identificado como a única esperança de salvação de Danny e Wendy) para finalmente chegar lá e… levar uma machadada no meio (e para as celebradas premonições do pirralho – valorizadas inclusive pelo título do filme – não servirem pra merda nenhuma). É quando um “ih, fudeu” cabe na boca de qualquer um que ainda torce pela mulher e pelo filho chato do pobre Jack.

Pobre Jack… Não sei quem inventou que O Iluminado é um terror, um suspense, sei lá o que… É um drama, pesadíssimo, dos mais depressivos. A triste história de um pobre e bom homem que fracassa (como tudo em sua vida) ao esquartejar sua mulher intragável e seu filho insuportável. E é engraçado como um único detalhe pode mudar INTEIRAMENTE um filme. Acontece com o final de O Samurai, de Jean Pierre-Melville. Sem aquela revelação de cinco segundas e uma frase, tudo se perderia. No caso de O Iluminado, se perdeu. Shelley Duvall consegue (involuntariamente, mas quem se importa) criar o personagem mais irritante e odiável de todo o cinema. E teria sido brilhante, caso um único detalhe ocorresse: suas vísceras decorando os tapetes do hall de entrada do Overlook Hotel. Não me entra na cabeça que Kubrick tenha perdido a oportunidade de lavar a alma do espectador no sangue da piranha, ou a atirado ele mesmo da escada na qual a obrigou a repetir a mesma cena mais de 120 vezes.

E é no início da loucura total de Jack (ou, talvez, seu momento de mais pura sanidade) que se sustém uma esperança rara de redenção, logo após pegar sua mulher lendo o que ele escreveu durante todo o tempo. E isso é das coisas que, apesar de tudo, me fazem amar DEMAIS O Iluminado. É aí que Jack Torrance percorre o grande salão principal e sobe as escadarias pressionando Wendy, e nós vamos com ele. Tudo é perfeito, até mesmo a própria Shelley Duvall, que tudo que faz é chorar, soluçar e balançar um taco de basebol. Copiaria o texto inteiro se pudesse, mas preciso citar um diálogo em especial. Algo que vai me fazer esperar e sempre querer rever O Iluminado apesar da sensação profunda de frustração que me resta com os créditos. “Wendy, querida, luz da minha vida, eu não vou te machucar. Você não me deixa terminar a frase, eu não vou te machucar. Só vou esmagar os seus miolos. Esmagar até o fim”.

A cena que virou capa do filme está prestes a acontecer. A simples visão de Jack, manco, carregando aquele machado pelos corredores do hotel, já é algo de estilhaçar a espinha. E Kubrick, um cirurgião preciso, opera os momentos finais de O Iluminado com quem escultura uma herança para a humanidade, como quem filma o último filme, quem escolhe como deseja ser lembrado. Ele traduz a fúria de Jack para a tela, algo aparentemente impossível, ao acompanhar com movimentos rápidos cada machadada desferida contra as duas portas, a do quarto e a do banheiro. É hipnotizante, e de qualquer forma, não se esperaria nada diferente de um lingüista visual tão habilidoso.

Muitos já devem saber, mas não custa citar aqui: a eterna frase “Here’s Johnny!” (uma referência a Johnny Cash) não constava no roteiro, foi improvisada no calor do momento por Nicholson. Momento escolhido, em uma pesquisa realizada pela emissora inglesa Chanel 4, como o mais assustador da história do cinema. E também não falo mais nada. Pare entre este parágrafo e o outro, vá lá contemplar Jack Torrance arrebentando com a porta do banheiro, e volte aqui.

Depois de termos o gostinho de ver Jack matando Halloram (algo como um coito iniciado, mas interrompido mais tarde…), entre takes extremamente gargalhantes da sua mulher correndo, esvoaçante, com aquela faca na mão, como um dildo vibrando na última potência, podemos nos embriagar de medo e tensão em mais uma cena antológica: a perseguição no labirinto. E é impressionante a quantidade de cenas fortes que recheiam O Iluminado, tornando-o, apesar de seus problemas (ou meus, como queira), um dos filmes mais marcantes e reassistíveis que repousam empoeirados nas prateleiras de fundo das locadoras. Talvez até por isso ele veio a ser reerguido do tombo inicial apenas anos mais tarde (como já cansou de se repetir na história…). É um clássico, ganhou brilho com o tempo, provocou nas pessoas um desejo estranho de ser visto novamente, porque tem aquela cena, sim, aquela do banheiro, e aquela do labirinto, do rio de sangue… O Iluminado ganhou força o suficiente para se desprender da sombra do livro de King que tanto o perseguiu. Só a aparição de Jack congelado no labirinto é algo como um evento histórico, e conseqüentemente, a cena mais triste do filme. É torturante ouví-lo gritar e gemer, mancando, morrendo de frio, ao ouvir o barulho do trator se distanciando, sem conseguir despedaçar Danny e Wendy, depois de tanto sofrimento.

Não era Jack Torrance um louco reprimido, como, ouso dizer, todos somos? Qual a diferença entre matar e o desejo de matar quando uma consciência modelada desde a infância e as possíveis conseqüências de tal ato (quanto egoísmo, ora vejam) são as únicas coisas que nos freiam? Não estaria na loucura repousado um último fio de sinceridade? Apesar de estar numa constância gótica, num vício social, numa repressão de sentimentos equiparada a uma repressão sexual. Porque a livre vazão às sensações não condiz com este novo estado racional, esta peça recém aprimorada e quase alienígena que luta o tempo todo contra as vontades do recipiente animal na qual foi incrustada. O ser humano é fragilizado por esta esquizofrenia, esta inexistência de um identidade, é um estágio intermediário entre o animal e algum ser puramente racional que possivelmente nunca venha a existir. Enquanto isso, a negação dos instintos, o que separa Jack de um cachorro, é o que pode ser chamado de um estado constante de loucura, quebrada no evento de um domínio sentimental absoluto. Porque Jack quis matar Danny e Wendy a vida toda, apenas precisou limpar sua cabeça de completamente tudo para perceber que as comportas da sua fúria o estavam sufocando, e que ele precisava simplesmente abrí-las, que tudo ficaria bem. 

Mesmo assim, mesmo que eu me sinta irressarcivelmente lesado, como um apaixonado por cinema, por ter perdido entre os dedos o maior filme de todos os tempos, é preciso se entregar diante do encontro de dois dos caras mais talentosos que já se meteram com essa 7ª arte. E é um duelo silencioso. Diante ou por trás das câmeras, Nicholson e Kubrick se revezam e se completam em alguns dos melhores momentos desses mais de cem anos de cinema. E Kubrick não deixa de se assinar explicitamente, inserindo uma última imagem que embaralha todo o quadro perfeitamente montadinho e compreensível que o espectador tinha ao final do filme. Porque Jack vive um ciclo e, amaldiçoado, acaba retornando ao hotel para ser enterrado nele. O diretor faz de Jack Torrance um resumo do seu próprio estilo. Um círculo fechado, um pesadelo, um labirinto infinito pelo qual, em toda obra com a insígnia do Stanley, somos convidados a passear, a nos perder e a enlouquecer tentando nos encontrar. Pena que apenas quase deu certo. Teríamos dado de cara com um Jack Torrance manco e de machado na mão…

4/4

Luis Henrique Boaventura

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