Autor: Luís Flores

  • De Ophuls a Vecchiali: Variações do imaginário melodramático

    De Ophuls a Vecchiali: Variações do imaginário melodramático

    “Amantes, a vós, bastados um no outro,eu pergunto por nós. Agarrais-vos. Tendes provas?”(Rainer Maria Rilke, “Segunda Elegia”, Elegias de Duíno) “Eternamente? O que é isso, eternamente? Was ist doch ewig?”. Pronunciada por Christine, durante um passeio de carruagem com o jovem tenente Fritz, a pergunta se propaga nas planícies nevadas,…

  • Engrenagens contrariadas: O cinema como máquina de hackeamento

    Engrenagens contrariadas: O cinema como máquina de hackeamento

    Por Bernardo Oliveira e Luís Flores “A história da câmera de filmagem coincide com a história das armas automáticas. (…) Para poder mirar e fixar objetos em movimento no espaço, tais como pessoas, há dois procedimentos: atirar e filmar”. (Friedrich Kittler) 1. O controle dos detalhes Partindo da linha da…

  • Androides flutuando no rio de Heráclito

    Androides flutuando no rio de Heráclito

    Por Luís Flores             “Antes, quando alguém tinha um segredo que não queria contar a ninguém, subia até o topo de uma montanha, procurava uma árvore, fazia um buraco e sussurrava o segredo dentro. Depois, tapava com barro. Assim, ninguém o encontraria”. Essas palavras ressoam na abertura de 2046, terceiro…

  • Nas antípodas da paixão: o ser como instância de modulação

    Nas antípodas da paixão: o ser como instância de modulação

    Por Luís Flores Um plano em close-up nos mostra a tela de um jogo pornô, com escala de cores simplificada, na qual um homem penetra uma mulher por trás. Para simular o ato sexual, o jogo se vale de uma pequena fração da ação replicada infinitamente, em loop digital. Corte…

  • Como desmontar uma prisão:  Revolta silenciosa em Um condenado à morte que escapou (1956), de Robert Bresson

    Como desmontar uma prisão: Revolta silenciosa em Um condenado à morte que escapou (1956), de Robert Bresson

    Por Luís Flores Alguém certa vez o chamou de um cineasta inclassificável e um cineasta que não envelhece. Cineasta que convida a um pensamento em contínua renovação, sempre passível de reconfiguração, de remontagem. Cineasta, aliás, que nem cineasta é, dado que recusou com veemência o termo cinema e decidiu, na…

  • Entre templos e ruínas: fim do mundo e continuidade do cosmos

    Entre templos e ruínas: fim do mundo e continuidade do cosmos

    Por Luís Flores Bato à porta da pedra. – Sou eu, me deixa entrar. – Não tenho porta – diz a pedra. (Wislawa Szymborska)       Na tela, uma pedra. Uma pedra no meio do caminho. Ela encara de frente, ou é antes encarada pelo olhar da câmera, com sua…