Autor: João Pedro Faro

  • Sertânia (Geraldo Sarno, 2019)

    Sertânia (Geraldo Sarno, 2019)

    Por João Pedro Faro Geraldo Sarno está entre os nomes deixados de lado pelo cânone do cinema brasileiro. Dentre longas e curtas em uma carreira que se estende por quase cinco décadas, o cineasta baiano moldou uma filmografia de conceitos muito próprios, porém bem menos celebrada do que seus colegas…

  • Sofá (Bruno Safadi, 2019)

    Sofá (Bruno Safadi, 2019)

    Por João Pedro Faro Não é grande elogio dizer que determinada obra é “sobre o nosso momento”. Muito mais interessante do que isso é perceber um trabalho como desmembramento de imagens inevitáveis ao que está sendo produzido atualmente, e a partir delas gerar impressões e sensações que remodelam o que…

  • O Lodo (Helvécio Ratton, 2020)

    O Lodo (Helvécio Ratton, 2020)

    Por João Pedro Faro Um despertador toca, fade in. Vemos um homem de meia-idade acordar, emburrado, seguindo para sua rotina desgastada no tão temido mundo corporativo. Esse tipo de premissa para representar qualquer personagem masculino “cansado desse mundo” já parece ter se tornado um pressuposto automático desde meados do século…

  • Os Escravos de Jó (Rosemberg Cariry, 2020)

    Os Escravos de Jó (Rosemberg Cariry, 2020)

    Por João Pedro Faro O último filme de Rosemberg Cariry exibe um fenômeno cinematográfico bem específico: um clima cansado e tardio de obras que parecem pertencer à retomada do cinema brasileiro da década de 90. A fixação por temas totalizadores, estética televisiva e a planificação de simbolismos são algumas características…

  • Duas cenas de pesca: Paulo Rocha e Roberto Rossellini

    Duas cenas de pesca: Paulo Rocha e Roberto Rossellini

    Por João Pedro Faro Uma cena Primeiro, vemos os contornos das costas de um pescador ao remar, registrado pela câmera que está dentro de um barco Furadouro em Mudar de Vida (1966). Agregando seu esforço individual ao esforço conjunto que movimenta o barco, o pescador é parte de um grupo…

  • Mar calmo não faz bom marinheiro: O Farol (Robert Eggers, 2019)

    Mar calmo não faz bom marinheiro: O Farol (Robert Eggers, 2019)

    Por João Pedro Faro Algo começou a dar errado a partir da quinta temporada de Bob Esponja (1999-). O criador do desenho, Stephen Hillenburg, deixou o time de roteiristas da série, que pareceu desandar completamente em seus rumos criativos. O que antes era uma das maiores inovações televisivas da época,…

  • Um homem é uma câmera

    Um homem é uma câmera

    Por João Pedro Faro O cinema é colagem a partir do momento em que um frame junto do outro gera movimento. Disso, gera-se a montagem. Da montagem gera-se o filme. Seja de um processo analógico ou digital, o maquinário por trás dessas etapas é a possibilidade do cinema de existir.…

  • SUSPIRIA (Luca Guadagino, 2018)

    SUSPIRIA (Luca Guadagino, 2018)

    Terrorismo Matriarcal Por João Pedro Faro Madame Leblanc (Tilda Swinton) explica para Susie (Dakota Johnson): “Você confunde fraqueza física com preferência artística”. Em uma premissa cínica como a de um remake de Suspiria (1977), seria fácil demais misturar essas duas coisas, ou talvez tentar fazer com que uma justificasse a…

  • Crimes e orixás: O Amuleto de Ogum, de Nelson Pereira dos Santos

    Crimes e orixás: O Amuleto de Ogum, de Nelson Pereira dos Santos

    Por João Pedro Faro O cinema brasileiro é, historicamente, um cinema de chavões, sendo dos mais recorrentes os tais “filmes sobre o povo”. Eles percorrem desde as chanchadas até a pós-retomada, o que também torna histórico que ser “sobre o povo” quase nunca significa ser verdadeiramente popular. Não apenas o…

  • Stuart Gordon: Fetiche, Caos e Metamorfose

    Stuart Gordon: Fetiche, Caos e Metamorfose

    Por João Pedro Faro Parece existir um abismo entre a natureza celibatária da obra de H.P Lovecraft e a desmoralização de qualquer fantasia sexual perversa na filmografia de Stuart Gordon. Sendo Gordon o mais notório cineasta a centrar sua carreira na obra do autor, a relação entre os dois surge…

  • A MORTE DA LÍDER DE TORCIDA

    A MORTE DA LÍDER DE TORCIDA

    Por João Pedro Faro “Gosto de voltar aos locais para verificar as suas mudanças, mas também as modificações produzidas em mim mesmo por relação àquele espaço. Tento criar um sentido a partir do encontro das duas variáveis da mudança, a minha e a do espaço.” James Benning em entrevista ao…

  • GREEN SNAKE: Fé e demolição

    GREEN SNAKE: Fé e demolição

    Por João Pedro Faro Das poucas definições possíveis para Green Snake (1993), a que João Bénard da Costa escreve para Narciso Negro (1947) parece a mais coerente: “Para amar Black Narcissus é preciso uma boa dose de infantilismo (…) É preciso amar o gratuito, o excessivo, o maravilhoso, os filmes de terror,…

  • A RESSACA DO MILÊNIO

    A RESSACA DO MILÊNIO

    Por João Pedro Faro Havia algo de paranoico em toda tendência cinematográfica no fim dos anos 90. Isso tanto em manifestações formais (o amaldiçoado Dogma 95, toda a eterna carga de revoltas laterais contra a narrativa clássica que impulsionava maneirismos cada vez mais intensos e experimentais) quanto em recorrências puramente…

  • O direito do mais forte

    O direito do mais forte

    Por João Pedro Faro Na abertura de Querelle, enquanto soldados armados num pôr-do-sol teatral observam marinheiros trabalhando, o narrador já impõe um paralelo entre um conceito assassino e o conceito de sexualidade, como se a manifestação de um desses tivesse necessariamente como consequência o outro. Essa colocação, comprovada posteriormente no…