Autor: João Lucas Pedrosa
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O Sétimo Código (Kiyoshi Kurosawa, 2013)
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por João Lucas Pedrosa Apesar da tradução internacional de Sebunsu Kodo para “Sétimo Código” (Seventh Code em inglês), ao jogar o título em katakana no Google, encontra-se o conceito de “Acorde de Sétima”. Seventh Chord, não à toa, é o nome anglofônico da música que encerra o filme, performada pela…
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SEGREDOS DE UM ESCÂNDALO (May December, Todd Haynes, 2023)
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por João Lucas Pedrosa Um dos planos que melhor encapsula o jogo central de May December, novo filme de Todd Haynes, provavelmente é o que mais inspirou os cartazes do longa: um médio conjunto das duas protagonistas femininas olhando para a frente, com a câmera – e, nisso, também o…
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O pau duro do Chacal
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por João Lucas Pedrosa Gosto de pensar o cachorro como uma criança que não cresce. Eles aprendem coisas com os anos, a partir da experiência nas ruas ou dos limites que os seus donos estabelecem. Eles compreendem sistemas simples (que se latir perto da cambuca de comida ou de água,…
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Regra 34 (Julia Murat, 2022)
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Por João Lucas Pedrosa Falar de sexo envolve tantas vezes falar desse lugar nebuloso que é o desejo de ser, ao mesmo tempo, Sujeito (o que produz os significados, o que deseja e que fode) e Objeto (sobre o qual os significados são projetados, o que é desejado e fodido).…
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VOCÊ QUE ESCOLHA O TEU CAMINHO NA ENCRUZILHADA
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por João Lucas Pedrosa Os ecos e leituras de Exu-orixá variam sempre de acordo com os terreiros. A leitura que, até o momento, pessoalmente mais me apego e que aqui usarei como norte de pensamento é a de Exu como fundamentador de “princípios e potências concernentes à linguagem, suas dinâmicas…
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Reflexões corridas sobre representações do bicho
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Reflexões corridas sobre representações do bicho[1] Por João Lucas Pedrosa “Profeta, ou o que quer que sejas! Ave ou demônio que negrejas! Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno Onde reside o mal eterno, Ou simplesmente náufrago escapado Venhas do temporal que te há lançado…
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Grade (Lucas Andrade, 2022)
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Por João Lucas Pedrosa “O gosto camp atual apaga ou contradiz frontalmente a natureza. E a relação camp com o passado é sentimental ao extremo”. É certo que o “atual” camp discorrido por Sontag era o dos anos 1960, oriundo de outra realidade. Acaba sendo sempre tortuoso discorrer sobre o…
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Bem Vindos de Novo (Marcos Yoshi, 2022)
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Por João Lucas Pedrosa Roberto e Yayoko Yoshisaki, pais do diretor Marcos Yoshi, voltam depois de 13 anos morando no Japão, onde trabalharam como operários de uma fábrica para poder sustentar a educação dos filhos. É se alimentando da súbita aproximação após essa abismal ausência que parte “Bem Vindos de…
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A dança dos pirilampos
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por João Lucas Pedrosa O fantasma pode bem ser a imagem que os olhos deixam escorrer pelos dedos, mas que o espírito a ele com tudo se agarra. Sua raiz etimológica está no que se “faz mostrar” ou se “faz ver” (phantázein); enfim, uma aparição (do “aparecer” phaneín). E uma…
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O trauma transmitido, o trauma omitido: Túmulo dos Vagalumes, Maria Antonieta e Jojo Rabbit
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Por João Lucas Pedrosa “O tempo descontextualiza o trauma. O trauma descontextualizado numa pessoa parece personalidade. O trauma descontextualizado em uma família parece traços de família. O trauma descontextualizado num povo parece cultura.” Reesma Menakem[1] Uma das maiores preocupações de Isao Takahata durante a feitura de Túmulo dos Vagalumes (lançado…
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A paixão segundo a morte
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Por João Lucas Pedrosa “As mãos são como feitas para a eloquência, como se quisessem expressar nossos sentimentos. Mas os pés não falam como as mãos, porque eles ancoram a vida” Kazuo Ohno, Treino e(m) poema Por três vezes, a cantora-compositora Mitski e a diretora Zia Anger se uniram…
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Os belos desencontros de Rochefort
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por João Lucas Pedrosa “É uma canção que canto quando estou triste. Aí fico mais triste, então minha tristeza vira poética.” O gentil amor dos homens (Jean-Paul Civeyrac, 2002) À luz do sol recém-nascido, caminhoneiros feirantes chegam numa ponte transportadora que os levará à povoação de Rochefort. Enquanto…
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A revolta das opacidades, ou o pop e a ultraviolência na virada do milênio japonês
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por João Lucas Pedrosa Perfect Blue mostra pela primeira vez o rosto de sua protagonista por volta de 2min40s de filme. Formas desfocadas que sugerem um túnel correm para a direita para revelar uma ampla visão em movimento da cidade. O enquadramento recua e revela o semblante de Mima…
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O Sertão como meio e o Sertão como fim
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Por João Lucas Pedrosa O “Apocalipse”, último livro das Sagradas Escrituras, já tornado conhecimento geral, transcreve as revelações (raiz etimológica do título) do que Deus teria guardado para o futuro dos homens. O autor João redigiu o que Jesus Cristo recebia de seu Pai em forma de visões, elementos simbólicos…
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Estática e cinética, sistema e indivíduo: Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles
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Por João Lucas Pedrosa Discorrer sobre Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles (1975), de Chantal Akerman, envolve inevitavelmente discorrer sobre a permanência (e a derrocada) de um sistema que constitui os alicerces do filme. Um sistema, sobretudo, de trabalho. Segundo a Física, o trabalho existe quando uma força…