Autor: Filipe Chamy

  • Amar, Beber e Cantar (Alain Resnais, 2014)

    Amar, Beber e Cantar (Alain Resnais, 2014)

    Por Filipe Chamy Todos percebem com imediato reconhecimento os elementos teatrais deste derradeiro longa de Alain Resnais: as entradas e saídas de cenas efetuadas pelas personagens, algo de sua movimentação (e os planos e contraplanos e como eles falam), os cenários minimalistas, as separações bastante distintas entre episódios (atos, cenas);…

  • Vocês ainda não viram nada! (Alain Resnais, 2012)

    Vocês ainda não viram nada! (Alain Resnais, 2012)

    Por Filipe Chamy Vocês ainda não viram nada! é um título genérico, que poderia servir para designar praticamente qualquer longa dirigido por Alain Resnais, sempre criativo inventor de novas maneiras de se exprimir e apresentar seus pensamentos e reflexões; mas ele escolheu nomear este filme com esse nome, e razão…

  • Ervas Daninhas (Alain Resnais, 2009)

    Ervas Daninhas (Alain Resnais, 2009)

    Por Filipe Chamy Quem acompanha a carreira de Alain Resnais sabe que esse hoje nonagenário não se cansa de sempre inovar os próprios caminhos de expressão: mexe na estrutura narrativa, na forma material do filme, brinca com a metalinguagem, os atores, os gêneros; faz de uma farsa teatral genialmente encenada…

  • O Homem Nu (Roberto Santos, 1968)

    O Homem Nu (Roberto Santos, 1968)

    Por Filipe Chamy A adaptação literária no cinema é repleta de preconceitos, dogmas, institutos. Quase sempre os comentários versam sobre a infidelidade adaptativa, a impossibilidade de se condensar centenas de páginas em poucos minutos ou horas, as facilidades e dificuldades de transposição de linguagem de uma mídia a outra, diferentes…

  • Um Quixote Sem Mancha (Miguel M. Delgado, 1969)

    Um Quixote Sem Mancha (Miguel M. Delgado, 1969)

    Por Filipe Chamy O fenômeno Cantinflas, ainda que obscurecido hoje por novidades recentes, faz parte de uma expressiva porção do cinema popular da segunda metade do século XX. Era aquela época (não desaparecida de todo, mas cada vez menos frequente) em que um ator, cantor ou celebridade fazia tanto sucesso…

  • O Amigo da Minha Amiga (Eric Rohmer, 1987)

    O Amigo da Minha Amiga (Eric Rohmer, 1987)

    Por Filipe Chamy O que mais chama a atenção nos filmes de Eric Rohmer, o que salta aos olhos e parece seu definitivo testamento como autor de cinema, é como ele rege seus atores e como suas personagens são desenvolvidas. Os intérpretes de suas obras parecem encarnar pessoas sumamente tranquilas,…

  • Valente (Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell, 2012)

    Valente (Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell, 2012)

    Por Filipe Chamy A primeira coisa que parece digna de observação em Valente é como ele é muito mais um filme da Disney que da Pixar. Dialogando com décadas de uma tradição (quase) irretocável, Valente a todo instante lembra os longas animados disneyanos: o cabelo da simpática protagonista Merida é…

  • Ao Abismo – Um conto de vida e de morte (Werner Herzog, 2011)

    Ao Abismo – Um conto de vida e de morte (Werner Herzog, 2011)

    Por Filipe Chamy Claro que os heróis de Herzog já enfrentaram a morte de várias maneiras: ou se entregando a ela (O homem urso) ou procurando-a (in)voluntariamente (Fitzcarraldo, Aguirre, a Cólera dos Deuses) ou mesmo negando-a, vivendo numa espécie de limbo metafísico (o Drácula de Nosferatu). Mas neste dolorosíssimo Ao…

  • O Sobrevivente (Werner Herzog, 2006)

    O Sobrevivente (Werner Herzog, 2006)

    Por Filipe Chamy Não é segredo para ninguém que Werner Herzog, assim como alguns ilustres colegas seus (Agnès Varda, por exemplo), divide sua filmografia de maneira mais ou menos rígida entre suas ambições “ficcionais” e suas ambições “documentais”. Ora, O sobrevivente não é um documentário, mas é baseado em um…

  • O Homem Urso (Werner Herzog, 2005)

    O Homem Urso (Werner Herzog, 2005)

    Por Filipe Chamy Em parte expressiva de sua filmografia, Werner Herzog persegue personagens que empenham o corpo e a alma na procura, na busca ou na execução de uma tarefa maior que suas forças, ou mesmo impossível. O homem urso não é exatamente exemplar nesse sentido, mas sem hesitação pode…

  • No Coração da Montanha (Werner Herzog, 1991)

    No Coração da Montanha (Werner Herzog, 1991)

    Por Filipe Chamy A princípio, No coração da montanha é um filme igual a tantos outros de Herzog: trata-se do clássico embate homem versus natureza, com as adequadas discussões sobre a megalomania mundana e a perenidade das forças naturais. Ocorre que essa leitura se verifica além da superficialidade — de…

  • Jag Mandir (Werner Herzog, 1991)

    Jag Mandir (Werner Herzog, 1991)

    Por Filipe Chamy Já se cantou que o Brasil nunca foi ao Brazil; segregações sociais à parte, diversos fenômenos históricos e culturais também nos impedem de ir a outras paragens mais distantes. O “Oriente”, por exemplo, ainda nos parece tão exótico quanto nos romances de Emilio Salgari. Não entendemos seus…

  • As Aventuras de Tintim (Steven Spielberg, 2011)

    As Aventuras de Tintim (Steven Spielberg, 2011)

    Uma adaptação de Tintim (ou Tintin, no original) feita por Steven Spielberg era algo que eu temia. Já sabemos há muitos anos de sua paixão pela criação de Hergé — da qual comprou certos direitos já nos anos 1980 —, e também conhecemos de cor e salteado sua louvável peregrinação…

  • No Mundo da Lua (Robert Mulligan, 1991)

    No Mundo da Lua (Robert Mulligan, 1991)

    Adolescência e infância são duas fases tão singulares na vida de uma pessoa que é difícil alguém chegar à vida adulta lembrando-se de como elas foram. Porque essa é talvez a única razão que explique o descompasso que marca a maioria das obras que retratam esses períodos da existência. A…

  • O Garoto da Bicicleta (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2011)

    O Garoto da Bicicleta (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2011)

    O que mais me interessa em O garoto da bicicleta é sua clareza. Este último (até agora) longa dos irmãos Dardennes é extremamente transparente nas intenções e na abordagem. Não varre a sujeira para debaixo do tapete e não se omite às fraquezas das personagens, às torturas cotidianas que implicam…