{"id":98,"date":"2008-05-12T20:43:41","date_gmt":"2008-05-12T22:43:41","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=98"},"modified":"2008-05-12T20:43:41","modified_gmt":"2008-05-12T22:43:41","slug":"laura-otto-preminger-1944","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/laura-otto-preminger-1944\/","title":{"rendered":"Laura (Otto Preminger, 1944)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ouvidodemaxwell.com\/images\/oom2_laura_preminger_site.jpg\" alt=\"\" width=\"330\" height=\"244\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fant\u00e1stica a maneira como Preminger desenvolve seu tratado sobre a obsess\u00e3o, oportunamente acobertado por uma trama t\u00edpica de crime noir. E o mais curioso, muito al\u00e9m da inventividade de se repartir o tema sobre tr\u00eas personagens diferentes, armando, assim, um quadro intermin\u00e1vel de possibilidades e grada\u00e7\u00f5es para estender a brincadeira, partindo da necrofilia ao ci\u00fame em quest\u00e3o de um corte, fica por conta do tom completamente distante de qualquer prejulgamento que conduz desde o princ\u00edpio a pequena odiss\u00e9ia daqueles tr\u00eas homens \u2013 cuja inter-rela\u00e7\u00e3o jamais deixa de soar misteriosa. Ali\u00e1s, \u00e9 muito estranha a forma de <em>Laura<\/em>, que at\u00e9 a primeira reviravolta impressiona pelo distanciamento que o diretor mant\u00e9m da a\u00e7\u00e3o e, principalmente, pela cad\u00eancia incomum. \u00c9 de uma frieza e lentid\u00e3o mais do que at\u00edpicas, at\u00e9 para um filme policial \u2013 inclusive para um Preminger, que em <em>Anjo ou Dem\u00f4nio?<\/em>, pra ficar em uma refer\u00eancia pr\u00f3xima, constr\u00f3i um melodrama de conte\u00fado relativamente semelhante e esteticamente \u2013 e tamb\u00e9m no ritmo \u2013 muito diferente. Mas tudo n\u00e3o passa de um jogo; brincadeira de identidade. E nem preciso dizer o quanto \u00e9 sensacional vermos uma personagem ser montada em fragmentos e ter pulso completo antes mesmo de cruzar a tela pela primeira vez. Ali\u00e1s, quando Laura finalmente adentra a misteriosa cena do crime, numa seq\u00fc\u00eancia que beira o pesadelo oper\u00edstico, a \u2018surpresa\u2019 consegue transmitir uma sensa\u00e7\u00e3o de perplexidade totalmente inversa. Parece que ela esteve ali o tempo todo \u2013 heran\u00e7a, talvez, daquele quadro maldito que ajuda o protagonista a exteriorizar sua crescente obsess\u00e3o, ou talvez da pr\u00f3pria m\u00edstica em torno da personagem, que faz parte de cada linha de di\u00e1logo recitada nas cenas anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O resultado de tudo isso \u00e9 o respons\u00e1vel pelo aprisionamento de <em>Laura<\/em> a um universo distante de todo o cinema realizado at\u00e9 ent\u00e3o. Mas \u00e9 explic\u00e1vel. Um filme rom\u00e2ntico que jamais v\u00ea o amor de forma rom\u00e2ntica, nem mesmo pra tentar fundamentar um sentido oposto, n\u00e3o se permite encaixar em nada. Ao contr\u00e1rio da abordagem de Preminger, fria como uma noite de inverno su\u00ed\u00e7o, <em>Laura<\/em> \u00e9 a subvers\u00e3o de todo e qualquer sentimento. Um filme feito do avesso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fant\u00e1stica a maneira como Preminger desenvolve seu tratado sobre a obsess\u00e3o, oportunamente acobertado por uma trama t\u00edpica de crime noir. 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