{"id":97,"date":"2008-05-12T19:56:12","date_gmt":"2008-05-12T21:56:12","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=97"},"modified":"2008-05-12T19:56:12","modified_gmt":"2008-05-12T21:56:12","slug":"anjo-ou-demonio-otto-preminger-1946","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/anjo-ou-demonio-otto-preminger-1946\/","title":{"rendered":"Anjo ou Dem\u00f4nio (Otto Preminger, 1946)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"vertical-align:top;\" src=\"http:\/\/home.comcast.net\/~chabrol\/fallenangel001.jpg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"334\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um filme menor do noir, mas ainda assim muito bom &#8211; mesmo que este seja o grau de qualidade m\u00ednimo que algo do estilo pode alcan\u00e7ar, pelo menos quando tem um grande diretor por detr\u00e1s das c\u00e2meras. O Preminger consegue desenvolver toda a ambientaliza\u00e7\u00e3o de forma impec\u00e1vel nos primeiros 25 minutos, concentrando o foco na fundamenta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es inescrupulosas entre os dois personagens centrais e o mundo que os cerca. Isso sem contar no charme ineg\u00e1vel que \u00e9 atribu\u00eddo aos poucos e repetidos cen\u00e1rios em que transcorre a est\u00f3ria, principalmente o bar, \u00e0 beira da praia, com um ar soturno, mas ao mesmo tempo rom\u00e2ntico \u2013 no sentido de evocar o mais puro dos clich\u00eas de g\u00eanero, o que de forma alguma tem sentido pejorativo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O mesmo charme, por\u00e9m, acaba n\u00e3o imperando ininterruptamente no decorrer do filme, que em alguns momentos fica nitidamente mon\u00f3tono, mesmo que estes momentos sejam importantes \u2013 mas prolongados em excesso \u2013 pra chegar aonde o Preminger finalmente pretendia chegar, no final das contas. E \u00e9 interessante como, nos quinze minutos finais, ele consegue redirecionar o pressuposto motivo de toda a trama para pelo menos tr\u00eas caminhos diferentes, renovando o filme a cada seq\u00fc\u00eancia, jogando a culpa toda, a princ\u00edpio, em uma est\u00f3ria de fracasso, mas depois retransformando tudo isso em um conto sustentado por um dos principais temas do noir: a obsess\u00e3o \u2013 e fica clara a influ\u00eancia de filmes como <em>Laura<\/em>, do pr\u00f3prio Preminger, e <em>Almas Perversas<\/em>, do Fritz Lang, feitos no ano anterior \u2013 no caso de Laura deu pra notar f\u00e1cil f\u00e1cil que o jogo do est\u00fadio era repetir a dose.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que <em>Anjo ou Dem\u00f4nio?<\/em> tenha pelo menos uns dois pares de seq\u00fc\u00eancias sensacionais \u2013 a primeira \u00e9 uma delas, resumindo em pr\u00e1tica toda a personalidade do protagonista e dando um tom preciso daquilo que seria desenvolvido mais tarde -, al\u00e9m de um trabalho de c\u00e2mera e fotografia excepcionais. A dire\u00e7\u00e3o do Preminger, mesmo insuficiente pra garantir sustentabilidade est\u00e1vel ao filme, impressiona em diversos momentos, mais pelo visual mesmo, com um jogo de c\u00e2mera inteligent\u00edssimo e muita perspic\u00e1cia em utilizar as sombras e os macetes est\u00e9ticos pr\u00f3prios do estilo. E, se o filme termina sem aquele gostinho de obra-prima, ao menos garante uma hora e meia de pura divers\u00e3o do mais sincero apego \u00e0s bases do cinema noir. E como vale a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um filme menor do noir, mas ainda assim muito bom &#8211; mesmo que este seja o grau de qualidade m\u00ednimo que algo do estilo pode alcan\u00e7ar, pelo menos quando tem um grande diretor por detr\u00e1s das c\u00e2meras. 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