{"id":933,"date":"2008-08-04T03:04:30","date_gmt":"2008-08-04T05:04:30","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=933"},"modified":"2008-08-04T03:04:30","modified_gmt":"2008-08-04T05:04:30","slug":"10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh-4","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/08\/04\/10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh-4\/","title":{"rendered":"10\u00ba Festival Internacional de Curtas de BH"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><strong>QUINTO DIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>DREZNICA (<em>Anna Azevedo<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/arquivos_upload\/2008\/01\/86_924-Dreznica.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" \/><br \/>\n<strong>3\/4<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Partindo de um questionamento que fez a si mesma, de como sonham os cegos, a diretora Anna Azevedo decidiu entrevistar alguns deficientes visuais a fim de coletar depoimentos que respondessem a d\u00favida. Algumas surpresas vieram pelo caminho, como saber que a cegueira n\u00e3o \u00e9 o preto total, para muitos acaba sendo um po\u00e9tico azul. E diante da possibilidade de poesia, Anna Azevedo decidiu tornar seu filme mais pessoal que o que era imaginado, jogando fora toda a pista de video dos depoimentos filmados e mantendo somente o \u00e1udio. Para ilustrar o document\u00e1rio, ela pediu a amigos e colaboradores imagens de fam\u00edlia em Super 8, que tomou como sendo dela e daquelas pessoas que prestaram os depoimentos. Os deficientes n\u00e3o sabem ao certo se as coisas com as quais eles sonham s\u00e3o da maneira que eles imaginam, ent\u00e3o \u00e9 uma mem\u00f3ria inventada e falha, como \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de Anna por aquelas imagens de arquivo pessoal. O resultado \u00e9 bel\u00edssimo.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>PARTIDA (<em>Daniel Lentini<\/em>)<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">2\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Partida<\/em> fala sobre o momento definitivo na vida de um homem, o que antecede sua morte. Mas o homem em quest\u00e3o opta por acabar com a pr\u00f3pria vida e a espera angustiante \u00e9 que o olhar de Lentini tenta acompanhar, com uma dist\u00e2ncia respeitosa e inc\u00f4moda. Pena que o que fica no final das contas \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de impessoalidade com aquele drama e aquele personagem, tornando tudo muito desinteressante para quem deveria tentar compreender as motiva\u00e7\u00f5es do homem.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>MERC\u00daRIO (<em>S\u00e1vio Leite<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.revistamoviola.com\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/compnac7-mecurio-1.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" \/><br \/>\n<strong>0\/4<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Festivais de cinema tem dessas coisas. O cinema de experimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica costuma ser bastante mal criticado &#8211; injustamente, muitas vezes &#8211; por conta da n\u00e3o-compreens\u00e3o das propostas dos artistas. Mas por outro lado acaba sendo c\u00f4modo demais &#8220;experimentar&#8221; qualquer coisa e ter como resultado coisa alguma. <em>Merc\u00fario<\/em> \u00e9 um caso de anima\u00e7\u00e3o mal feita, partida de lugar algum, passando por coisa nenhuma e chegando a n\u00e3o sei onde. Festivais de cinema tem dessas coisas&#8230;<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>ANIMADORES (<em>Allan Sieber<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border:0;\" src=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/media\/blogs\/melhoresdomundo\/animadores-home.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" width=\"423\" height=\"135\" \/><br \/>\n<strong>1\/4<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em <em>Animadores<\/em> nada est\u00e1 necessariamente fora do lugar. Mas fica a impress\u00e3o de um trabalho de pessoas com talento que entraram numa brincadeira camarada. A est\u00f3ria \u00e9 inocente e o resultado da anima\u00e7\u00e3o idem. Um grupo de animadores de festa infantil pega o metr\u00f4, passa por situa\u00e7\u00f5es complicadas na festa e saem exaustos do dia de trabalho, ainda tendo alguma parcela de desilus\u00e3o na volta pra casa. O filme \u00e9 assim tamb\u00e9m, mas a desilus\u00e3o foi minha.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>TR\u00d3PICO DAS CABRAS (<em>Fernando Coimbra<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/stat.correioweb.com.br\/arquivos\/fbcb\/fichas\/tropico_das_cabras.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" \/><br \/>\n<strong>4\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um homem e uma mulher decidem se jogar numa viagem pelo pa\u00eds com a necessidade de se libertarem um do outro. A palavra &#8220;necessidade&#8221; aqui cabe perfeitamente, j\u00e1 que parece sufocante amar o outro na situa\u00e7\u00e3o em que eles se encontram. O homem v\u00ea a mulher fazendo sexo com outro homem, depois cheira sua genit\u00e1lia para ser capaz de sentir asco. O doloroso processo do &#8220;desamar&#8221; \u00e9 objeto do olhar de Fernando Coimbra no estupendo <em>Tr\u00f3pico das Cabras<\/em>, um desses road movies de viagem interior que relembram <em>Paris, Texas<\/em> (inclusive tem um plano dos rostos dos personagens se sobrepondo que \u00e9 bel\u00edssimo) e parecem n\u00e3o dever muito ao filme de Wim Wenders. O filme de Coimbra, fotografado por Lula Carvalho, \u00e9 um dos exemplares mais felizes do curta-metragem recente, se valendo da m\u00eddia perfeitamente, nunca parecendo ser um mini-longa. Ainda que o duro ciclo dos personagens consuma terrivelmente nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>OCIDENTE (<em>Leonardo Sette<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:0;\" src=\"http:\/\/www.revistaogrito.com\/page\/wp-content\/uploads\/2008\/04\/foto_curta_ocidente_divulgacao.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" width=\"440\" height=\"200\" \/><br \/>\n<strong>3\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Leonardo Sette posicionou sua c\u00e2mera em um vag\u00e3o de trem para captar algum recorte de uma realidade. Assim sendo, seu filme poderia realmente ser classificado como um document\u00e1rio. Mas Sette faz um jogo de possibilidades com nosso olhar, somente permitindo nossa vis\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o nos momentos em que o trem passa por t\u00faneis, pois s\u00f3 assim a fotografia possibilitaria o reflexo necess\u00e1rio nas sombras para vermos o que se passa do lado de dentro. Existe um zoom, existe o reflexo da c\u00e2mera. Sette assume o cinema ali, a fic\u00e7\u00e3o de toda a constru\u00e7\u00e3o. Em seguida une o plano do casal de meia idade que viaja sem contato f\u00edsico algum rumo ao oriente com o plano de um apaixonado casal jovem que vai na posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. \u00c9 todo um discurso cinematogr\u00e1fico com apenas um corte, um movimento de c\u00e2mera, dois planos e nenhuma palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Thiago Mac\u00eado Correia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QUINTO DIA DREZNICA (Anna Azevedo) 3\/4 Partindo de um questionamento que fez a si mesma, de como sonham os cegos, a diretora Anna Azevedo decidiu entrevistar alguns deficientes visuais a fim de coletar depoimentos que respondessem a d\u00favida. 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