{"id":904,"date":"2008-07-30T14:18:44","date_gmt":"2008-07-30T16:18:44","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=904"},"modified":"2008-07-30T14:18:44","modified_gmt":"2008-07-30T16:18:44","slug":"10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/30\/10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh-3\/","title":{"rendered":"10\u00ba Festival Internacional de Curtas de BH"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><strong>TERCEIRO DIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>BATALHA &#8211; A GUERRA DO VINIL (<em>Rafael Terpins<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border:0;\" src=\"http:\/\/luterceiro.files.wordpress.com\/2007\/09\/batalha_7.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" width=\"360\" height=\"239\" \/><br \/>\n<strong>1\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o h\u00e1 como negar que o que motiva o desenvolvimento de <em>Batalha &#8211; A Guerra dos Vinis<\/em> seja uma necessidade pessoal de retrata\u00e7\u00e3o de um ambiente de conv\u00edvio particular. A vida na favela e seus personagens s\u00e3o pilares da constru\u00e7\u00e3o da tal &#8220;guerra&#8221; estabelecida entre um simples habitante do local, na tentativa de se provar o maior DJ das redondezas, com o consagrado artista resguardado por gravadora, seguran\u00e7as e &#8220;gruppies&#8221;. As t\u00e9cnicas empregadas para fazer a anima\u00e7\u00e3o de <em>Batalha <\/em>s\u00e3o bastante interessantes e provam uma dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho por meio da equipe muito impressionante. Assim como o hip hop n\u00e3o \u00e9 bem visto em certos meios sociais no pa\u00eds, fazer anima\u00e7\u00e3o em stop motion pode ser das tarefas mais marginais poss\u00edveis. Mas mesmo com todas essas boas inten\u00e7\u00f5es e m\u00e9ritos t\u00e9cnicos, <em>Batalha<\/em> chora uma falta de seguran\u00e7a narrativa, uma fraqueza no desenvolvimento estrutural do filme que n\u00e3o conseguiu acompanhar a qualidade t\u00e9cnica e transforma a experi\u00eancia daquela situa\u00e7\u00e3o como uma est\u00f3ria qualquer sobre supera\u00e7\u00e3o, onde o final \u00e9 conhecido desde o segundo inicial.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>ENCANTO (<em>Julia de Simone<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>2\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Encanto<\/em> parece querer remontar uma tradi\u00e7\u00e3o perdida que pode ser ainda poss\u00edvel nos dias atuais. Em um clube onde se reunem basicamente homens j\u00e1 na terceira idade, acompanhamos o dia-a-dia das prepara\u00e7\u00f5es dos p\u00e1ssaros que eles criam destinados a competir em guerras de canto. O canto dos p\u00e1ssaros abafa as pr\u00f3prias vozes dos homens mas o que a realidade realmente revela, do lado de fora daquele clube, \u00e9 que \u00e9 imposs\u00edvel ouvirmos tal canto em meio a tanto barulho humano. N\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para estes sons e, possivelmente, nem para estes homens. O olhar presente sobre este passado \u00e9 impregnado de respeito pela c\u00e2mera de Julia de Simone, mas no final ela parece ter a consci\u00eancia de que a viagem sonora que ela prop\u00f4s n\u00e3o tem espa\u00e7o suficiente nos ouvidos urbanos.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>ISMAR (<em>Gustavo Beck<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.kinoforum.org.br\/curtas\/2007\/img\/thumbs\/12650.jpg\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"191\" \/><br \/>\n<strong>3\/4<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Exerc\u00edcio interessante de reflex\u00e3o sobre a televis\u00e3o, <em>Ismar<\/em> narra a trajet\u00f3ria de um garoto sonhador que ficou famoso na televis\u00e3o, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, gra\u00e7as a seu conhecimento sobre a antiga Hollywood. Participou do programa de Jota Silvestre na tentativa de ganhar como pr\u00eamio uma viagem de sonhos para a meca do cinema. No filme de Gustavo Beck, temos acesso \u00e0s imagens de arquivo deste programa que nos narra o drama do garotinho que, ao final de v\u00e1rias baterias de perguntas, acaba n\u00e3o conseguindo realizar o tal sonho. A explora\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina televisiva e a ilus\u00e3o de um vida imagin\u00e1ria projetada pela tal Hollywood de ouro s\u00e3o dois dos objetos de estudo do filme, mas Beck acaba conseguindo ir muito al\u00e9m, ainda se notarmos que o filme \u00e9 sobre uma pessoa e n\u00e3o um personagem. Ismar deixou de ser aquele garotinho de face rechonchuda e limpa e virou um jovem de cabelos desarrumados e barba suja, quer fazer arte antes de se deixar iludir, diz querer agora somente o real e quase assina embaixo da poss\u00edvel m\u00e1scara do passado. Um filme quase cruel sobre uma crian\u00e7a ing\u00eanua que vive uma ilus\u00e3o e sobre um adulto em forma\u00e7\u00e3o que almeja a naturalidade. Virou uma boa moda a ser seguida no cinema documental.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong><\/strong><strong>AREIA (<em>Caetano Gotardo<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border:0;\" src=\"http:\/\/www.berghof.blogger.com.br\/areia_nuca.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" width=\"394\" height=\"242\" \/><br \/>\n<strong>4\/4<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Areia <\/em>\u00e9 deslumbrante. O deslumbre est\u00e9tico do filme, fruto da fotografia magn\u00edfica de Helo\u00edsa Passos, transporta quem v\u00ea a a\u00e7\u00e3o diretamente para um profundo estado de observa\u00e7\u00e3o interna e pessoal. <em>Areia<\/em> se passa inteiramente numa praia, um ambiente aberto e amplamente sujeito \u00e0 interfer\u00eancias externas, como principalmente o barulho das ondas do mar, que pontuam todo o filme. Mas essas influ\u00eancias externas s\u00f3 parecem servir para colaborar com a cria\u00e7\u00e3o de uma imers\u00e3o interna de sensa\u00e7\u00f5es, sendo que os personagens que se encontram naquela praia parecem n\u00e3o pertencer a ela em nenhum momento (muito devido ao extraordin\u00e1rio jogo de foco da fotografia), a n\u00e3o ser num fragmento de mem\u00f3ria. \u00c9 como estar e n\u00e3o estar ao mesmo tempo, tentar se manter ali, pelas tentativas que a personagem de Malu Galli faz de lembrar em detalhes de suas a\u00e7\u00f5es, pela repeti\u00e7\u00e3o dos sons, dos nomes (palp\u00e1veis, como \u00e9 dito) e pela inconsci\u00eancia do close, que cria uma imagem n\u00e3o-real de uma lembran\u00e7a guardada. E no momento em que o mar se cala nessa mem\u00f3ria, a viagem metaf\u00f3rica dentro do ser atinge seu momento de maior singularidade, de lirismo absoluto. N\u00e3o \u00e9 natural estar t\u00e3o pr\u00f3ximo a essa mem\u00f3ria de uma tarde t\u00e3o importante, que algumas pessoas nem suportam, mas a constru\u00e7\u00e3o desse artif\u00edcio da irrealidade \u00e9 um dos mais belos exemplares recentes de busca e entrega dentro de um filme. <em>Areia<\/em> consegue isso sendo ambos, natural e artificial, realidade e sonho. <em>Areia<\/em> \u00e9 deslumbrante!<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong><\/strong><strong>SENTINELA (<em>Afonso Nunes<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.revistamoviola.com\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/compnac8-sentinela-1.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" \/><br \/>\n<strong>4\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A passagem da vida para a morte \u00e9 vigiada por homens e mulheres em uma determinada cidade no interior de Minas Gerais, que dizem n\u00e3o ser Minas nem Bahia. O momento de transi\u00e7\u00e3o que \u00e9 aguardado por todos para que os homens n\u00e3o fa\u00e7am a &#8220;passagem&#8221; sozinhos \u00e9 o ponto do olhar de Afonso Nunes em <em>Sentinela<\/em>. A inevitabilidade da morte e a espera final \u00e9 observada com uma c\u00e2mera em preto e branco, que acentua a linha do tempo nos rostos daqueles homens e mulheres velhos, em seus fins. N\u00e3o bastando isso, Nunes ressalta o tempo em seus movimentos, na c\u00e2mera mais lenta, mas calma, que como um \u00faltimo suspiro de quem est\u00e1 partindo, se recupera um pouco para depois n\u00e3o mais voltar. Esse tempo impresso no olhar de Nunes, sempre postado como em rever\u00eancia a seus documentados, \u00e9 a grande raz\u00e3o de buscar novamente entender a vida ou a morte, em <em>Sentinela<\/em>. Ou o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>T<\/em><em>hiago Mac\u00eado Correia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TERCEIRO DIA BATALHA &#8211; A GUERRA DO VINIL (Rafael Terpins) 1\/4 N\u00e3o h\u00e1 como negar que o que motiva o desenvolvimento de Batalha &#8211; A Guerra dos Vinis seja uma necessidade pessoal de retrata\u00e7\u00e3o de um ambiente de conv\u00edvio particular. &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/30\/10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh-3\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[131,231,295,311,323,401,590,591,766,984,1127,1236,1918,2090],"class_list":["post-904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-afonso-nunes","tag-areia","tag-batalha-a-guerra-do-vinil","tag-belo-horizonte","tag-bh","tag-caetano-gotardo","tag-curta-metragem","tag-curtas","tag-encanto","tag-gustavo-beck","tag-ismar","tag-julia-de-simone","tag-rafael-terpins","tag-sentinela"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/904\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}