{"id":90,"date":"2008-05-12T18:54:33","date_gmt":"2008-05-12T20:54:33","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=90"},"modified":"2008-05-12T18:54:33","modified_gmt":"2008-05-12T20:54:33","slug":"piaf-um-hino-ao-amor-olivier-dahan-2007","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/05\/12\/piaf-um-hino-ao-amor-olivier-dahan-2007\/","title":{"rendered":"Piaf &#8211; Um Hino ao Amor (Olivier Dahan, 2007)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.revistamoviola.com\/wp-content\/uploads\/2007\/09\/piaf.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"323\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Produzir uma cinebiografia \u00e9, atualmente, ter retorno financeiro praticamente garantido. Escolhe-se uma grande estrela do cinema, da m\u00fasica ou da literatura, preferencialmente de personalidade complicada, ou envolvida com drogas ou outros il\u00edcitos, e que n\u00e3o seja t\u00e3o conhecida do p\u00fablico que usualmente freq\u00fcenta as salas de cinema e \u2013 voil\u00e1 \u2013 o filme far\u00e1 n\u00e3o apenas sucesso, como tamb\u00e9m catapultar\u00e1 as vendas de CDs e livros para a estratosfera. Pode-se at\u00e9 ganhar um Oscar! Foi assim com o fraco Ray, com o marginalmente superior Johnny e June e com o supostamente art\u00edstico, por\u00e9m descontextualizado Capote. O mesmo acontece com Piaf \u2013 Um Hino ao Amor (La M\u00f4me, 2007), do cineasta franc\u00eas Olivier Dahan; ainda que a estrutura seja diferente, as mesmas pe\u00e7as de sempre est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O filme relata os principais acontecimentos da vida da grande cantora francesa Edith Piaf (uma desfigurada Marion Cotillard, de Peixe Grande), desde a inf\u00e2ncia problem\u00e1tica at\u00e9 a velhice precoce, passando por uma adolesc\u00eancia de descobertas profissionais e pelo reconhecimento mundial vivido na maturidade. Dahan retrata Piaf como uma pessoa verdadeiramente intrag\u00e1vel: rude, ego\u00edsta, viciada em drogas, aculturada e sem sensibilidade alguma, num processo de desglamouriza\u00e7\u00e3o j\u00e1 visto em muitos outros filmes; a novidade \u00e9 que, tentando absolver a pessoa que Piaf se tornou, a edi\u00e7\u00e3o de imagens traz a Piaf do in\u00edcio, abandonada pela m\u00e3e e maltratada pelo pai, injustamente acusada do assassinato de um dos seus mentores art\u00edsticos (G\u00e9rard Depardieu), privada do grande amor de sua vida e de sa\u00fade fr\u00e1gil. Essa dicotomia que acusa e ao mesmo tempo justifica entret\u00e9m pelos primeiros quinze minutos, mas sua repeti\u00e7\u00e3o ao longo de duas horas, al\u00e9m de tornar o filme insuport\u00e1vel, revela a pobreza de conte\u00fado do trabalho do diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esteticamente desagrad\u00e1vel, vazio de poesia ou de profundidade, o filme seria muito pior do que \u00e9 n\u00e3o fosse o trabalho de Cotillard, que, ao contr\u00e1rio de seu diretor, entendeu que os in\u00fameros defeitos, contradi\u00e7\u00f5es e egocentrismos de Edith Piaf n\u00e3o careciam de justifica\u00e7\u00e3o. A atriz internaliza o personagem de tal maneira que torna evidente \u2013 e emocionante \u2013 a transforma\u00e7\u00e3o do ato de cantar num processo de supera\u00e7\u00e3o e de alcance do amor-pr\u00f3prio, algo que Piaf nunca demonstrava longe dos palcos. Ainda que dublada em todas as can\u00e7\u00f5es (Dahan optou por grava\u00e7\u00f5es originais da pr\u00f3pria Piaf em quase todas as m\u00fasicas), Cotillard se arrisca e ultrapassa todas as expectativas, alcan\u00e7ando um resultado infinitamente maior e melhor que o pr\u00f3prio filme que a veicula.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">2\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Am\u00edlcar Figueiredo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produzir uma cinebiografia \u00e9, atualmente, ter retorno financeiro praticamente garantido. 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