{"id":896,"date":"2008-07-29T21:21:12","date_gmt":"2008-07-29T23:21:12","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=896"},"modified":"2008-07-29T21:21:12","modified_gmt":"2008-07-29T23:21:12","slug":"um-cao-andaluz-luis-bunuel-1929","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/29\/um-cao-andaluz-luis-bunuel-1929\/","title":{"rendered":"Um C\u00e3o Andaluz (Luis Bu\u00f1uel, 1929)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><strong>25 anos da morte de Luis Bu\u00f1uel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/iamyouasheisme.files.wordpress.com\/2007\/10\/un-chien-andalou4.jpg\" alt=\"\" width=\"440\" height=\"410\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 quase inacredit\u00e1vel que mesmo ap\u00f3s oito d\u00e9cadas a obra de Bu\u00f1uel e Salvador Dal\u00ed continue desafiando os mesmos par\u00e2metros insistentemente sustentados pelo p\u00fablico, seja como espectador\/leitor\/consumidor de qualquer forma de arte. E no cinema a coisa \u00e9 mais evidente. Para tudo parece haver uma estranha obsess\u00e3o pelo sentido. For\u00e7a-se uma significa\u00e7\u00e3o, pega-se o abstrato e tenta-se encaix\u00e1-lo numa formata\u00e7\u00e3o s\u00f3lida onde se confeccionam refer\u00eancias, simbolismos, met\u00e1foras e todo tipo de artif\u00edcio bacanudo de interpreta\u00e7\u00e3o intelectual\u00f3ide.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um C\u00e3o Andaluz \u00e9 a partida de uma grande cruzada rumo \u00e0 liberdade absoluta. Foda-se a narrativa, foda-se um roteiro, foda-se o modo correto de se fazer as coisas. Melhor: foda-se o modo, nenhuma transgress\u00e3o seguiu regras j\u00e1 fincadas. Isto n\u00e3o significa que toda a obra deva defenestrar at\u00e9 a \u00faltima gota de l\u00f3gica, n\u00e3o se deve nada. Bu\u00f1uel nos mostra que \u2018dever\u2019 n\u00e3o existe, tal como ele n\u00e3o se preocupou nenhum pouco em fazer sentido, em saltar livremente pelo tempo, fazer verterem formigas de uma m\u00e3o ou simplesmente realizar um filme cujo \u00fanico v\u00ednculo com o espectador (como se precisasse de mais algum) \u00e9 o sensorial.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A navalha no olho \u00e9 um convite a uma nova forma de fazer cinema: a da aus\u00eancia de forma. Seguimos (tentamos) o fluxo de um pesadelo atrav\u00e9s de som e imagem como \u00fanicos pilares de um filme que na verdade sempre esteve suspenso no ar. O melhor de tudo nessa viagem \u00e9 que em 15 minutos experimentamos uma intensidade de sensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o encontrada ou equiparada talvez por filmografias inteiras. E n\u00e3o h\u00e1 qualquer receio quanto \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o dessa experi\u00eancia, levada \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias na seguran\u00e7a inabal\u00e1vel de Bu\u00f1uel sobre estar fundando um outro cinema ao ousar romper com um m\u00e9todo de narra\u00e7\u00e3o j\u00e1 cristalizado nesta arte rec\u00e9m-nascida (e se ainda faz sentido falar assim, imagine h\u00e1 80 anos).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o \u00e9 exagero nenhum afirmar que Bu\u00f1uel estabeleceu uma fuga, um sopro de liberdade na cria\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica com seu surrealismo (mais discreto e elegante na evolu\u00e7\u00e3o da carreira, o que n\u00e3o significa compara\u00e7\u00e3o alguma com este in\u00edcio eclosivo) e que alivia\/inspira\/respalda cineastas at\u00e9 hoje. Descobriu-se enfim que n\u00e3o se sacrifica id\u00e9ia nenhuma em favor de manter uma linha narrativa retil\u00ednea, que n\u00e3o se aborta uma bela tomada por incoer\u00eancia com a realidade ou a l\u00f3gica quando afinal vemos filmes muito para flertar com o il\u00f3gico, para nos deixarmos guiar por uma ilus\u00e3o encenada, interpretada, iluminada e disposta numa seq\u00fc\u00eancia de 24 quadros. Um C\u00e3o Andaluz \u00e9 manifesto vivo \u00e0 liberdade criativa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>25 anos da morte de Luis Bu\u00f1uel \u00c9 quase inacredit\u00e1vel que mesmo ap\u00f3s oito d\u00e9cadas a obra de Bu\u00f1uel e Salvador Dal\u00ed continue desafiando os mesmos par\u00e2metros insistentemente sustentados pelo p\u00fablico, seja como espectador\/leitor\/consumidor de qualquer forma de arte. 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