{"id":861,"date":"2008-07-27T20:11:23","date_gmt":"2008-07-27T22:11:23","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=861"},"modified":"2008-07-27T20:11:23","modified_gmt":"2008-07-27T22:11:23","slug":"10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/27\/10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh\/","title":{"rendered":"10\u00ba Festival Internacional de Curtas de BH"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><strong>PRIMEIRO DIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na sexta-feira, 25\/07, teve in\u00edcio em Belo Horizonte a d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o do Festival Internacional de Curtas, que ir\u00e1 acontecer no cine Humberto Mauro at\u00e9 o dia 31\/07, com exibi\u00e7\u00e3o de filmes de v\u00e1rios pa\u00edses, dentre mostras competitivas nacionais e internacionais, retrospectivas de nomes laureados na m\u00eddia do curta-metragem, como Carlos Magno e de outros j\u00e1 consagrados no cen\u00e1rio restrito do longa-metragem, como Karim Ain\u00f6uz, entre outras exibi\u00e7\u00f5es especiais. No primeiro dia de festival eu pude acompanhar a exibi\u00e7\u00e3o da primeira s\u00e9rie de filmes, na mostra Competitiva Nacional 1, que comento a seguir:<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>PEIOTE (<em>Cao Guimar\u00e3es<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/arquivos_upload\/2007\/10\/192_2937-curt-peiote-1.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" \/><br \/>\n<strong>2\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A c\u00e2mera-olho de Cao Guimar\u00e3es envereda mais uma viagem sobre as cores, sons e signos de culturas latino-americanas em <em>Peiote<\/em>. O document\u00e1rio de 4 minutos funciona quase como um clipe da realidade, pontuado por m\u00fasica e movimento, mostrando um grupo de dan\u00e7a folcl\u00f3rica se apresentando em uma pra\u00e7a, na Cidade do M\u00e9xico. Se aqueles homens l\u00e1 fantasiados buscam manter viva a cultura de seus antepassados, Cao lan\u00e7a o olhar sobre o futuro dessa cultura, na forma de um garotinho de n\u00e3o mais que 5 anos, observando aquele mundo adulto e fant\u00e1stico. O olhar do diretor p\u00e1ra nas rea\u00e7\u00f5es, na dan\u00e7a e na alegria desse garoto, que nunca percebe a observa\u00e7\u00e3o distante e age de modo natural, em meio aos dan\u00e7arinos. Uma vis\u00e3o de um futuro se unindo em comunh\u00e3o com um passado necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>CARTA DE UM JOVEM SUICIDA (<em>Marcelo Ikeda<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>1\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O diretor Marcelo Ikeda se assume como um &#8220;homem da fam\u00edlia&#8221;, gra\u00e7as \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es de sua fam\u00edlia oriental. Assim seu filme poderia ser resumido como um filme sobre a fam\u00edlia, a princ\u00edpio. Ao acompanhar as rea\u00e7\u00f5es de uma m\u00e3e ao ler a carta deixada pelo filho que decide acabar com a pr\u00f3pria vida, Ikeda leva para a tela essa observa\u00e7\u00e3o da dor e o processo de adapta\u00e7\u00e3o com a nova condi\u00e7\u00e3o desta mulher. O que impossibilta a incurs\u00e3o do p\u00fablico na proposta do diretor \u00e9 justamente a op\u00e7\u00e3o que ele tomou para faz\u00ea-la, filmar tudo em um plano seq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A id\u00e9ia do plano seq\u00fc\u00eancia \u00e9 naturalmente associada \u00e0 n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o num cen\u00e1rio previamente concebido, sem m\u00fasica, sem cortes, simplesmente uma observa\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. Mas no caso de Ikeda a pretens\u00e3o fala mais alto e seu filme acaba observando n\u00e3o s\u00f3 um momento real da personagem, mas tamb\u00e9m um momento da id\u00e9ia, da mem\u00f3ria ou do futuro. A cada momento em que a atriz sai de um determinado ambiente para estabelcer um tipo de a\u00e7\u00e3o em outro, o cen\u00e1rio anterior \u00e9 totalmente modificado por uma equipe que nunca vemos mas que sabemos que correu bastante para modificar todas as coisas, dando a impress\u00e3o de passagem de tempo em cada um desses momentos. Poderia funcionar perfeitamente caso funcionasse perfeitamente, mesmo que &#8220;traindo&#8221; a id\u00e9ia da n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o externa. O caso \u00e9 que \u00e9 tudo tecnicamente prec\u00e1rio, contando com uma fotografia de pouca defini\u00e7\u00e3o (que em certos momentos te distancia absurdamente da express\u00e3o da atriz, que poderia determinar um maior n\u00edvel de emo\u00e7\u00e3o na cena) e falha em muitos momentos, como quando a atriz volta a primeira vez para o quarto do filho ap\u00f3s ter lido a carta e vemos no alto a clara luz direta de um fresnel e as mudan\u00e7as de temperatura quando a c\u00e2mera sai do ambiente. Sem contar a necessidade melodram\u00e1tica do diretor em caracterizar a a\u00e7\u00e3o do modo mais \u00f3bvio poss\u00edvel, fazendo da carta lida numa narra\u00e7\u00e3o em off um excesso de lugares comuns (o filho era um outsider, gay, n\u00e3o era compreendido no trabalho, etc) e se valendo de jogos com o p\u00fablico, projetando id\u00e9ias n\u00e3o verdadeiras para aumentar a expectativa, como no momento em que a m\u00e3e abre a janela e fica parada na frente dela por um tempo, como se fosse talvez, ela mesma, acabar com a pr\u00f3pria vida. Esse casamento de proposta cinematogr\u00e1fica crua em uni\u00e3o com narrativa pseudo-carregada dramaticamente \u00e9 t\u00e3o infeliz que o diretor ainda encerra seu filme voltando ao ponto do in\u00edcio, quase como assinando todas as explica\u00e7\u00f5es que deveriam ser dadas ao p\u00fablico, n\u00e3o permitindo nenhum tipo de participa\u00e7\u00e3o externa naquela narrativa, que ao inv\u00e9s de emocionante e bem executada resultou em um artif\u00edcio frio e falho.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>CASA DE M\u00c1QUINAS (<em>Maria Leite e Daniel Hertel<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>3\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Casa de M\u00e1quinas<\/em> \u00e9 como um resumo do processo, quando o fazer interessa tanto quanto o produto acabado. \u00c9 como ver um Robert Altman interessado nos ensaios de um grupo de bal\u00e9 para depois mostrar o resultado em <em>De Corpo e Alma<\/em>. Em <em>Casa de M\u00e1quinas<\/em>, o belo resultado de uma bailarina artesanal dan\u00e7ando suas pernas de madeira no ar \u00e9 fruto de todo um processo mec\u00e2nico de formas e movimentos dentro da pr\u00f3pria &#8220;f\u00e1brica&#8221; que \u00e9 caixinha que esconde as cordas que a movimentam &#8211; e muitas outras coisas. Feito em um stop motion fotografado de modo bel\u00edssimo e com uma trilha sonora l\u00fadica, <em>Casa de M\u00e1quinas<\/em> \u00e9 desses filmes onde o encantamento reside no que est\u00e1 escondido e no que \u00e9 mostrado, como a revela\u00e7\u00e3o de um truque de magia.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>OS FILMES QUE N\u00c3O FIZ (<em>Gilberto Scarpa<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.mostrabrasil.org.br\/Foto%20Os%20Filmes%20que%20Nao%20Fiz.jpg\" border=\"0\" alt=\"[image] \" \/><br \/>\n<strong>4\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que mais se v\u00ea no meio cinematogr\u00e1fico s\u00e3o os famosos diretores sem filmes, aqueles que tem in\u00fameros projetos na manga, prestes a ganhar algum tipo de forma, muitas outras id\u00e9ias na cabe\u00e7a e nenhum produto consistente em m\u00e3os. Gilberto Scarpa era um desses &#8220;diretores&#8221; e se valendo dessa condi\u00e7\u00e3o decidiu finalmente fazer um filme sobre esses filmes que nunca foram feitos. O \u00f3timo <em>Os Filmes Que N\u00e3o Fiz<\/em> tem estrutura de document\u00e1rio imagin\u00e1rio do diretor, com uma estrutura simples onde ele mesmo cita os projetos idealizados por ele e nunca concretizados e, deste modo, os filmes finalmente viram filmes neste filme. A metaling\u00fcagem em sua forma mais direta &#8211; e hil\u00e1ria. Gilberto Scarpa \u00e9 ele pr\u00f3prio um \u00f3timo personagem, caricatura de si e de todo esse tipo de pessoa, sempre depositando a culpa pela n\u00e3o concretiza\u00e7\u00e3o de seus planos em leis que n\u00e3o os beneficiam, n\u00e3o compreens\u00e3o art\u00edstica ou, como ele bem diz, no in\u00edcio do filme, na astrologia. Com extremo bom humor e sofistica\u00e7\u00e3o est\u00e9tica (dire\u00e7\u00e3o de arte, figurinos, montagem, fotografia e atua\u00e7\u00f5es irretoc\u00e1veis) Scarpa fez um grande e pessoal filme sobre o amor ao cinema. E assim vira, de uma vez por todas, um diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>AMARAR (<em>Emanuel Mendes<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>2\/4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em alguns momentos <em>Amarar<\/em> parece remeter ao sonho. Em seguida nos coloca numa perspectiva de vis\u00e3o de futuro, para depois se revelar como vis\u00e3o de passado, mem\u00f3ria. E por fim, trauma. A riqueza da hist\u00f3ria contada por meio de anima\u00e7\u00e3o est\u00e1tica, que revela por zooms que nos aproximam e distanciam do relato o tempo todo, pontuados por uma linda trila sonora \u00e9 perdida por uma conclus\u00e3o de narrativa por meio de s\u00edmbolos de uma vida perdida e que se ausenta. A personagem est\u00e1 sempre s\u00f3 e se olha num espelho partido, quando crian\u00e7a, para depois vermos a mesma personagem, j\u00e1 adulta, numa praia calma e se observando pelo mesmo espelho intacto. Seu reflexo de um passado mais recente lhe tr\u00e1s dor e esta se manifesta na nega\u00e7\u00e3o daquele e tal impossibilidade a leva de volta ao sonho pueril. Se em determinados momentos os signos do filme imprimem alguma tentativa de riqueza, refor\u00e7ados pelas presen\u00e7as de Djin Sganzerla e da hist\u00f3rica Helena Ignez, isso se perde na tentativa pesada do diretor em buscar uma solu\u00e7\u00e3o para aquela fuga id\u00edlica da personagem. O retorno \u00e0 anima\u00e7\u00e3o est\u00e1tica no fim s\u00f3 revela tristemente que a proposta se perde quase que por completo.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Thiago Mac\u00eado Correia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PRIMEIRO DIA Na sexta-feira, 25\/07, teve in\u00edcio em Belo Horizonte a d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o do Festival Internacional de Curtas, que ir\u00e1 acontecer no cine Humberto Mauro at\u00e9 o dia 31\/07, com exibi\u00e7\u00e3o de filmes de v\u00e1rios pa\u00edses, dentre mostras competitivas nacionais &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/27\/10%c2%ba-festival-internacional-de-curtas-de-bh\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[177,311,323,416,435,438,2526,590,602,764,859,862,948,1399,1408,1760,1832],"class_list":["post-861","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-amarar","tag-belo-horizonte","tag-bh","tag-cao-guimaraes","tag-carta-de-uma-jovem-suicida","tag-casa-de-maquinas","tag-cinema","tag-curta-metragem","tag-danie-hertel","tag-emanuel-mendes","tag-festival","tag-festival-de-curtas","tag-gilberto-scarpa","tag-marcelo-ikeda","tag-maria-leite","tag-os-filmes-que-nao-fiz","tag-peiote"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/861\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}