{"id":789,"date":"2008-07-23T21:29:27","date_gmt":"2008-07-23T23:29:27","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=789"},"modified":"2008-07-23T21:29:27","modified_gmt":"2008-07-23T23:29:27","slug":"terror-nas-trevas-lucio-fulci-1981","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/23\/terror-nas-trevas-lucio-fulci-1981\/","title":{"rendered":"Terror nas Trevas (L&#8217;aldil\u00e0 \/ The Beyond &#8211; Lucio Fulci, 1981)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/07\/the_beyond101.jpg\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/07\/the_beyond101.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"212\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Poucos estilos permitem tamanha liberdade de imagina\u00e7\u00e3o quanto o terror, mas grande parte dos realizadores que arriscam um ou outro movimento dentro do g\u00eanero parece sentir a necessidade de manter um p\u00e9 no real, como se assim ajudassem quem v\u00ea a se familiarizar \u2013 sem negar que alguns filmes dependem do real para causar sensa\u00e7\u00f5es t\u00e3o extremas, mas fazem parte de outra esp\u00e9cie. The Beyond \u00e9 o tratado definitivo de Fulci, um dos maiores especialistas do cinema fant\u00e1stico italiano da d\u00e9cada de 1970\/80, sobre o universo on\u00edrico do filme de horror, um Cinema t\u00e3o desprendido da coer\u00eancia quanto impec\u00e1vel na busca de sensa\u00e7\u00f5es intraduz\u00edveis como forma de explorar as mais diversas possibilidades que a influ\u00eancia do plano sobrenatural pode exercer na vaga no\u00e7\u00e3o de realidade, representada unicamente pelo fato de os personagens serem humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pr\u00e9-conceitos para o suposto funcionamento de um filme normalmente s\u00e3o resultado de inseguran\u00e7a por parte de quem comenta qualquer coisa, mas foda-se. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de se assistir Terror nas Trevas sem a consci\u00eancia de que Fulci busca, a partir do famigerado plot envolvendo a abertura de um portal para o inferno, um estado de pura liberdade cinematogr\u00e1fica, desprendido de qualquer raz\u00e3o, desprovido de qualquer padr\u00e3o. O pouco de trama que existe \u00e9 dissolvido juntamente com os corpos transformados em suco atrav\u00e9s daquela solu\u00e7\u00e3o c\u00e1ustica de cal com qualquer coisa. O m\u00ednimo de di\u00e1logos ou elucida\u00e7\u00f5es \u00e9 engolido pela neblina que paira sobre as ruas da cidade. O filme tem vida. Pr\u00f3pria. Sua.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ou melhor, nem toda sua. Por que Terror nas Trevas \u00e9 o Frankenstein de Fulci, mas ainda pertence a Fulci. Mais do que um exerc\u00edcio de entrega completa \u00e0 superioridade da imagem sobre qualquer outro elemento que comp\u00f5e o Cinema, o filme \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o do poder inimagin\u00e1vel que um criador possui sobre sua obra. Por isso, numa combina\u00e7\u00e3o cat\u00e1rtica dos principais elementos do cinema fant\u00e1stico, Lucio Fulci declara oficialmente estar chutando o \u00faltimo pau que restava a segurar a barraca. Em Terror nas Trevas vale tudo. Corpos e pessoas presentes em tr\u00eas lugares ao mesmo tempo; coisas que mudam de lugar conforme a necessidade de cena; portas que sem explica\u00e7\u00e3o levam os personagens a outros cen\u00e1rios; armas que disparam mesmo sem balas; casas que mudam de estado conforme o que as habitam; vultos e sons inexplic\u00e1veis; pessoas que somem e aparecem sem motivos; etc.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dependendo da necessidade para se alcan\u00e7ar o tom exato de atmosfera e tens\u00e3o, muitas vezes devastadora \u2013 em certos aspectos The Beyond se assemelha ao melhor que o jogo Silent Hill pode oferecer, em termos de atmosfera -, Fulci vai mexendo os palitos, colando situa\u00e7\u00f5es desconectadas superficialmente que, juntas, permitem ao filme uma explora\u00e7\u00e3o t\u00e3o apote\u00f3tica das sensa\u00e7\u00f5es mais intensas e poss\u00edveis de serem transmitidas pelo Cinema que nada mais resta a n\u00e3o ser a entrega completa ao universo transloucado que de cena em cena exala uma paix\u00e3o intermin\u00e1vel pela fantasia, pela fic\u00e7\u00e3o \u2013 e \u00e9 curioso o paradoxo instaurado com tudo isso, ao mesmo tempo em que vejo Terror nas Trevas como um belo exerc\u00edcio de adora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um dos filmes mais assustadores de que tenho conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E em se tratando de Fulci, do homem que carrega o t\u00edtulo de \u201cPai do Gore\u201d, \u00e9 quase irrespons\u00e1vel n\u00e3o mencionar as intermin\u00e1veis e inconfund\u00edveis cenas de carnificina, ainda mais por serem deste filme algumas das mortes mais geniais \u2013 e sangrentas &#8211; j\u00e1 filmadas. Fulci trata o corpo humano como um simples artefato de carne e sangue, estoura cabe\u00e7as, rasga membros, fura olhos, arranca v\u00edsceras, corr\u00f3i cr\u00e2nios e larga seus bichos de estima\u00e7\u00e3o \u2013 aranhas, cachorros e zumbis, por que n\u00e3o \u2013 para fazerem um verdadeiro banquete da mat\u00e9ria f\u00edsica dos personagens, uma combina\u00e7\u00e3o explosiva que d\u00e1 ao filme aquele tom praticamente exclusivo de pesadelo sem solu\u00e7\u00e3o \u2013 o que \u00e9 definitivamente celebrado na conclus\u00e3o, quando a dupla finalmente chega ao \u201coutro lado\u201d, \u00e0s trevas, uma imensa paisagem desoladora que sentencia o final tanto da corrida de ambos em busca de uma sa\u00edda &#8211; curiosamente acaba tamb\u00e9m sendo a entrega, n\u00e3o havia mais o que fazer &#8211; quanto da viagem do espectador atrav\u00e9s do poder do Cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para os fan\u00e1ticos pela formata\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, por filmes com paredes, Terror nas Trevas \u00e9 um prato cheio, daqueles a serem degustados com um bloquinho do lado pra canetear os principais furos de roteiro e as mais percept\u00edveis falhas de continuidade. Para outros, pode ser uma experi\u00eancia inconfund\u00edvel de contempla\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem e uma declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 liberdade de cria\u00e7\u00e3o que fortifica a magnitude da m\u00eddia cinematogr\u00e1fica. Bem, felizmente meu bloquinho entrou em estado de combust\u00e3o no mesmo instante em que se abriram os port\u00f5es para a casa do capeta. Maldito fogo do dem\u00f4nio.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos estilos permitem tamanha liberdade de imagina\u00e7\u00e3o quanto o terror, mas grande parte dos realizadores que arriscam um ou outro movimento dentro do g\u00eanero parece sentir a necessidade de manter um p\u00e9 no real, como se assim ajudassem quem v\u00ea &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/23\/terror-nas-trevas-lucio-fulci-1981\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[2526,511,516,739,875,965,1098,1367,2044,2241,2244,2252,2522],"class_list":["post-789","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-cinema","tag-cinema-fantastico","tag-cinema-italiano","tag-e-tu-vivrai-nel-terrore-laldila","tag-filmes","tag-gore","tag-inferno","tag-lucio-fulci","tag-sangue","tag-terror","tag-terror-nas-trevas","tag-the-beyond","tag-zumbi"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/789\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}