{"id":5763,"date":"2010-05-03T23:15:47","date_gmt":"2010-05-04T02:15:47","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5763"},"modified":"2010-05-03T23:15:47","modified_gmt":"2010-05-04T02:15:47","slug":"el-cid-anthony-mann-1961","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/05\/03\/el-cid-anthony-mann-1961\/","title":{"rendered":"El Cid (Anthony Mann, 1961)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5764 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/032.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5765 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/012.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5766 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/022.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se era com certo espanto que v\u00edamos como Anthony Mann podia desfazer toda a dire\u00e7\u00e3o de cinema desastrosa, simp\u00e1tica e insossamente em\u00a0<em>M\u00fasica e L\u00e1grimas<\/em> deixando o filme sem vi\u00e7o algum, talvez por causa da uma prescri\u00e7\u00e3o cruel da biografia que tinha muito a ver com o cinema muitas vezes discreto feito por ele, em\u00a0<em>El Cid<\/em> a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ag\u00f4nica, o ar \u00e9 bem mais dif\u00edcil de respirar (sobretudo porque o filme \u00e9 de uma obedi\u00eancia \u00e0 regra sufocante). Tem-se, antes de tudo, uma dura\u00e7\u00e3o enorme, e, pior ainda em se tratando do diretor, cen\u00e1rios enormes para ele usar como esquardinha\u00e7\u00e3o e reenquadramento de algumas cenas de passagem a partir do que cabe dentro das formas geogr\u00e1ficas das paisagens das loca\u00e7\u00f5es ou daquelas constru\u00eddas em est\u00fadio. Essas, especificamente, s\u00e3o parte da especialidade de Mann: ignorar suas no\u00e7\u00f5es e propor\u00e7\u00f5es usando a c\u00e2mera para fins de uma neutralidade que, nos seus westerns e noirs, haver\u00e1 de explodir e se romper numa cena ou noutra. Mas a\u00ed ent\u00e3o fica a pergunta se a preocupa\u00e7\u00e3o maior dos filmes feitos por Mann n\u00e3o seria o enquadramento ou o reenquadramento e, nesse sentido,\u00a0<em>El Cid<\/em> significaria muito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mais uma vez, falta qualquer esp\u00e9cie de rigor narrativo, j\u00e1 que c\u00eanico o filme possui em doses dif\u00edceis de reter, tamanha a totalidade dos planos que colocam os personagens e suas emo\u00e7\u00f5es no quadro espa\u00e7oso e por isso mesmo distante de qualquer percep\u00e7\u00e3o e proximidade com as figuras que realmente importam (no caso, os personagens de Charlton Heston e Sophia Loren, no romance cl\u00e1ssico e mal-nutrido por Mann). \u00c9 a ditadura do filme \u00e9pico, que \u00e9 descrita, frontalmente, pelo poder da produ\u00e7\u00e3o, pela quantidade de extras, de roupas, de pores do sol, etc. Trata-se aqui de descobrir a anacronia exata e facilmente encontrada que calculou o encontro de Mann \u2013 um diretor &#8220;inadequado&#8221; tanto para\u00a0<em>El Cid<\/em> tanto para\u00a0<em>A Queda do Imp\u00e9rio Romano<\/em> e at\u00e9 mesmo para\u00a0<em>M\u00fasica e L\u00e1grimas<\/em> \u2013 com um mundo de produ\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o sabe lidar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A fratura que destr\u00f3i\u00a0<em>El Cid<\/em> \u00e9 aquela de uma de organiza\u00e7\u00e3o exata. Mann far\u00e1 do cinema um local a se cumprir programas e obriga\u00e7\u00f5es narrativas muito fr\u00e1geis. Neste caso, ent\u00e3o, o que sobra \u00e9 que toda a pauta de\u00a0<em>El Cid<\/em> \u00e9 para uma mostragem hist\u00f3rica, frontal, muito encenada e ironicamente sem for\u00e7a j\u00e1 que tudo \u00e9 deixado de lado para transformar o enquadramento constante das coisas e objetos dos cen\u00e1rios no quadro em naturezas mortas que t\u00eam, sem dificuldade, uma dose da apatia de Mann sobre elas. Ou seja,\u00a0<em>estar em quadro n\u00e3o quer dizer que se participe ativamente da a\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 e, como se pode ver, a cada dist\u00e2ncia tomada da c\u00e2mera at\u00e9 os personagens, perde-se o que seriam os melhores momentos do filme. Isso porque para Mann e a produ\u00e7\u00e3o do filme existe uma linha clara que separa dois pilares de cria\u00e7\u00e3o dessa obra. O primeiro \u00e9 a pauta hist\u00f3rica (os pequenos cl\u00edmax que as cenas tentam ser sempre, elucidando com clareza as passagens da Hist\u00f3ria, como que para transmiti-la \u00e0 crian\u00e7as), que tem o intuito de passar uma pequena aula sobre os homens, comportamentos, ideias do s\u00e9culo XI e do pr\u00f3prio El Cid. O segundo, claro, resta ser o da constru\u00e7\u00e3o de dramaturgia em cinema, deixada de lado pela for\u00e7a hist\u00f3rica que toma conta de tudo aquilo que narra em\u00a0<em>El Cid<\/em>. A crueza com que isso \u00e9 exposto aparece quando Jimena diz para Cid que ele nunca ter\u00e1 seu amor. Vemos que Mann, no contexto da cena, separa a dramaturgia da Hist\u00f3ria na sua dire\u00e7\u00e3o ausente (a n\u00e3o ser, claro, que essa dramaturgia sirva a esta Hist\u00f3ria, como nas cenas de luta e de superlativos \u00e0 honra) por que amor n\u00e3o \u00e9 o mesmo que sexo. Dramaturgia n\u00e3o caberia na recria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas outra coisa acontece em\u00a0<em>El Cid<\/em>. A condi\u00e7\u00e3o do filme \u00e9 trabalhar os conceitos dos planos cl\u00e1ssicos que comp\u00f5em a narrativa para que eles pare\u00e7am outra coisa, ou, melhor, outros planos. \u00c9 essa a parcela mais inc\u00f4moda, porque Mann seguir\u00e1 as obriga\u00e7\u00f5es do filme \u00e9pico ao transformar \u2013\u00a0<em>ou querer transformar<\/em> \u2013 plano geral e m\u00e9dio em close up \u2013 n\u00e3o \u00e9 esta a lei principal dos filmes \u00e9picos enganados? Logo, teremos que ver sempre os personagens com os cen\u00e1rios eternamento por tr\u00e1s a aprision\u00e1-los (estes, claro, chapados, porque a c\u00e2mera nunca est\u00e1 de acordo com eles de fato, com suas formas e linhas), as cenas mais interessantes destru\u00eddas pela incorpora\u00e7\u00e3o desimportante dos espa\u00e7os (isso \u00e9 uma derrota at\u00e9 mesmo para Mann, j\u00e1 que ele n\u00e3o sabe como esbanjar e filmar estes espa\u00e7os e o interesse dessas cenas escapole), a instaura\u00e7\u00e3o da aula tradicional onde vemos os fatos hist\u00f3ricos sem vigor algum, a t\u00edtulo de um conhecimento direcionado bem claro:\u00a0<em>o de deixar a escola o quanto antes atrav\u00e9s do estudo \u2013 ou da repeti\u00e7\u00e3o<\/em>. Se\u00a0<em>El Cid<\/em> \u00e9 mesmo arquitetado nos moldes da aula tradicionalista, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 como deixar de louvar que as transfigura\u00e7\u00f5es dos planos tenham dado certo. Interessa mais decorar (pelos planos m\u00e9dios e gerais dos cen\u00e1rios e agrupamentos, que, claro, d\u00e3o imagem \u00e0quilo tudo dos livros e da Hist\u00f3ria) do que aprender (pelo close up, a an\u00e1lise pr\u00f3xima ao rosto, ou, no caso, pr\u00f3xima demais \u00e0 Hist\u00f3ria para desmenti-la). O equ\u00edvoco de toda escola me parece ser este.<\/p>\n<p>2\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/ranieri-brandao\/\">Ranieri Brand\u00e3o<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se era com certo espanto que v\u00edamos como Anthony Mann podia desfazer toda a dire\u00e7\u00e3o de cinema desastrosa, simp\u00e1tica e insossamente em\u00a0M\u00fasica e L\u00e1grimas deixando o filme sem vi\u00e7o algum, talvez por causa da uma prescri\u00e7\u00e3o cruel da biografia que &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/05\/03\/el-cid-anthony-mann-1961\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,6],"tags":[219,2526,753,875],"class_list":["post-5763","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","category-resenhas","tag-anthony-mann","tag-cinema","tag-el-cid","tag-filmes"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}