{"id":5731,"date":"2010-05-01T04:01:07","date_gmt":"2010-05-01T07:01:07","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5731"},"modified":"2010-05-01T04:01:07","modified_gmt":"2010-05-01T07:01:07","slug":"o-homem-do-oeste-man-of-the-west-anthony-mann-1958","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/05\/01\/o-homem-do-oeste-man-of-the-west-anthony-mann-1958\/","title":{"rendered":"O Homem do Oeste (Man of the West &#8211; Anthony Mann, 1958)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5732 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/01.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5734 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/03.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5733 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/02.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o sei bem que estranha justi\u00e7a ou for\u00e7a maligna \u00e9 essa pra que todos os maiores filmes do g\u00eanero versem exatamente sobre a pr\u00f3pria morte. Talvez a mesma que tenha feito de O Homem do Oeste o \u00faltimo western puro de Anthony Mann, ep\u00edlogo de uma filmografia atrav\u00e9s da qual se l\u00ea a hist\u00f3ria do g\u00eanero-s\u00edmbolo da cultura americana com a clareza do meio-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O faroeste by Mann \u00e9 um s\u00f3, \u00e9 composto da mesma terra e das mesmas coisas, dos mesmos elementos batidos elevados a um n\u00edvel sacro de institui\u00e7\u00e3o, colunas de uma paisagem que serve de cen\u00e1rio para todos os seus filmes por se tratarem todos e no fundo do mesmo filme; um cen\u00e1rio pisado por homens condenados sem a ilus\u00e3o da esperan\u00e7a e que possuem apenas o presente para sofrer e o passado que os amaldi\u00e7oa, porque se tratam todos e no fundo do mesmo homem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Winchester \u201973, E o Sangue Semeou a Terra, O Pre\u00e7o de um Homem, Regi\u00e3o de \u00d3dio, Um Certo Capit\u00e3o Lockhart, O Homem dos Olhos Frios. Todas vers\u00f5es de uma mesma hist\u00f3ria \/ cap\u00edtulos de uma mesma obra que, a esta altura, perde sentido se observada aos peda\u00e7os. Pois se em todos estes o homem \u00e9 o viajante eterno, the man from Laramie, sempre de passagem, sempre vindo de algum lugar distante em busca de paz derradeira, sempre deixando seu passado para tr\u00e1s mas relutando em aceitar que o carrega o tempo todo dentro de si; agora ent\u00e3o ele retorna por fim para onde pertence. Seja Stewart, seja Fonda, seja Cooper &#8211; seja Lockhart, Morgan ou McAdam&#8230; O homem do oeste est\u00e1 finalmente voltando pra casa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Aqui, ele come\u00e7a num fim de jornada, numa esp\u00e9cie de p\u00f3s-aventura de todos os seus outros filmes juntos. Estabelecido, em paz, encontrou a tranquilidade de um fim de vida no simb\u00f3lico e imposs\u00edvel povoado de Good Hope, lugar onde todos n\u00e3o apenas sabem quem ele era e o que fazia como &#8211; e por isso mesmo t\u00e3o irreal quanto um sonho &#8211; o perdoaram por tudo; um perd\u00e3o perseguido por quase uma d\u00e9cada desde Winchester \u201873. Num resumo simples, o homem do oeste \u00e9 feliz; e este \u00e9 o problema, porque no fundo at\u00e9 ele sabe que a felicidade \u00e9 uma puta velha que fala ao p\u00e9 do ouvido o que qualquer homem gosta de ouvir antes de chut\u00e1-lo de volta ao lugar de onde nunca deveria ter sa\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 assim que o filme se divide, em dois, um antes e um depois dessa queda apenas para atenuar este carregado contraste entre o homem do oeste e um mundo novo ao qual ele tenta se adaptar desastradamente, e isso Mann fazia dez anos antes de Leone \/ quinze antes de Peckinpah. S\u00e3o alguns pequenos detalhes ic\u00f4nicos em menos 10 minutos, como deixar cair uma bolsinha de moedas, se assustar com o vapor do trem, enrolar e guardar com certo senso de ritual o cinto, o coldre e o rev\u00f3lver numa bolsa velha de viagem como quem enterra um amigo de longa data esperando jamais encontr\u00e1-lo novamente, por azar n\u00e3o fosse O Homem do Oeste um filme de terras esquecidas e ru\u00ednas mal-assombradas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 para reencontrar fantasmas que, com nem 20 minutos, o homem cai do trem. Desnecess\u00e1rio explorar o fato, a met\u00e1fora se auto-explica de dez jeitos diferentes. H\u00e1 muito de Marcas da Viol\u00eancia em O Homem do Oeste, assim como de Era uma Vez no Oeste, Pat Garrett &amp; Billy The Kid, Os Imperdo\u00e1veis, Pistoleiros do Entardecer&#8230; mas nenhum deles passa perto de ser t\u00e3o negro e macabro como a obra-prima de Anthony Mann. Assim que o homem \u00e9 deixado no meio do caminho pelo trem que segue sem ele, o mundo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo que aquele mundo radiante de quando ele embarcou na esta\u00e7\u00e3o. Sequer o tempo \u00e9 o mesmo. Voltamos 20, 30 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 ao mesmo tempo lindo e terr\u00edvel que o velho bando de cavaleiros-sem-cabe\u00e7a, vagando por algum plano entre os planos, decida por fim dar o golpe sonhado d\u00e9cadas antes, s\u00f3 para ent\u00e3o chegarem \u00e0 outrora pr\u00f3spera cidadela e encontrarem n\u00e3o mais que um amontoado de casebres vazios e madeiras consumidas pelo tempo. O lugar transforma-se num cen\u00e1rio de abate, um covil de mortos-vivos e almas imperdo\u00e1veis sem nenhum outro destino poss\u00edvel que n\u00e3o o de exterminarem umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em O Homem do Oeste, Anthony Mann pega o personagem que o acompanhou por toda a d\u00e9cada de 50 e, pela primeira e \u00faltima vez, coloca-o para enfrentar o passado do qual fugiu por mais de meia-d\u00fazia de filmes, sentenciando por fim que \u00e9 a este passado que o homem do oeste pertence, n\u00e3o ao futuro tranquilo de Good Hope, sempre contemplado como uma vertigem a cada marchar de charrete em dire\u00e7\u00e3o ao horizonte eclipsado por um ing\u00eanuo The End que, neste caso, nunca foi t\u00e3o literal. Assim como nunca as \u00faltimas palavras de uma mulher para o seu her\u00f3i foram t\u00e3o d\u00fabias e bonitas, admitindo saber que seria imposs\u00edvel ficarem juntos, mas dizendo bastar que o sentimento daquele instante era intenso o suficiente para preencher sua pr\u00f3pria aus\u00eancia pelo resto de uma vida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao narrar o fim do western, Mann tamb\u00e9m sela o destino do g\u00eanero no verso do de seu personagem, s\u00f3 encontrado por aqueles que &#8211; assim como voc\u00ea, assim como n\u00f3s neste especial &#8211; se lan\u00e7am de volta no tempo. Porque quando o homem do oeste \u00e9 deixado pelo trem, a impress\u00e3o imediata \u00e9 de que o mundo todo o deixou com ele; de que dessa vez, ao partir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 linha do horizonte como um prel\u00fadio antes sempre alegre dos cr\u00e9ditos finais, n\u00e3o ter\u00e1 ningu\u00e9m esperando do outro lado. Porque o homem do oeste est\u00e1 sozinho na Terra.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/luis-henrique-boaventura\/\">Luis Henrique Boaventura<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>Screenshots!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5735 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h34m22.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5736 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h34m28.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5737 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h34m53.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5738 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h34m56.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5739 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h34m58.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5740 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h35m00.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5741 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h35m04.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5742 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h35m07.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5743 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/05\/vlcsnap-2010-04-30-15h35m09.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"210\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei bem que estranha justi\u00e7a ou for\u00e7a maligna \u00e9 essa pra que todos os maiores filmes do g\u00eanero versem exatamente sobre a pr\u00f3pria morte. 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