{"id":5711,"date":"2010-04-27T23:59:37","date_gmt":"2010-04-28T02:59:37","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5711"},"modified":"2010-04-27T23:59:37","modified_gmt":"2010-04-28T02:59:37","slug":"o-pequeno-rincao-de-deus-gods-little-acre-anthony-mann-1958","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/04\/27\/o-pequeno-rincao-de-deus-gods-little-acre-anthony-mann-1958\/","title":{"rendered":"O Pequeno Rinc\u00e3o de Deus (God&#8217;s Little Acre &#8211; Anthony Mann, 1958)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5713 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/0120.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5714 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/0220.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5712 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/0322.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 em O Pequeno Rinc\u00e3o de Deus que as obsess\u00f5es formais e tem\u00e1ticas de Mann encontram todas uma esp\u00e9cie de ponto de converg\u00eancia que ao mesmo tempo sintetiza, expande e extravasa [\/Claudia Leite mode off] a no\u00e7\u00e3o de cinema que se construiu ao longo de sua brilhante carreira. Na cara-de-pau mesmo vou dizer que esta adapta\u00e7\u00e3o de um best-seller da \u00e9poca \u00e9 seu projeto mais pessoal e a suposi\u00e7\u00e3o provavelmente deveria explicar o que levou este filme a ser t\u00e3o recha\u00e7ado pela cr\u00edtica e pelo p\u00fablico \u00e0 \u00e9poca do lan\u00e7amento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Primeiro por estar todo estruturado sobre um dos temas favoritos de Mann, a institui\u00e7\u00e3o familiar, que neste caso \u00e9 liderada por um agricultor (um absolutamente ensandecido Robert Ryan na atua\u00e7\u00e3o de sua carreira, o que quer dizer muita coisa) que ao inv\u00e9s de cuidar de sua planta\u00e7\u00e3o perde os dias cavando buracos em sua extensa propriedade para encontrar um tesouro que poderia ter sido enterrado ali h\u00e1 anos pelo seu av\u00f4.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em sua terra mant\u00e9m uma cruz que \u00e9 homenagem ao senhor Jesus Cristo, ou a Deus (n\u00e3o lembro, mas enfim, n\u00e3o que fa\u00e7a muita diferen\u00e7a no momento), que marca um peda\u00e7o de terra destinado \u00e0 sua homenagem. Bem, claro que dependendo do quanto j\u00e1 foi cavado no restante do lugar a cruz vai de l\u00e1 pra c\u00e1 trocando o peda\u00e7o de terra santa, numa sacada que parece ter sa\u00eddo de algum filme perdido de Bu\u00f1uel. Enquanto faz isso, tamb\u00e9m chega ao ponto de seq\u00fcestrar um moleque albino e obrig\u00e1-lo a cavar o dia todo por acreditar que albinos tem alguma facilidade para encontrar tesouros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Existe neste personagem de Ryan um filme muito forte sobre a cren\u00e7a, sobre a loucura, sobre o homem em um estado de desnudamento completo de qualquer sombreamento das suas peculiaridades (falei bonito, diz a\u00ed). O homem no caso \u00e9 um anormal completo, exc\u00eantrico at\u00e9 o talo, e \u00e9 claro que tudo o que est\u00e1 em sua \u00f3rbita n\u00e3o pode ficar muito aqu\u00e9m. E \u00e9 a\u00ed que o dom\u00ednio completo de tempo\/espa\u00e7o\/temas\/caralhinhos voadores de Mann entra em cena e esta premissa de homem louco se destro\u00e7a em duzentas e vinte e sete subtramas envolvendo outros membros de sua fam\u00edlia, fragmentos que guardam a mesma coragem e a mesma subvers\u00e3o deste insano esqueleto narrativo e por vezes amplificam estas caracter\u00edsticas em cenas que em 1958 somente poderiam ser filmadas por algu\u00e9m com muito cr\u00e9dito ou com muita droga na cabe\u00e7a \u2013 ou com os dois, o que \u00e9 mais estimulante ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Do material para um novel\u00e3o a la E O Vento Levou Mann acaba fazendo um filme doido, engra\u00e7ado e pertinente e subversivo e pol\u00eamico, que conta com seu preciosismo est\u00e9tico sobre-humano (comentar composi\u00e7\u00e3o visual de Mann j\u00e1 deixou de ser novidade por aqui, ent\u00e3o etc) e alguns momentos de fazer sair pulando e batendo a cabe\u00e7a nas coisas de tanta empolga\u00e7\u00e3o. E enfim, essa porra de filme tem de tudo, de insinua\u00e7\u00f5es sinuosas de sexo a putaria entre parentes a desfile de vagabundas a rebeli\u00f5es a parentada falando verdades na cara dos outros \u2013 vai dizer, \u00e9 uma del\u00edcia \u2013 a gente morrendo de formas bizarras a yada yada. \u00c9 um dos filmes mais prazerosos de se ver em toda carreira do diretor, se mantendo muito forte na mem\u00f3ria mesmo depois de anos. Sim, escrevo utilizando \u00fanica e exclusivamente as minhas recorda\u00e7\u00f5es long\u00ednquas dessa obra-prima, porque eu pretendia rever e fazer um texto bonitinho sobre este que \u00e9 um dos meus filmes favoritos, mas como eu n\u00e3o consigo fugir dessa camisa de for\u00e7a que sou eu mesmo pr\u00f3prio estou novamente digitando tudo isso alucinadamente de um \u00f4nibus fedido numa auto-estrada mais esburacada que a coxa da Mulher Melancia sem Photoshop pra poder postar nessa merda de especial.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mann merecia coisa melhor, sinceramente.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/daniel-dalpizzolo\/\">Daniel Dalpizzolo<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 em O Pequeno Rinc\u00e3o de Deus que as obsess\u00f5es formais e tem\u00e1ticas de Mann encontram todas uma esp\u00e9cie de ponto de converg\u00eancia que ao mesmo tempo sintetiza, expande e extravasa [\/Claudia Leite mode off] a no\u00e7\u00e3o de cinema que &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/04\/27\/o-pequeno-rincao-de-deus-gods-little-acre-anthony-mann-1958\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[219,2526,604,875,960,1686],"class_list":["post-5711","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-anthony-mann","tag-cinema","tag-daniel-dalpizzolo","tag-filmes","tag-gods-little-acre","tag-o-pequeno-rincao-de-deus"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5711\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}