{"id":5506,"date":"2010-04-08T21:26:42","date_gmt":"2010-04-09T00:26:42","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5506"},"modified":"2010-04-08T21:26:42","modified_gmt":"2010-04-09T00:26:42","slug":"pecado-sem-macula-side-street-anthony-mann-1950","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/04\/08\/pecado-sem-macula-side-street-anthony-mann-1950\/","title":{"rendered":"Pecado Sem M\u00e1cula (Side Street &#8211; Anthony Mann, 1950)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/i539.photobucket.com\/albums\/ff358\/danfou\/tirinha2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/i539.photobucket.com\/albums\/ff358\/danfou\/tirinha3-2.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/i539.photobucket.com\/albums\/ff358\/danfou\/tirinha1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se todo cineasta de ess\u00eancia narrativa tivesse a precis\u00e3o, a clareza e a expressividade de Mann eu faria quest\u00e3o de defender o cinema como uma arte que se justifica meramente pelo ato de contar hist\u00f3rias &#8211; uma simples evolu\u00e7\u00e3o dos romances liter\u00e1rios, como alguns insistem em encarar. Esse Side Street \u00e9 um exemplo raro de como aliar ao ato de narrar uma trama as ferramentas dispon\u00edveis na estrutura dessa tal s\u00e9tima arte de maneira org\u00e2nica e perfeitamente funcional: de voice overs com cobertura de imagens aleat\u00f3rias \u00e0 estrutura quase cient\u00edfica da troca de planos existe uma obsess\u00e3o impressionante por encontrar o plano ideal para cada momento encenado \u2013 e n\u00e3o apenas juntar um ma\u00e7o de pap\u00e9is manchados de caf\u00e9 com o pobre do roteiro, p\u00f4r a c\u00e2mera em um plano m\u00e9dio frontal, ligar, berrar A\u00c7\u00c3O, deixar os atores interpretarem aquilo que t\u00e1 escrito e ir \u00e0 lanchonete da esquina comer um pastel de queijo pingando gordura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os oito minutos iniciais s\u00e3o impressionantes nesse sentido. Mann adota os princ\u00edpios b\u00e1sicos do cinema neo-realista p\u00f3s-Cidade Nua e coloca o espectador em meio \u00e0 suja realidade de um jeito t\u00e3o direto e brutal quanto fariam os melhores filmes de Samuel Fuller nos anos seguintes. A voz em off abre o filme apresentando uma problem\u00e1tica geral sobre a viol\u00eancia existente no mundo ap\u00f3s a Segunda Guerra e em poucos minutos Mann trata n\u00e3o apenas de ilustrar, mas especialmente de justificar esse sentimento de revolta compartilhado pela narra\u00e7\u00e3o. A cidade \u00e9 pintada como uma selva de concreto e os planos a\u00e9reos de grandes constru\u00e7\u00f5es e largas ruas onde mal conseguimos enxergar o componente humano desenha um cen\u00e1rio de extrema frieza (e at\u00e9 chegarmos ao protagonista e \u00e0 trama em si o que vemos \u00e9 esta frieza se justificando das formais mais brutais \u2013 at\u00e9 cad\u00e1ver de crian\u00e7a boiando num rio o filho da m\u00e3e me mostra sem concess\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ent\u00e3o que depois deste intenso diagn\u00f3stico do mundo Side Street se prende a um homem comum cometendo o que imaginava ser um pequeno delito sem parecer muito incomodado com qualquer sentimento de culpa, afinal que gravidade pode existir no furto de alguns ma\u00e7os de dinheiro em um mundo onde nem as crian\u00e7as s\u00e3o poupadas da viol\u00eancia e das armas de fogo? Era o que pensava o coitado do protagonista no calor do ato, e no restante do filme o que acompanhamos s\u00e3o justamente as conseq\u00fc\u00eancias que este pequeno desvio moral traz para a vida desse homem, que mesmo arrependido e buscando a reden\u00e7\u00e3o vai se degradando cada vez mais at\u00e9 estar completamente atolado na bosta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o \u00e9 exatamente um segredo que esse per\u00edodo do cinema b hollywoodiano (anos 40, 50) e alguns cineastas espec\u00edficos (Nicholas Ray, Otto Preminger, Anthony Mann, Samuel Fuller) foram base para a revolu\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica promovida pela turma de Godard\/Truffaut\/etc a partir de 1959 (a tal da Nouvelle Vague, acredito que quem esteja lendo um texto desses at\u00e9 aqui j\u00e1 tenha perdido todos os fios de cabelo se informando sobre isso) especialmente no que diz respeito a trabalhar o campo sentimental de seus personagens como um elemento de cena praticamente f\u00edsico, intr\u00ednseco \u00e0 imagem. Neste sentido Side Street me parece um filme-chave, ao lado de outros como Whirpool de Otto Preminger e In a Lonely Place de Nicholas Ray. Curioso por\u00e9m \u00e9 como este filme, que conta com alguns pares\/dezenas\/quinzenas\/pqpzenas de planos de impressionante detalhismo na (des)constru\u00e7\u00e3o sentimental\/psicol\u00f3gica de seu monstruoso protagonista (no sentido de absolutamente sensacional e aquela porra toda) praticamente nunca \u00e9 mencionado em lugar nenhum. Alguns v\u00e3o chegar na voadora berrando que estou querendo dizer que descobri o Brasil, mas yada yada e etc e tal.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/daniel-dalpizzolo\/\">Daniel Dalpizzolo<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se todo cineasta de ess\u00eancia narrativa tivesse a precis\u00e3o, a clareza e a expressividade de Mann eu faria quest\u00e3o de defender o cinema como uma arte que se justifica meramente pelo ato de contar hist\u00f3rias &#8211; uma simples evolu\u00e7\u00e3o dos &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/04\/08\/pecado-sem-macula-side-street-anthony-mann-1950\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[219,2526,875,1828,2122],"class_list":["post-5506","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-anthony-mann","tag-cinema","tag-filmes","tag-pecado-sem-macula","tag-side-street"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5506"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5506\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}