{"id":5399,"date":"2010-04-06T18:39:14","date_gmt":"2010-04-06T21:39:14","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5399"},"modified":"2010-04-06T18:39:14","modified_gmt":"2010-04-06T21:39:14","slug":"mercado-humano-border-incident-anthony-mann-1949","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/04\/06\/mercado-humano-border-incident-anthony-mann-1949\/","title":{"rendered":"Mercado Humano (Border Incident &#8211; Anthony Mann, 1949)"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5402 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/014.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5403 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/024.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5404 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/034.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 realmente inc\u00f4modo, ap\u00f3s assistir boa parte do que Anthony Mann filmou nos anos 40, perceber como seu cinema \u00e9 pouco discutido ou sequer lembrado. Para mim, este contato mais profundo com Mann est\u00e1 sendo n\u00e3o somente um dos marcos de meu 2010, mas uma oportunidade de reflex\u00e3o singular desse ato delicioso que \u00e9 simplesmente escrever sobre um filme, convidar ao debate, faz\u00ea-lo sobreviver para al\u00e9m do tempo de proje\u00e7\u00e3o. E se em todos os filmes que eu comentei de Mann por aqui tive motivos para incentiv\u00e1-los (voc\u00eas mesmo) a conhecerem seu cinema de perto (v\u00e3o logo assistir esses filmes!), agora, mais do que nas outras vezes, impera em mim o desejo de que outras pessoas passem pelo que eu passei ao assistir<em>Mercado Humano<\/em>, filme ao qual posso, sem medo nenhum, chamar de obra-prima.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pela primeira vez posso estar realmente dispensado de falar mal de atores, roteiros ou qualquer outro problema de produ\u00e7\u00e3o, porque\u00a0<em>Mercado Humano<\/em>d\u00e1 conta de tudo isso e vai muito al\u00e9m; tanto que tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o adianta falar de\u00a0<em>noir <\/em>ou de como Mann se aproximava descaradamente do\u00a0<em>western<\/em>, porque este \u00e9 um filme t\u00e3o moderno que ultrapassa a condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Muito mais do que pensar uma renova\u00e7\u00e3o em Mann, ainda que ela ocorra em todos os sentidos, encontramos aqui um filme que convida a uma reavalia\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio cinema nos idos dos anos 40, ou por que n\u00e3o, do que ainda hoje abordamos, retratamos e questionamos com o cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em primeiro lugar, sobre a renova\u00e7\u00e3o de Mann, podemos centr\u00e1-la em dois eixos que partem diretamente do lugar narrativo, lugar por excel\u00eancia do diretor: o objeto narrado, pois uma hist\u00f3ria, at\u00e9 ent\u00e3o, nunca tinha sido t\u00e3o importante em seu cinema (como vimos, seu maior trabalho era driblar a mediocridade dos enredos, conseguindo, por milagre, transform\u00e1-los em estudos da alma), e o objeto que narra, pois enfim o tratamento est\u00e9tico particular de Mann n\u00e3o precisa entupir apenas minutos iniciais ou finais, podendo agora ocupar toda e qualquer cena da totalidade do filme (sinceramente, chega d\u00e1 medo o que ele faz com a c\u00e2mera aqui, principalmente nos closes&#8230; \u00c9 como se toc\u00e1ssemos Dreyer, como se todos os planos de uma imagem, at\u00e9 os mais distantes, transmitissem a impress\u00e3o do\u00a0<em>estar em close<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em segundo lugar (e para mim mais importante),\u00a0<em>Mercado Humano<\/em> pode ser encarado como uma obra de transi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio cinema americano, um \u00e1pice do cl\u00e1ssico que d\u00e1 continuidade a um projeto de cinema o qual podemos enxergar o in\u00edcio l\u00e1 em 1940, no eterno Ford de\u00a0<em>Vinhas da Ira<\/em>. \u00c9 preciso contextualizar que o filme de Mann narra os problemas com a imigra\u00e7\u00e3o ilegal dos mexicanos para o territ\u00f3rio americano, e como alguns deles se submetiam a uma esp\u00e9cie de tr\u00e1fico humano para conseguir adentrar na desejada na\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de retorno \u00e0 escravid\u00e3o (sinceramente, poucos temas s\u00e3o mais atuais do que esse ainda em 2010). Como em Ford, deparamo-nos com homens que foram destitu\u00eddos da terra, expulsos de uma geografia insana, pairando incertos por um mundo que j\u00e1 n\u00e3o encontra lugar digno para que eles sobrevivam. E se em 1940 Ford agregou toda a crueldade da Am\u00e9rica naquela cena monstruosa onde v\u00edamos um trator demolir a casa de uma fam\u00edlia e prosseguir at\u00e9 passar por cima da sombra daquelas pessoas atropelando qualquer esperan\u00e7a que poderia lhes restar, em 1949 Mann encerra a d\u00e9cada com uma das mais violentas cenas que o cinema j\u00e1 concebeu, permitindo que um dos homens infiltrados entre os mexicanos para desmascarar o tr\u00e1fico seja atropelado por outro trator aos olhos de seus amigos e, muito pior, aos nossos olhos. Com esta cena \u2013 e muitas outras, e muitos outros filmes \u2013 Mann confirma ser um cineasta da desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enfim, vou controlando aqui minha vontade de escrever mais pra sobrar um tempinho de ir rever o filme \u2013 se bem que esse deve ser um daqueles ao qual revisitarei sempre, por toda vida. E apesar de este ser meu \u00faltimo texto previsto para esta primeira parte do Especial (spoiler de planejamento, tem mais coisa vindo pela frente), n\u00e3o estou querendo criar nenhum ar de despedida. O problema \u00e9 que eu n\u00e3o consigo me desapegar daquela sensa\u00e7\u00e3o tremenda que \u00e9 ver um filme e sentir que preciso por um tempo me despedir do mundo corriqueiro para viver mais. Tchau.<\/p>\n<p>4\/4 (com vontade profunda de marcar 5\/4)<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/fernando-mendonca\/\">Fernando Mendon\u00e7a<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>Screenshots!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5405 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/aaa.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"330\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5406 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/bbb.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"330\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5407 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" 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