{"id":5344,"date":"2010-04-02T16:29:28","date_gmt":"2010-04-02T19:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5344"},"modified":"2010-04-02T16:29:28","modified_gmt":"2010-04-02T19:29:28","slug":"railroaded-anthony-mann-1947","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/04\/02\/railroaded-anthony-mann-1947\/","title":{"rendered":"Railroaded! (Anthony Mann, 1947)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5347 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/01.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5348 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/02.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5346 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/04\/03.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando come\u00e7amos a assistir\u00a0<em>Railroaded! <\/em> temos praticamente certeza: eis uma das melhores coisas que Mann fez. Mas em pouco tempo a sensa\u00e7\u00e3o vai se dissipando, diminuindo, indo, indo, ao ponto de quase pensarmos: eis um dos piores de Mann. At\u00e9 que chegamos ao final junto com a convic\u00e7\u00e3o: NINGU\u00c9M \u00c9 COMO MANN! Esse emaranhado de emo\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es ao filme pode ser iluminado por uma breve cena do mesmo, quando o casal de vil\u00f5es est\u00e1 comemorando a perfei\u00e7\u00e3o de seu crime; ele, conta o dinheiro roubado, ela, deseja as notas; sedutoramente ela o envolve sobre o sof\u00e1 e enquanto o beija tenta tomar-lhe o dinheiro com a m\u00e3o livre&#8230; Exatamente o que Mann faz, mas ao contr\u00e1rio da beldade, consegue \u00eaxito. Mais uma vez, fica muito claro que os olhos de Mann est\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis (atores e roteiro ruins, o que j\u00e1 se tornou lugar comum \u2013 t\u00e1, aqui est\u00e3o piores), mas suas m\u00e3os est\u00e3o enganando tudo isso, contrariando os tramites da produ\u00e7\u00e3o para encontrar seu desejo: o cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como meu espa\u00e7o \u00e9 limitado vou logo para o que interessa nesse filme, a \u00faltima parte dele, aproximadamente os 15 minutos finais (para quem se importa em saber eu n\u00e3o me importo com spoilers, j\u00e1 vou avisando&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em contrapartida ao chav\u00e3o popular de que\u00a0<em>todo western de Mann n\u00e3o deixa de ser noir<\/em>, aqui percebemos que\u00a0<em>j\u00e1 no noir Mann filmava westerns<\/em>. Os criminosos daqui s\u00e3o como os bandidos do Oeste, os investigadores como xerifes, todos num preto e branco psicol\u00f3gico justificado pela soberania cinzenta da imagem, esta sim, d\u00fabia. E aten\u00e7\u00e3o naquele casal de vil\u00f5es! Que sacanagem Mann apronta com eles (Dan, voc\u00ea estava certo). S\u00e3o impag\u00e1veis cada uma de suas apari\u00e7\u00f5es, cada tapa desferido, cada aperto de bra\u00e7o, cada \u00edmpeto e desejo expresso pela viol\u00eancia de seu contato (ah, essa deliciosa simboliza\u00e7\u00e3o do sexo). E s\u00e3o justamente eles quem nos conduzem ao glorioso encerramento. A inesperada morte da vil\u00e3 (eu avisei&#8230;), provocada pelo disparo seco do amante, inicia tudo. Ali\u00e1s, um momento de rara beleza, tanto da atriz (Jane Randolph) como da pr\u00f3pria filmagem (o len\u00e7o que ela arranca do bolso dele ao cair morta lembra o desabrochar de uma flor). Esse tiro antecipa outros, igualmente secos e certeiros, e \u00e9 a\u00ed que entramos de uma vez por todas em territ\u00f3rio\u00a0<em>western<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O duelo final no restaurante escuro e vazio, com as cadeiras empilhadas sobre as mesas do recinto, corrobora a ambi\u00eancia dos melhores\u00a0<em>saloons <\/em>que o cinema j\u00e1 teve. E se l\u00e1 pelo meio do filme, o investigador principal (Hugh Beaumont, um grande imbecil) ressalta que n\u00e3o lhe importam os sentimentos e sim as evid\u00eancias, aqui Mann joga tudo pra cima (<em>noir<\/em>, evid\u00eancia, l\u00f3gica) para fazer o que sabe melhor com um c\u00e2mera:\u00a0<em>sentir<\/em>. \u00c9 bem verdade que em seu pr\u00f3ximo filme (<em>T-Men<\/em>) ele levar\u00e1 \u00e0 s\u00e9rio este ascetismo contra os sentimentos (a\u00ed sim, com sucesso), por isso \u00e9 muito bom encontrar neste um del\u00edrio volunt\u00e1rio, um verdadeiro gozo da c\u00e2mera pela situa\u00e7\u00e3o constru\u00edda. Com o decorrer do tiroteio e a hero\u00edna baleada n\u00f3s mesmos chegamos a desistir e incentivar: isso Mann, mata todo mundo, destr\u00f3i o resto do cen\u00e1rio, acabe com os pontos de luz, fa\u00e7a o que quiser, mas continue fazendo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um filme que prova: Mann n\u00e3o precisa ser perfeito para ser imortal, basta ser ele mesmo.<\/p>\n<p>3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/fernando-mendonca\/\"><em>Fernando Mendon\u00e7a<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando come\u00e7amos a assistir\u00a0Railroaded! temos praticamente certeza: eis uma das melhores coisas que Mann fez. Mas em pouco tempo a sensa\u00e7\u00e3o vai se dissipando, diminuindo, indo, indo, ao ponto de quase pensarmos: eis um dos piores de Mann. 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