{"id":5339,"date":"2010-04-01T21:56:11","date_gmt":"2010-04-02T00:56:11","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5339"},"modified":"2010-04-01T21:56:11","modified_gmt":"2010-04-02T00:56:11","slug":"desesperado-desperate-anthony-mann-1947","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/04\/01\/desesperado-desperate-anthony-mann-1947\/","title":{"rendered":"Desesperado (Desperate &#8211; Anthony Mann, 1947)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/i539.photobucket.com\/albums\/ff358\/danfou\/1-5.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/i539.photobucket.com\/albums\/ff358\/danfou\/2-6.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/i539.photobucket.com\/albums\/ff358\/danfou\/3-5.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nunca negamos que isso aqui \u00e9 casa de louco (o \u00faltimo texto do Luis bem comprova isso, hehe), ent\u00e3o vou come\u00e7ar a falar de Desperate pelo final. Uma porque o texto \u00e9 meu e eu come\u00e7o com o que eu quiser, e outra pelo simples fato de que aqueles 20 minutos s\u00e3o das melhores coisas filmadas por Mann, o que tamb\u00e9m significa que estamos diante de um cinema de apuro visual, narrativo e, ahn, sensorial (na falta de um termo melhor porque enfim, estou escrevendo isso tudo com o notebook no colo em um \u00f4nibus quicando numa estrada cheia de panela \u2013 e o motorista quase atropelou uma velha em cima duma faixa de seguran\u00e7a o que talvez possa ser um sinal) lim\u00edtrofes, que impressionam como poucos e ao mesmo tempo d\u00e3o uma vontade imensa e quase incontrol\u00e1vel de pegar um bast\u00e3o de baseball e arrebentar o televisor de raiva por saber que jamais seria capaz de fazer uma coisa t\u00e3o foda assim.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em qualquer uma de suas fases Mann foi um grande precursor, e se percebe vendo sua carreira como um todo que ele realmente explorou das melhores formas as possibilidades de se extrair tens\u00e3o e profundidade das cenas que filmava (o texto \u00e9 t\u00e3o bom e confi\u00e1vel que eu falei que come\u00e7aria falando sobre a seq\u00fc\u00eancia final e nem mencionei ela ainda). Mas enfim, a seq\u00fc\u00eancia final, ou as duas seq\u00fc\u00eancias finais (final-final mesmo \u00e9 apenas uma, mas enfim[2]), \u00e9 uma coisa absurda, capaz de resultar nesse descontrole todo que voc\u00eas t\u00e3o presenciando (se \u00e9 que algu\u00e9m ainda t\u00e1 lendo isso). Leone pra filmar Tr\u00eas Homens em Conflito deve ter visto Desperate de tr\u00e1s pra frente umas cinco vezes por dia durante seis semanas, ou se filmou sem olhar deve ter sido alertado mais tarde, olhado e depois batido na mesa e gritado \u201cmerda! Algu\u00e9m conseguiu antes de mim\u201d. Tarantino, como bom e aplicado cin\u00e9filo que \u00e9, certamente tamb\u00e9m deu uma olhadinha pra c\u00e1 ao filmar a seq\u00fc\u00eancia inicial de Bastardos Ingl\u00f3rios ao redor de mesas e envolvendo conflitos com di\u00e1logos na defensiva e copos de leite.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A dilata\u00e7\u00e3o do tempo nessa tal seq\u00fc\u00eancia em que mocinho e bandido est\u00e3o frente a frente em uma mesa e separados por um rel\u00f3gio (daqueles barulhentos e chatos pra porra que contam os segundos) \u00e9 de fazer vibrar, apertar o travesseiro, roer as unhas (n\u00e3o vejam com gente ao lado, pode acontecer alguma trag\u00e9dia). O jogo de campo e contra campo, com cortes secos passando de rosto em rosto, o tique do rel\u00f3gio que vai tomando conta do ambiente e praticamente engole a a\u00e7\u00e3o at\u00e9 restar nada mais que closes em rostos suados e olhos apreensivos emoldurados pela fuma\u00e7a do cigarro que empunha um dos personagens e que v\u00e3o cercando o espectador e projetando aquela sensa\u00e7\u00e3o de que a imagem vai resgar em duas \u00e9 coisa do n\u00edvel daquele duelo do Leone ao final de Tr\u00eas Homens ou da inquisi\u00e7\u00e3o do ca\u00e7ador de judeus, e n\u00e3o \u00e9 brincadeira. E se fosse voc\u00eas s\u00f3 saberiam vendo, ent\u00e3o vejam, e constatem tamb\u00e9m como Mann \u00e9 um g\u00eanio em transgredir regras de g\u00eanero e faz de Desperate um estado de conflu\u00eancia entre c\u00e9u e inferno, acertos e erros, onde a mais rom\u00e2ntica das a\u00e7\u00f5es \u00e9 seguida de uma persegui\u00e7\u00e3o ou assassinato e tudo acontece com a maior das naturalidades como se fizessem parte de um mesmo p\u00f3lo. E n\u00e3o fazem? Os filmes b da velha Hollywood sintetizavam a vida, diz que n\u00e3o.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/daniel-dalpizzolo\/\">Daniel Dalpizzolo<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca negamos que isso aqui \u00e9 casa de louco (o \u00faltimo texto do Luis bem comprova isso, hehe), ent\u00e3o vou come\u00e7ar a falar de Desperate pelo final. 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