{"id":5288,"date":"2010-03-30T22:34:04","date_gmt":"2010-03-31T01:34:04","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5288"},"modified":"2010-03-30T22:34:04","modified_gmt":"2010-03-31T01:34:04","slug":"strange-impersonation-anthony-mann-1946","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/03\/30\/strange-impersonation-anthony-mann-1946\/","title":{"rendered":"Strange Impersonation (Anthony Mann, 1946)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5290 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/03\/0119.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5291 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/03\/0222.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5289 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/03\/0320.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Algu\u00e9m a\u00ed j\u00e1 olhou para o espelho e teve a impress\u00e3o de estar se enxergando pela primeira vez? Isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa que acontece sempre. Apesar de diariamente esbarrarmos em espelhos n\u00e3o \u00e9 todo dia que, de fato, nos olhamos. N\u00e3o consigo deixar de pensar\u00a0<em>Strange Impersonation<\/em> como um filme em que Mann se dedicou a refletir este estranhamento do olhar pra si mesmo, do algu\u00e9m que num ato involunt\u00e1rio enfrenta um processo de auto-descoberta em propor\u00e7\u00e3o tamanha, capaz de alterar n\u00e3o s\u00f3 o rumo da pr\u00f3pria vida, mas do mundo ao redor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Poucas vezes o cinema de Mann ter\u00e1 aberto semelhante rastro de destrui\u00e7\u00e3o moral, apto mesmo a ser inclu\u00eddo na categoria baziniana de uma est\u00e9tica da crueldade. Isso porque sua espantosa protagonista Nora (Brenda Marshall), ao olhar-se no espelho, v\u00ea n\u00e3o somente a maldade mundana na qual est\u00e1 mergulhada, mas descobre-se igualmente capaz de dissimular, mentir e destruir; descobre-se humana. O acidente que lhe desfigura o rosto \u00e9 o que lhe permite enxergar; e toda a transforma\u00e7\u00e3o que enfrentar\u00e1 s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel por esta irremedi\u00e1vel perda, n\u00e3o a perda de uma pele, a qual ser\u00e1 reconstitu\u00edda com perfei\u00e7\u00e3o pela ci\u00eancia, mas a perda de um olhar anterior, de uma inoc\u00eancia original.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Acompanhar a progress\u00e3o da carreira de Mann nesta d\u00e9cada negra \u00e9 deixar o queixo cair e ver como questionamentos fundamentais ao homem foram abordados na din\u00e2mica de seu olhar nada inocente. Um cinema de queda, de avesso, de contr\u00e1rios, por mais que a agilidade de seu bem-narrar disfarce tais conte\u00fados (outra face da subvers\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um olhar superficial poderia facilmente acusar este filme por sua superficialidade. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o se pegar rindo com alguns \u2018descuidos\u2019 tanto de roteiro (coincid\u00eancias e acasos que beiram o sobrenatural, m\u00e9dicos que fumam numa sala de cirurgia) como de decupagem (inacabamento de alguns cortes, postura anti-natural dos atores), mas quando chegamos ao final de tudo tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 pra ignorar como cada elemento foi coerentemente elaborado de acordo com o descuidado mundo criado por Mann, como dito, um mundo avesso. Cada inverossimilhan\u00e7a plantada em suas imagens condiz com o inveross\u00edmil da alma, nesse sentido, Mann nunca esteve mais pr\u00f3ximo de Lang, que na mesma \u00e9poca legou um dos cinemas mais malditos que j\u00e1 se conheceu (ali\u00e1s, este \u00e9 um filme irm\u00e3o de\u00a0<em>The Woman in the Window \u2013 1944<\/em>; n\u00e3o aprofundo a compara\u00e7\u00e3o pra n\u00e3o estragar a surpresa). E como em Lang, o que vemos aqui \u00e9 uma manipula\u00e7\u00e3o que excede o tratamento cinematogr\u00e1fico, atrav\u00e9s de uma l\u00f3gica desconexa e imprevis\u00edvel, pautada por uma esp\u00e9cie de Destino (sim, o mesmo dos gregos).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O olhar de Nora ao espelho \u00e9 um olhar de convencimento, de quase desist\u00eancia, principalmente depois que o reflexo converte-se no expressivo julgamento que lhe assolar\u00e1 a derradeira impress\u00e3o de felicidade. Aqui, Mann deixa muito claro que descrer na esperan\u00e7a \u00e9 sua maneira de n\u00e3o sucumbir, de n\u00e3o desistir junto \u00e0 personagem, iluminando um novo esclarecer de sua insist\u00eancia ao\u00a0<em>noir<\/em>. O cinema, mais do que um ato de cria\u00e7\u00e3o (e para que assim o seja), tamb\u00e9m destr\u00f3i, desfigura. E n\u00e3o s\u00e3o muitos os diretores que t\u00eam a coragem de declarar isso. Apesar de esbarrarmos com filmes diariamente, n\u00e3o \u00e9 todo dia que, de fato, encontramos o cinema.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/fernando-mendonca\/\"><em>Fernando Mendon\u00e7a<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m a\u00ed j\u00e1 olhou para o espelho e teve a impress\u00e3o de estar se enxergando pela primeira vez? Isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa que acontece sempre. 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