{"id":519,"date":"2008-07-07T23:38:50","date_gmt":"2008-07-08T01:38:50","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=519"},"modified":"2008-07-07T23:38:50","modified_gmt":"2008-07-08T01:38:50","slug":"o-grande-golpe-stanley-kubrick-1956-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/07\/o-grande-golpe-stanley-kubrick-1956-2\/","title":{"rendered":"O Grande Golpe (Stanley Kubrick, 1956)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">O Grande Golpe (The Killing) \u00e9 o filme que lan\u00e7ou Kubrick. Trata da hist\u00f3ria de um roubo do dinheiro das apostas de um j\u00f3quei, e o desenrolar pelo que acontece entre esses g\u00e2ngsteres, adaptado do romance de Leonel White. O tempo n\u00e3o-linear misturado com o jeito noir nesta boa hist\u00f3ria chamaram a aten\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica. A inventividade estava toda aqui, e assim ganhou a chance de grandes produtores para estourar. Por Pedro Kerr, o terceiro texto do Especial Stanley Kubrick:<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong><\/strong><a href=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/07\/the-killing1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-528 aligncenter\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/07\/the-killing1.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"377\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>O Grande Golpe (The Killing, 1956)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong><\/strong><a href=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/07\/the-killing1.jpg\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2008\/07\/the-killing.jpg\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um Kubrick menor? Depende. Depende. Depende. Ele \u00e9 um diretor de filmografia relativamente curta. Doze longas, de 1955 at\u00e9 1999. Este \u00e9 seu segundo. A maior parte dos seus filmes aborda temas s\u00e9rios, como 2001, Laranja mec\u00e2nica, De olhos bem fechados, Dr. Fant\u00e1stico, Nascido para matar, Gl\u00f3ria feita de sangue ou at\u00e9 mesmo Barry Lyndon e O iluminado. Todos carregados de uma perversa ironia e personagens em constante estado de desumaniza\u00e7\u00e3o. A bem da verdade, Kubrick pode muito bem ser considerado por a\u00ed como um doido autista e frio, porque haja outro cineasta para ser assim t\u00e3o distante de seus personagens. O grande golpe tem tudo isso a\u00ed, mesmo em menor escala, o que n\u00e3o o impede de ser um grande filme (pessoalmente \u00e9 um dos meus preferidos do diretor, n\u00e3o por ser menos ambicioso, mas porque desvend\u00e1-lo e destrinchar tudo o que esse aqui pode te proporcionar de &#8216;s\u00e9rio&#8217; \u00e9 muito mais divertido). Talvez o mais subestimado da carreira dele, que foi esquecido com o tempo injustamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em um momento, logo j\u00e1 da pra se ver Kubrick colocando suas manguinhas para fora. Estamos no in\u00edcio da cronologia do filme, quando est\u00e3o recrutando pessoas para um plano inusitado de roubar um j\u00f3quei. \u00c9 num di\u00e1logo em que o seguran\u00e7a-brutamontes careca (de quem o nome me esqueci) faz uma elegia ao &#8216;estado de mediocridade total&#8217;, de evitar grandes coisas para o bem ou para o mal. O que significa isso se visto pela \u00f3tica e pelo que acontece depois, com ele entrando no esquema do grande assalto da casa de apostas do hipismo? Os personagens parecem n\u00e3o dar muita import\u00e2ncia \u00e0 frase, mas vista pela \u00f3tica de espectador; Kubrick convida a todos n\u00f3s para adentrar naquele universo no submundo, e sua veia de desumanizador pode ser vista quando nos \u00e9 mostrado o final, que final destruidor. S\u00f3 vendo para saber what&#8217;s the difference&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A ousadia n\u00e3o est\u00e1 apenas em um olhar um pouco baixo para esses divertidos universos que o cinema cria, mas tamb\u00e9m est\u00e1 do lado narrativo. Talvez um dos primeiros not\u00f3rios filmes com uma narrativa quase 100% embaralhada. Seu filhote mais famoso \u00e9 C\u00e3es de aluguel, dirigido por Tarantino em 92. Kubrick se mostrava em pleno dom\u00ednio de seus atores, n\u00e3o s\u00f3 Sterling Hayden \u00e0 frente &#8211; em cada fragmento de hist\u00f3ria o diretor n\u00e3o deixa a peteca cair nunca. O filme quase extrapola o lado ficcional, por ser narrado em fragmentos; em seu segundo filme, SK j\u00e1 se mostrava afiado na dire\u00e7\u00e3o: alterna imagens vistas em diversos pontos-de-vista em planos muito bem preenchidos, sabe muito bem a hora de acompanhar os personagens ou apenas mostrar o ambiente. Falando nisso, ap\u00f3s a sess\u00e3o do filme vc se sente quase como se conhecesse cada corredor do j\u00f3quei &#8211; t\u00e3o isso que se pode observar a habilidade do diretor em colocar os personagens, seja quando est\u00e3o correndo em dire\u00e7\u00e3o ao cofre, seja quando est\u00e3o entrando de carro, seja quando est\u00e3o atirando em um cavalo. A edi\u00e7\u00e3o mostra os v\u00e1rios \u00e2ngulos e sua agilidade chega a um ponto miraculoso naqueles minutos finais em que vc esgota seu estoque de unhas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o raro esse filme aparece na lista de film-noirs, e apesar de passar um pouco distante de clich\u00eas do g\u00eanero como femme fatales e detetives, apresenta uma conspira\u00e7\u00e3o deliciosa de acompanhar ainda mais na narrativa ousada e numa vis\u00e3o completamente c\u00ednica real\u00e7ada pelo final &#8211; todos estavam l\u00e1 por interesse pr\u00f3prio, e tem um resultado que acaba sendo devastador. \u00c9 aquele jogo de apar\u00eancias, de vc nunca saber em quem confiar, sendo raros aqueles de \u00e9tica confi\u00e1vel. Auxiliados por uma fotografia que segue as inspira\u00e7\u00f5es do g\u00eanero, cuja pr\u00f3pria exist\u00eancia acaba quase sendo uma qualidade&#8230; haha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o quero soltar muitos spoilers, mas o final \u00e9 uma maneira simples e fascinante do diretor selar o destino de todos os personagens; e isso enriquece com aquilo levantado no come\u00e7o, dos universos criados no cinema e de como l\u00e1 o estado de mediocridade \u00e9 quebrado. Talvez isso n\u00e3o seja material para encher mesas de debate como a maioria de seus filmes, mas a soma de uma narrativa ousada, mais um universo noir bem colocado, mais uma conclus\u00e3o solu\u00e7\u00e3o inusitad\u00edssima, quase um absurdo, d\u00e3o numa \u00f3tima maneira de Kubrick selar sua vis\u00e3o sobre todas as rela\u00e7\u00f5es que um &#8216;filme de assalto&#8217; pode ter. E que de um jeito ou de outro, acaba fazendo uma rima bem interessante com o cineasta frio e ir\u00f4nico dos filmes que viriam a seguir.<\/p>\n<p>3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Pedro Kerr<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grande Golpe (The Killing) \u00e9 o filme que lan\u00e7ou Kubrick. Trata da hist\u00f3ria de um roubo do dinheiro das apostas de um j\u00f3quei, e o desenrolar pelo que acontece entre esses g\u00e2ngsteres, adaptado do romance de Leonel White. 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