{"id":5136,"date":"2010-03-24T04:28:43","date_gmt":"2010-03-24T07:28:43","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=5136"},"modified":"2010-03-24T04:28:43","modified_gmt":"2010-03-24T07:28:43","slug":"the-dark-glow-of-the-mountains-werner-herzog-1985","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/03\/24\/the-dark-glow-of-the-mountains-werner-herzog-1985\/","title":{"rendered":"The Dark Glow of the Mountains (Werner Herzog, 1985)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5133 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/03\/0115.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5134 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/03\/0217.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5135 aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2010\/03\/0316.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mesmo depois de deixarmos aquela idade pentelha do \u201cpor qu\u00ea\u201d, n\u00e3o conseguimos deixar de questionar atitudes que pare\u00e7am absurdas ou, meramente, fora do comum. Penso que o esporte que mais recebe \u201cporqu\u00eas\u201d \u00e9 justamente o montanhismo. Porra, pra que subir a montanha se depois tu vai ter que descer? Pra que subir a montanha se n\u00e3o tem nada l\u00e1 em cima al\u00e9m de rocha, gelo e neve? Ouvi dizer que em um outro document\u00e1rio sobre montanhismo, Herzog procura essa resposta entre alguns montanhistas experientes. Mas neste Dark Glow of the Mountains, Herzog faz a pergunta diretamente \u00e0quele que \u00e9 considerado o maior montanhista da hist\u00f3ria do esporte: Reinhold Messner \u00e9 um italian\u00e3o gigante e barbudo, detentor dos maiores feitos j\u00e1 registrados em alta montanha. N\u00e3o vou ficar apontando aqui tudo o que ele fez, porque ele fez coisa pra caramba e etc. Apenas pe\u00e7o que aceitem minha afirma\u00e7\u00e3o de que o homem \u00e9 um deus no mundo do montanhismo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na ocasi\u00e3o deste document\u00e1rio, Herzog acompanhou Messner e seu companheiro Hans Kammerlander at\u00e9 o acampamento-base das montanhas Gasherbrum 1 e 2 (respectivamente a 11\u00aa e a 13\u00aa maiores montanhas do mundo). A id\u00e9ia dos dois montanhistas era subir ambas as montanhas em sequ\u00eancia, sem regressar ao acampamento entre uma escalada e outra. Herzog, como documentarista discreto que s\u00f3 ele \u00e9, acompanha tudo de perto, mete o bedelho onde n\u00e3o \u00e9 chamado e cutuca feridas dos aventureiros. Entre planos bel\u00edssimos dos grandes pared\u00f5es e glaciares e cumes e avalanches que essas montanhas possuem, Herzog captura momentos impressionantes que evidenciam o comportamento de Messner em alta montanha. Eu j\u00e1 havia assistido a algumas entrevistas com Reinhold Messner (normalmente sobre sua avers\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio suplementar na montanha e sobre suas escaladas solo ao Everest) e assimilei facilmente a imagem do montanhista \u201cforte e sem medo de nada\u201d. Imagem que Messner nem precisa se esfor\u00e7ar para passar, uma vez que sua pr\u00f3pria postura e fisionomia j\u00e1 denotam tal imagem. Mas aqui, Herzog, com pouco mais de quatro perguntas consegue derrubar o gigante, levando-o \u00e0s l\u00e1grimas com a lembran\u00e7a da morte do irm\u00e3o, na montanha Nanga Parbat, no Paquist\u00e3o. Numa cena imediatamente ap\u00f3s esta, Messner est\u00e1 recomposto, s\u00e9rio, falando sobre o planejamento da escalada: \u201cdevemos voltar em sete dias. Se n\u00e3o voltarmos em dez, juntem as coisas e v\u00e3o embora, porque ningu\u00e9m mais conseguir\u00e1 nos encontrar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Al\u00e9m disso, o que Herzog faz de mais fascinante \u00e9 abrir espa\u00e7o para que o espectador questione a ele. Na cabe\u00e7a de Herzog, t\u00e3o absurda quanto a id\u00e9ia de subir uma montanha \u00e9 a id\u00e9ia de acompanhar os dois malucos que v\u00e3o subir apenas para film\u00e1-los. A resposta do \u201cporqu\u00ea\u201d que Herzog busca, no final das contas, servir\u00e1 para ele tamb\u00e9m. E o que ele consegue arrancar de Messner \u00e9 a id\u00e9ia de que sua fascina\u00e7\u00e3o pelas montanhas \u00e9 derivada, sim, de uma esp\u00e9cie de loucura. Uma loucura an\u00e1loga \u00e0quela dos artistas, por exemplo. Suas a\u00e7\u00f5es justificam-se em seu pr\u00f3prio ser e, justamente por isso, \u00e9 improv\u00e1vel que pessoas que n\u00e3o perten\u00e7am a seu grupo de conv\u00edvio e atividade consigam compreend\u00ea-las, uma vez que estas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de racionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A\u00ed est\u00e1 a grande resposta de Herzog, no final das contas. Se Messner escala a montanha porque \u00e9 um louco, Herzog o filma escalando a montanha porque \u00e9 louco tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/equipe\/murilo-lopes-de-oliveira\/\"><em>Murilo Lopes de Oliveira<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo depois de deixarmos aquela idade pentelha do \u201cpor qu\u00ea\u201d, n\u00e3o conseguimos deixar de questionar atitudes que pare\u00e7am absurdas ou, meramente, fora do comum. Penso que o esporte que mais recebe \u201cporqu\u00eas\u201d \u00e9 justamente o montanhismo. Porra, pra que subir &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/03\/24\/the-dark-glow-of-the-mountains-werner-herzog-1985\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[2526,875,2478],"class_list":["post-5136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-cinema","tag-filmes","tag-werner-herzog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5136\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}