{"id":4517,"date":"2009-12-22T23:02:21","date_gmt":"2009-12-23T02:02:21","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=4517"},"modified":"2009-12-22T23:02:21","modified_gmt":"2009-12-23T02:02:21","slug":"2012-roland-emmerich-2009-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/12\/22\/2012-roland-emmerich-2009-2\/","title":{"rendered":"2012 (Roland Emmerich, 2009)"},"content":{"rendered":"<div id=\"_mcePaste\" style=\"text-align:justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img30.imageshack.us\/img30\/3943\/85533737.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img33.imageshack.us\/img33\/5333\/14218213.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img707.imageshack.us\/img707\/4346\/62078558.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><br \/>\nCreio existir um limite para tudo. \u00c9 not\u00f3rio que filmes constr\u00f3em suas pr\u00f3prias realidades baseados em recria\u00e7\u00f5es inspiradas na nossa. Talvez isso ocorra por facilidade de associa\u00e7\u00e3o por parte do espectador ou para transmitir uma mensagem que seja provocativa ou reflexiva, seja simplesmente para voc\u00ea se desligar por duas horas aproximadamente de sua vida rotineira nos moldes exigidos pelo capitalismo ou com a inten\u00e7\u00e3o de refletir uma opini\u00e3o na tela.<\/div>\n<p style=\"text-align:justify;\">2012 tenta se encaixar na primeira categoria. Entretanto, calcado em efeitos especiais excepcionais tenta a todo custo ofuscar uma pobreza irritante de todos os outros elementos componentes da est\u00f3ria e os clich\u00eas atirados na cara do espectador da pior forma poss\u00edvel, sem o menor refinamento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O filme \u00e9 um arrasa quarteir\u00f5es repleto de uma dramaticidade repetitiva e personagens nada carism\u00e1ticos (abusando de momentos \u201cooooooh\u201d com mortes apote\u00f3ticas, previs\u00edveis e dispens\u00e1veis). O pior mesmo \u00e9 o cinismo do tipo \u201cquero ser democr\u00e1tico e mostrar que os USA n\u00e3o s\u00e3o tudo no mundo\u201d, algo que soa terrivelmente for\u00e7ado e que n\u00e3o consegue fugir do \u00f3bvio. Nem transferir a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o das arcas para a China adiantou ou atirar a \u201cimport\u00e2ncia\u201d da \u00c1frica no finalzinho funcionou. Ainda assim as constrangedoras cenas do Presidente americano negro que prefere morrer com seu povo (oooooooh, e olha que at\u00e9 tentaram colocar o italiano tamb\u00e9m\u2026mas, curiosamente n\u00e3o teve a \u201ccena\u201d de ser \u201cengolido\u201d pelas \u00e1guas em uma cena \u201chist\u00f3rica\u201d), a cruzada intermitente (e absolutamente rid\u00edcula pelos seus excessos) do personagem de John Cusack e sua fam\u00edlia est\u00fapida \u2013 naturalmente com direito a salvar a arca no final \u201ctrilegal\u201d (oooooooooh) ainda prevalecem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tudo, com exce\u00e7\u00e3o aos efeitos especiais, \u00e9 p\u00e9ssimo, absolutamente tolo e parece tentar fazer o espectador de idiota, chega a ser ofensivo e constrangedor. Um dos piores do ano, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>1\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Silvio Tavares<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\nVi nessa semana\u2026 O Emmerich em dois lados, o manipulador genial de Independence Day, e o desastrado de 2012. O grande truque dos filmes-cat\u00e1strofe (na verdade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o sine qua non pra funcionarem) \u00e9 te venderem uma verdade pela qual voc\u00ea est\u00e1 louco pra acreditar. Ele PRECISA te abduzir, caso contr\u00e1rio \u00e9 como assistir algu\u00e9m jogar \u00e1gua num formigueiro. E as pessoas sabem fazer a leitura quando algo n\u00e3o vai bem. Fui no cinema com uma galera e a reclama\u00e7\u00e3o de todo mundo era sobre a falta de realismo, que nada daquilo era ver\u00eddico e tal (at\u00e9 ouvi uma frase sensacional \u201cmas \u00e9 fic\u00e7\u00e3o cara\u201d, \u201cn\u00e3o importa, isso nem na fic\u00e7\u00e3o\u201d, haha). A\u00ed algu\u00e9m vem e diz \u201cah t\u00e1, tu queria realismo em 2012, cinema n\u00e3o tem essa pretens\u00e3o, vai ver document\u00e1rio\u201d, etc. A\u00ed entra o discurso do melhor filme do Chris Nolan. Cinema \u00e9 arte da ilus\u00e3o e todo cineasta \u00e9 um m\u00e1gico, e no caso do Emmerich, o truque \u00e9 te fazer acreditar no que se passa na tela, porque faz parte da natureza do blockbuster (um tro\u00e7o meio sci-fi-p\u00f3s-moderno-essas-porras): voc\u00ea paga pra sentir emo\u00e7\u00f5es dependendo do que t\u00e1 escrito na embalagem (com\u00e9dia pra sorrir, romance pra se emocionar, etc), e o barato dos filmes-cat\u00e1strofe \u00e9 que eles t\u00eam a pretens\u00e3o de oferecer todo um pacote (e os que melhor fizeram isso foram Independence e Titanic, disparados). Pra um filme como 2012 dar certo ele precisa oferecer ao espectador a possibilidade de se sentir em um mundo com o prazo de validade expirando (\u20182012\u2032, d\u00e3), onde n\u00e3o haver\u00e1 pra onde correr; a\u00ed voc\u00ea v\u00ea determinado personagem se despedindo do pai e automaticamente associa como seria a situa\u00e7\u00e3o, como seria ver uma onda gigante vindo em sua dire\u00e7\u00e3o sem ter como escapar, etc, etc. sempre que um personagem estiver prestes a morrer, voc\u00ea vai estar l\u00e1 ao lado dele (pra morrer tamb\u00e9m, afinal).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">2012 falha o tempo inteiro em te \u2018capturar\u2019 pra dentro do filme porque n\u00e3o te conecta ao personagens (caralho, nem na cena do cachorro deu certo), porque \u00e9 mera espetaculariza\u00e7\u00e3o, porque cada super-efeito-especial tem o mesmo resultado de ver uma fileira de domin\u00f3s sendo derrubada e porque, essencialmente, quebra as pr\u00f3prias regras. Como na cena da fuga com a limo\/avi\u00e3o. O espectador precisa ter um fiapo de conex\u00e3o com a realidade, caso contr\u00e1rio, a mentira n\u00e3o vai funcionar nunca.<\/p>\n<p>0\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n<div style=\"text-align:left;\">ou: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/11\/19\/2012-roland-emmerich-2009\/\">2012<\/a> (Roland Emmerich, 2009) &#8211; Djonata Ramos<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Creio existir um limite para tudo. \u00c9 not\u00f3rio que filmes constr\u00f3em suas pr\u00f3prias realidades baseados em recria\u00e7\u00f5es inspiradas na nossa. 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