{"id":4441,"date":"2009-11-10T18:29:24","date_gmt":"2009-11-10T21:29:24","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=4441"},"modified":"2009-11-10T18:29:24","modified_gmt":"2009-11-10T21:29:24","slug":"distrito-9-district-9-neill-blomkamp-2009","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/11\/10\/distrito-9-district-9-neill-blomkamp-2009\/","title":{"rendered":"Distrito 9 (District 9 &#8211; Neill Blomkamp, 2009)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img510.imageshack.us\/img510\/1716\/50523413.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img410.imageshack.us\/img410\/6370\/47079253.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img510.imageshack.us\/img510\/4939\/56715467.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Muito mais por falta de tempo do que por excesso de vadiagem deixarei de partilhar impress\u00f5es mais detalhadas de Distrito 9, mas n\u00e3o poderia passar este dia p\u00f3s-filme sem registrar um pouco do meu contentamento. Posiciono-me mais ou menos ao centro dos dois grupos fan\u00e1ticos que se formaram para, respectivamente, amar e odiar o debut de Neil Blomkamp \u2013 digo \u201cmais ou menos\u201d por estar muito mais pr\u00f3ximo \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do que ao \u00f3dio, embora meu gostar n\u00e3o tenha a mesma entona\u00e7\u00e3o que o dos f\u00e3s assumidos. Serei aquilo que o filme despreza, rasga e destitui por completo do seu centro gravitacional: um exemplo de precau\u00e7\u00e3o e de pretenso equil\u00edbrio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Distrito 9 \u00e9 cinema muito pr\u00f3ximo da selvageria, onde o instintivo prevalece e o intelecto \u00e9 deslocado para uma esp\u00e9cie de v\u00e1cuo. Com isto, recebemos uma pe\u00e7a de estrondo brutalmente manejada como um filme-v\u00f4mito, onde nada parece ser controlado, onde tudo \u00e9 grotescamente \u2013 reconhecendo a grotesquidade com grande fasc\u00ednio \u2013 arremessado \u00e0 tela, onde impera o caos e as ideias parecem ser injetadas diretamente na veia do espectador. Em quest\u00e3o de minutos estamos ali, no meio da baderna, compreendendo cada uma das refer\u00eancias ao lado de c\u00e1 de um jeito um tanto quanto estranho, como se estivessemos a par daquela realidade h\u00e1 anos, o que pode ser considerado o maior dos elogios \u00e0 medida que reconhecemos no Cinema a necessidade de o realizador fazer o espectador comprar seu mundo particular e, principalmente, respeit\u00e1-lo (basta dizer que n\u00e3o h\u00e1 qualquer estranheza em ver o povo alien\u00edgena se chapar com comida de gato, muito menos em ver o mercado negro do produto se ampliando, etc \u2013 teria outros tantos exemplos). O mesmo acontece com a linguagem de c\u00e2mera, que mistura conceitos b\u00e1sicos de est\u00e9tica cinematogr\u00e1fica com linguagens din\u00e2micas e inusitadas como a de televis\u00e3o e video-game de uma maneira imposs\u00edvel de ser sintetizada por palavras. Atrav\u00e9s disso, a impress\u00e3o que se tem \u00e9 de que poderiam existir milh\u00f5es de ironias e met\u00e1foras e cr\u00edticas sociais enrustidas, mas n\u00e3o consigo encontrar espa\u00e7o para pensar o filme fora desta sua realidade, talvez por ela ser t\u00e3o bem apresentada e sustentada, talvez por transformar-se com o passar do tempo em um monumento de si mesmo. N\u00e3o que eu n\u00e3o goste do gradativo enxugamento deste universo, desta emula\u00e7\u00e3o narrativa de video-game onde todo o filme gira em torno de uma vis\u00e3o em primeira pessoa e da forma como isto consome o filme at\u00e9 transform\u00e1-lo em um caro\u00e7o lapidado. Pelo contr\u00e1rio: residem aqui alguns dos maiores m\u00e9ritos de Distrito 9, alguns dos motivos que fazem deste um filme t\u00e3o divertido de um jeito t\u00e3o vulgar. Apenas acredito que, da mesma forma com que torna o filme uma experi\u00eancia bastante interessante sob este ponto de vista de divertimento porralouquista e vagabundo, permite a ele o contentamento de ser apenas isto. Penetramos no Distrito 9 e, ao sairmos dele, levamos nada al\u00e9m do saco de pipocas vazio para atirarmos no lixo. Novamente reitero: n\u00e3o \u00e9 defeito, mas a constata\u00e7\u00e3o de uma conseq\u00fc\u00eancia natural da proposta \u2013 uma proposta que \u00e9 bastante comum mas que cada vez mais parece dif\u00edcil de ser executada por Hollywood. Em seu primeiro filme, e fora deste eixo que abriga Michael Bay, Tony Scott e Uwe Boll, Neil Blomkamp conseguiu. Ainda assim, n\u00e3o h\u00e1 nada de novo no front; apenas o referido respeito ao seu pr\u00f3prio cinema, que deveria ser uma regra mas \u00e9 respons\u00e1vel por fazer deste um filme de tamanho destaque.<\/p>\n<p>3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito mais por falta de tempo do que por excesso de vadiagem deixarei de partilhar impress\u00f5es mais detalhadas de Distrito 9, mas n\u00e3o poderia passar este dia p\u00f3s-filme sem registrar um pouco do meu contentamento. 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