{"id":4228,"date":"2009-09-28T04:23:22","date_gmt":"2009-09-28T07:23:22","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=4228"},"modified":"2009-09-28T04:23:22","modified_gmt":"2009-09-28T07:23:22","slug":"giallo-dario-argento-2009","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/09\/28\/giallo-dario-argento-2009\/","title":{"rendered":"Giallo (Dario Argento, 2009)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img87.imageshack.us\/img87\/2057\/vlcsnap2009092802h42m20.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img121.imageshack.us\/img121\/5125\/vlcsnap2009092802h40m37.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img21.imageshack.us\/img21\/4757\/vlcsnap2009092802h40m23s.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>*spoiler no 3\u00ba par\u00e1grafo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 preciso cuidado. Desde os 5 minutos de filme, quando o primeiro cl\u00edmax \u00e9 um rapto ao inv\u00e9s de um assassinato, qualquer f\u00e3 de cinema fant\u00e1stico vai notar que Giallo N\u00c3O \u00c9 um giallo, e principalmente que precisar\u00e1 reorganizar suas expectativas ao longo da sess\u00e3o. Isso por que, antes de mais nada, n\u00e3o se trata de um trabalho expl\u00edcito, daqueles onde se sente a m\u00e3o de Argento como fogos de artif\u00edcio na tela. C\u00e2mera subjetiva, travellings, cores, uma atmosfera qualquer meticulosamente preparada, etc&#8230; Nada disso. Os assassinatos pontuando a trama &#8211; sempre pretextos para que os italianos exercessem cada qual o seu estilo &#8211; s\u00e3o coisa de um \u2018g\u00eanero\u2019 que ficou para tr\u00e1s, cristalizado entre anos 70 e 80, e cuja \u00faltima men\u00e7\u00e3o honrosa \u00e9 o j\u00e1 distante Sleepless.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Giallo \u00e9 um thriller policial cuja estrutura se molda a dos filmes de serial killer contempor\u00e2neos (e que de todo modo n\u00e3o deixaram de beber da fonte inaugurada por Mario Bava). A a\u00e7\u00e3o principal \u00e9 a do detetive em busca da solu\u00e7\u00e3o do caso, enquanto que os momentos de corte do ritmo s\u00e3o exatamente os do assassino no esconderijo torturando sua v\u00edtima (ao inv\u00e9s de sair \u00e0 noite\u00a0por vielas soturnas em busca de outras). A tens\u00e3o ent\u00e3o\u00a0se daria\u00a0simplesmente atrav\u00e9s do resgate da v\u00edtima, de o detetive chegar a tempo, etc&#8230; Mas \u00e9 quando amea\u00e7a decepcionar, quando voc\u00ea pensa que mataram Argento, esconderam o corpo e puseram a c\u00e2mera na m\u00e3o do sobrinho do produtor, que Giallo se mostra narrativamente brilhante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desde o primeiro momento, Argento estabelece uma conex\u00e3o entre o detetive e o assassino, fazendo-nos crer que se tratam da mesma pessoa assim que Adrien Broody surge com lentes de contato no retrovisor do t\u00e1xi. Em seguida s\u00e3o as mem\u00f3rias do detetive que colocam em jogo todos aqueles elementos-base do universo argenteano pra constru\u00e7\u00e3o de uma mente psic\u00f3tica. Logo depois, Argento tira o \u201cYellow\u201d das sombras, e o que temos \u00e9 um Broody coberto de maquiagem. N\u00e3o existem outros personagens dividindo a aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existem suspeitos poss\u00edveis, n\u00e3o existem d\u00favidas. Mesmo com as a\u00e7\u00f5es transcorrendo em aparente simultaneidade, o espectador n\u00e3o desconfia, ele SABE a solu\u00e7\u00e3o para o whodonit. E toma no cu bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O \u201cgiallo\u201d do t\u00edtulo est\u00e1 subvertido. Subvertem-se as expectativas, subverte-se o estilo do seu autor, subvertem-se os elementos que o comp\u00f5em. O whodonit est\u00e1 do avesso, a c\u00e2mera est\u00e1 presa, aquela velha l\u00e2mina reluzindo no ar \u00e9 agora substitu\u00edda por seringas, martelos e alicates. Mas o giallo est\u00e1 subvertido pelo pr\u00f3prio cinema, n\u00e3o por Argento, e Giallo nada mais \u00e9 que uma representa\u00e7\u00e3o do contempor\u00e2neo em rela\u00e7\u00e3o ao passado, n\u00e3o em tom nost\u00e1lgico ou de r\u00e9quiem, mas de passagem. De algu\u00e9m que reconhece que o f\u00f4lego acabou, que o cinema e tampouco o p\u00fablico s\u00e3o o que costumavam ser.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Argento ent\u00e3o faz dos flashbacks a sua fuga. \u00c9 atrav\u00e9s das lembran\u00e7as do detetive que ele acessa esse mundo perdido pelos amantes do velho giallo ao pintar a tela de laranja e trazer de volta a c\u00e2mera ao status de personagem, movimentando-a como se boiasse \u00e0 deriva na \u00e1gua. Se dispostos um ao lado do outro e linearmente, os flashbacks montam um giallo fechado, independente do resto do filme; com in\u00edcio, meio e fim pr\u00f3prios. Com apresenta\u00e7\u00e3o de personagens, testemunho do crime e vingan\u00e7a, tudo concebido a facadas. Em Giallo, \u00e9 apenas na mem\u00f3ria que as coisas continuam belas. O tempo presente \u00e9 apenas seco (compare os finais de Giallo e Profondo Rosso).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E o filme permite esse respiro. Te convida a fugir dessa opress\u00e3o do convencional para viajar trinta anos no tempo e voltar pra um mundo que parece desconhecer o fato de simplesmente n\u00e3o existir mais. Desde Terror na \u00d3pera.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Giallo \u00e9 o filme mais l\u00facido de todo o cinema fant\u00e1stico italiano.<\/p>\n<p>3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*spoiler no 3\u00ba par\u00e1grafo \u00c9 preciso cuidado. 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