{"id":4181,"date":"2009-09-21T16:25:19","date_gmt":"2009-09-21T19:25:19","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=4181"},"modified":"2009-09-21T16:25:19","modified_gmt":"2009-09-21T19:25:19","slug":"anticristo-antichrist-lars-von-trier-2009-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/09\/21\/anticristo-antichrist-lars-von-trier-2009-2\/","title":{"rendered":"Anticristo (Antichrist &#8211; Lars Von Trier, 2009)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img246.imageshack.us\/img246\/3350\/vlcsnap2009092100h52m15.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img246.imageshack.us\/img246\/1001\/vlcsnap2009092103h01m01.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img245.imageshack.us\/img245\/572\/vlcsnap2009092100h52m08.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fal\u00e1vamos, o Djonata, Robson e eu, nessa tarde de domingo enquanto o jogo n\u00e3o come\u00e7ava, sobre todo esse conceito de filmar pela mensagem, n\u00e3o pela pr\u00f3pria imagem instant\u00e2nea correndo na tela. De deliberadamente fazer de seu filme um dependente sine qua non de algo que o espectador precisa buscar do lado de fora, praticando a subvers\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sica para que um filme seja, afinal, um filme: o prazer pela imagem. Pura e simples. \u00c9 por isso que quando Von Trier percorre cada fotograma n\u00e3o apenas assumindo que seu filme n\u00e3o est\u00e1 ali, presente na tela, mas exigindo que sua real \u201caprecia\u00e7\u00e3o\u201d (\u00ea termo maldito) se d\u00ea por uma simbologia externa ao \u00e1udio e ao v\u00eddeo de momento, ele est\u00e1 inventando algo a que pode dar o nome de qualquer coisa, menos cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sabe, h\u00e1 algo acontecendo a\u00ed fora. OK, voc\u00ea pode ter gostado do filme mesmo que exatamente por essa metaforiza\u00e7\u00e3o-quadro-a-quadro, ou talvez porque julga que ele funcione e muito bem enquanto simplesmente cinema. Nenhuma surpresa quanto a isso, n\u00e3o estou \u201ccontra\u201d um eventual e sincero \u201cgostar de Anticristo\u201d, o que seria simplista e absurdo. O caso \u00e9 que o Von Trier blindou a si mesmo de tal forma que, mais de uma vez, j\u00e1 li internet afora que \u00e9 preciso intelig\u00eancia e bagagem cultural para gostar e compreend\u00ea-lo. E ainda, que os detratores de Anticristo n\u00e3o possuem est\u00f4mago ou preferem n\u00e3o ser \u201cdesafiados\u201d cinematograficamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desafio pra mim \u00e9 cantar o hino nacional com a boca cheia de bolacha, j\u00e1 a adjetiva\u00e7\u00e3o prolixa e vazia, essa produz muitas vezes algumas p\u00e9rolas da sem\u00e2ntica, como partir do princ\u00edpio de que qualquer termo sonoro carregado de um senso de \u201cmaldade\u201d \u00e9 sin\u00f4nimo de qualidade imediata e auto-explicativa, tais como \u201cfilme \u2018inc\u00f4modo\u2019, \u2018brutal\u2019, \u2018visceral\u2019, \u2018repulsivo\u2019\u201d, como se em algum universo bizarro do outro lado do espelho a forma n\u00e3o tivesse relev\u00e2ncia alguma em rela\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado. \u00c9 louco isso, e \u00e9 algo que supostamente era pra estar impl\u00edcito (tanto que eu me sinto besta s\u00f3 de transcrever aqui): n\u00e3o interessa o que se filma. Um cachorro pode filmar algo digno dos adjetivos que usei ali em cima (2 Girls 1 Cup \u00e9 um dos v\u00eddeos mais chocantes e repulsivos de todos os tempos, e nem por isso eu o coloco num top 10)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O poder est\u00e1 na c\u00e2mera. Sempre esteve, certo? D\u00eaem uma c\u00e2mera pro Von Trier e uma pro Spielberg (que parece ser o cineasta-oposto pra esse exemplo). Pe\u00e7a pra que os dois filmem uma mutila\u00e7\u00e3o. Pe\u00e7a pra que os dois filmem uma partida de xadrez. N\u00e3o basta narrar o pincel e se esquecer do pintor, n\u00e3o basta jogar elementos em cena e manipul\u00e1-los porcamente, e \u00e9 isso que ocorre com Von Trier. Jogar ao vento cenas de sexo, viol\u00eancia ou raposas falantes como se os objetos simplesmente se bastassem em si, como se a pedra determinasse qualidade da escultura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tudo isso faz de Anticristo uma experi\u00eancia quase insuport\u00e1vel. E que fique claro que, nesse texto, isso n\u00e3o \u00e9 ponto a favor do filme, nem que tenha sido \u201cinten\u00e7\u00e3o\u201d do Von Trier produzir algo deliberadamente desagrad\u00e1vel, o que seria estranhamente conveniente. Uma c\u00e2mera na m\u00e3o chat\u00edssima, quadrada, com uma movimenta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e convulsa, e uma edi\u00e7\u00e3o feita com aquela tesoura que a Gainsbourg usa; \u00e9 como andar num carro velho com suspens\u00e3o fudida enquanto uma paisagem de merda trepida pela janela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E o mais legal de se ter o alvar\u00e1 do experimentalismo estampado na testa \u00e9 que voc\u00ea pode se lixar pra quest\u00f5es de ritmo e narrativa, pode deixar a c\u00e2mera cair no ch\u00e3o porque, afinal, faz tudo \u201cparte do conceito\u201d. O Robson falou algo perfeito sobre isso naquele chat citado no in\u00edcio do texto; disse que se o filme parte como \u201cexperimental\u201d e continua preso ao conceito enquanto \u00e9 visto mundo afora, a experimenta\u00e7\u00e3o ent\u00e3o falhou olimpicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ali\u00e1s, \u00e9 dif\u00edcil se convencer de que n\u00e3o se trata de sarcasmo quando Anticristo \u00e9 classificado por a\u00ed como um filme de terror (alguns ainda completam com \u201cpsicol\u00f3gico\u201d, eu quase caio da cadeira). Von Trier n\u00e3o tem a menor id\u00e9ia de como construir tens\u00e3o, de como manipular atmosfera ou instaurar aquela imin\u00eancia de perigo que quase te faz sentir vulner\u00e1vel ao desconhecido ou sozinho no escuro, arma de tantos mestres da linguagem cinematogr\u00e1fica como Bava, Argento, Carpenter, Kubrick, De Palma, Bergman. Ali\u00e1s, A Hora do Lobo pode ser um paralelo interessante de como realmente se filme o horror mental, porque de fato h\u00e1 essa certa diferen\u00e7a b\u00e1sica entre fazer uma porra WTF foda pra caralho, tipo Lynch, e fazer uma porra WTF que n\u00e3o passa de uma simples porra WTF, tipo curtas experimentais universit\u00e1rios pretensiosos e pedantes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O cinema \u00e9 ef\u00eamero. Vive de um quadro que se acende na tela, de um \u00e2ngulo ou de um movimento em que a luz estava de determinada forma, e que agora j\u00e1 faz parte do passado. \u00c9 som e imagem feito \u00e1gua corrente, e \u00e9 a este tempo presente e incaptur\u00e1vel que a arte de comunicar pertence, fotografando os sentimentos e os deixando adormecer na mem\u00f3ria. A partir do momento em que seu filme falha enquanto \u00e9 luz transcorrendo na tela, ele falha enquanto cinema, e n\u00e3o serve nem pra estar ao lado de um document\u00e1rio da vida animal na prateleira da locadora.<\/p>\n<p>0\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n<p>ou:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/09\/20\/anticristo-antichrist-lars-von-trier-2009\/\">Anticristo<\/a> (Lars Von Trier, 2009) &#8211; Djonata Ramos &#8211; 1\/4<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/12\/10\/anticristo-antichrist-lars-von-trier-2009-3\/\">Anticristo<\/a> (Lars Von Trier, 2009) &#8211; Thiago Duarte &#8211; 3\/4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fal\u00e1vamos, o Djonata, Robson e eu, nessa tarde de domingo enquanto o jogo n\u00e3o come\u00e7ava, sobre todo esse conceito de filmar pela mensagem, n\u00e3o pela pr\u00f3pria imagem instant\u00e2nea correndo na tela. De deliberadamente fazer de seu filme um dependente sine &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/09\/21\/anticristo-antichrist-lars-von-trier-2009-2\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[221,222,413,2526,875,1292],"class_list":["post-4181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentarios","tag-antichrist","tag-anticristo","tag-cannes","tag-cinema","tag-filmes","tag-lars-von-trier"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}