{"id":4000,"date":"2009-08-30T19:56:37","date_gmt":"2009-08-30T22:56:37","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=4000"},"modified":"2009-08-30T19:56:37","modified_gmt":"2009-08-30T22:56:37","slug":"noites-brancas-le-notti-bianche-luchino-visconti-1957","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/08\/30\/noites-brancas-le-notti-bianche-luchino-visconti-1957\/","title":{"rendered":"Noites Brancas (Le Notti Bianche &#8211; Luchino Visconti, 1957)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img188.imageshack.us\/img188\/3690\/noitesbrancas18.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img268.imageshack.us\/img268\/3876\/noitesbrancas10.jpg\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img268.imageshack.us\/img268\/3002\/noitesbrancas8.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Seria o amor um sentimento explic\u00e1vel, com caracter\u00edsticas simples e descrit\u00edveis, existente em sua plenitude somente em um mundo onde a realidade n\u00e3o predomina sobre a imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que dizer ent\u00e3o de suas grada\u00e7\u00f5es &#8211; o amar demais, por exemplo &#8211; uma entrega total a subdivis\u00e3o de um fluxo consciente ut\u00f3pico, onde o real n\u00e3o existe mais? (embora c\u00e1 entre n\u00f3s seja praticamente imposs\u00edvel imaginar algo em que ambas as esferas: realidade e fantasia sejam t\u00e3o disjuntas a esse ponto).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em Noites Brancas, uma obra prima de Luccino Visconti indicada por meu amigo Foras, todos os est\u00e1gios desse sentimento controverso s\u00e3o expostos, independente de seus potenciais destruidores ou compositores na determina\u00e7\u00e3o de nossa felicidade. Felicidade esta tamb\u00e9m inst\u00e1vel, fr\u00e1gil, perturbada. Visconti n\u00e3o nos poupa nem um segundo durante os 107 minutos de proje\u00e7\u00e3o. O di\u00e1logo de sombras com o espectador, as altern\u00e2ncias entre o preto e o branco, o cen\u00e1rio tristonho, as express\u00f5es impotentes dos personagens diante de algo t\u00e3o grandioso&#8230;tudo fala atrav\u00e9s do filme, tudo comp\u00f5e a reprodu\u00e7\u00e3o dos fragmentos que remetem a tal sentimento quando analisados como um todo. \u00c9 preciso cada gota da constru\u00e7\u00e3o dos planos e dos artif\u00edcios cinematogr\u00e1ficos para compor uma est\u00f3ria que ilustra algo t\u00e3o dif\u00edcil de se dizer em palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os personagens s\u00e3o pessoas simples. M\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o simples que no in\u00edcio do filme, Visconti simplesmente se recusa a lhe conferir impon\u00eancia sobre o cen\u00e1rio repleto de sombras e solid\u00e3o. Ele \u00e9 filmado \u00e0 dist\u00e2ncia e tragado por ela, sem qualquer relev\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a um c\u00e3o \u00e0 procura de alimento ou a um grupo de pobres a perambular pelas ruas, ou mesmo uma pequena ponte erguida sobre um riozinho que se estende paralelamente ao asfalto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">T\u00e3o simples quanto ele parece ser a ador\u00e1vel Natalia, cuja dilacera\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica avan\u00e7ada (por\u00e9m ainda assim progressiva) perante a a\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o produzida pelo amor que sentia por um homem misterioso \u00e9 t\u00e3o evidente que ficamos imaginando os limites e preju\u00edzos que podem advir de tal sentimento. A percep\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 de todo incorreta: insanidade parece ser uma possibilidade. Erra, por\u00e9m, diante do poderoso &#8220;amor&#8221;, que mal sabe ele a princ\u00edpio, j\u00e1 o possu\u00eda, cegava e corrompia todo seu ser.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E quando totalmente \u00e0 merc\u00ea de tal advers\u00e1rio, Mario decide lutar em um round injusto, suas pequenas vit\u00f3rias representam momentos bel\u00edssimos. O que dizer da cena da dan\u00e7a no bar, coroada com uma beleza incompar\u00e1vel, mas impregnada com as mesmas contradi\u00e7\u00f5es discutidas anteriormente: as diversas pessoas que se interp\u00f5em entre os dois contrastada com a felicidade estampada nos olhares, que n\u00e3o deixam de se cruzar como se o fluxo de energia fosse constante, a linda melodia contagiante contraposta com o inc\u00f4modo da mo\u00e7a em n\u00e3o saber dan\u00e7ar e os movimentos desajeitados de Mario e Natalia, refletindo em cada segundo nos passos, o sentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ou dos in\u00fameros planos em que cenas se entrecruzam em microambientes distintos, cuidadosamente mostrados por Visconti como por\u00e7\u00f5es que captam todos os elementos em conjunto? A conclus\u00e3o, por mais que sombria, tamb\u00e9m \u00e9 contradit\u00f3ria, de certo modo. E aqui, recomendo a quem n\u00e3o assistiu o filme a parar por aqui e ir correndo procurar esse magn\u00edfico exemplar de como a arte pode ser perfeita. Seria a personagem de Natalie cruel o suficiente para envolver Mario em um ciclo de autodestrui\u00e7\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o infinito ou portadora de um amor t\u00e3o infinito que era capaz de resistir a todos os tipos de tenta\u00e7\u00f5es e manter a for\u00e7a perante o amado, mesmo com a dist\u00e2ncia e a incerteza de sua volta?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E o personagem de Mastroianni, n\u00e3o menos controverso, com rela\u00e7\u00e3o a linda mo\u00e7a morena que parece encantada com ele, mas sofre de sua f\u00faria incontida por um amor n\u00e3o correspondido em rela\u00e7\u00e3o a outra mulher? S\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o no cora\u00e7\u00e3o para um grande amor? Seria o final t\u00e3o questionado pela simpatia de tal protagonista uma puni\u00e7\u00e3o exatamente pelo descaso com rela\u00e7\u00e3o a outras rela\u00e7\u00f5es que poderia ter desenvolvido?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>S\u00edlvio Tavares<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria o amor um sentimento explic\u00e1vel, com caracter\u00edsticas simples e descrit\u00edveis, existente em sua plenitude somente em um mundo onde a realidade n\u00e3o predomina sobre a imagina\u00e7\u00e3o? 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