{"id":3979,"date":"2009-07-26T01:17:16","date_gmt":"2009-07-26T04:17:16","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=3979"},"modified":"2009-07-26T01:17:16","modified_gmt":"2009-07-26T04:17:16","slug":"inimigos-publicos-michael-mann-2009","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/07\/26\/inimigos-publicos-michael-mann-2009\/","title":{"rendered":"Inimigos P\u00fablicos (Public Enemies &#8211; Michael Mann, 2009)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img406.imageshack.us\/img406\/4510\/21189046.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img154.imageshack.us\/img154\/4656\/18370198.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img140.imageshack.us\/img140\/2971\/60777733.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esse \u00e9 o melhor filme do Michael Mann e existe uma raz\u00e3o para tal afirma\u00e7\u00e3o. Mann, esteta e formalista, aqui joga com uma arma que acrescenta ainda mais ao seu cinema de imagens: Mann constr\u00f3i um personagem. Dillinger \u00e9 o resumo de uma era, mas \u00e9 um resumo \u00e0s avessas. Enquanto nos filmes de gangster da d\u00e9cada de 30, mesmo os mais charmosos dos criminosos continuavam como os &#8220;homens maus&#8221;, bandidos mesmo, em Public Enemies, Dillinger \u00e9 um her\u00f3i, um homem popular, recebido em sua pris\u00e3o com ares de estrela de cinema. Dillinger rouba, mas poupa o dinheiro do povo, mata, mas n\u00e3o \u00e9 mostrada no filme nenhum remorso, ou conseq\u00fc\u00eancia desses atos. \u00c9 aquilo e pronto, \u00e9 o homem e sua imagem. E o filme a constr\u00f3i na maior das riquezas, no digital mais pleno j\u00e1 mostrado numa tela de cinema, que revela Dillinger em cada m\u00ednima marca no rosto de Johnny Depp. \u00c9 assim que vemos sua paix\u00e3o por Billie nascer (e a entendemos, em cada poro do rosto admirado de Marion Cotillard, num desempenho fundamental para minha chave de interpreta\u00e7\u00e3o do final), se fundamentar e sua trajet\u00f3ria se modificar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se o in\u00edcio de Public Enemies mostra o destemido Dillinger fazer o que bem entender e sair impune, um super her\u00f3i absoluto, a parte final mostra que Dillinger \u00e9 um homem, mesmo que ele mesmo tente negar essa condi\u00e7\u00e3o. Ele promete coisas que ningu\u00e9m poderia cumprir, muito menos algu\u00e9m na condi\u00e7\u00e3o dele (prometer a Billie morrer velhinho nos bra\u00e7os dela parece at\u00e9 uma piada, mas na qual ele acredita e a faz acreditar tamb\u00e9m), e segue uma trajt\u00f3ria fantasiosa, em sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a complexa muta\u00e7\u00e3o que Depp empreende em seu personagem nos minutos finais, quando Dillinger parece entender que libertar Billie seria sua pr\u00f3pria necessidade de liberdade de si, de sua figura. Dillinger n\u00e3o pode mais prender Billie e n\u00e3o suportar a dor de v\u00ea-la pagar por ele, mas acima disso ele n\u00e3o pode mais ser ele. Ao planejar o assalto ao trem para ter\u00e7a e a partida para quarta, Dillinger d\u00e1 sua \u00faltima mostra de esperan\u00e7a na fantasia: caso n\u00e3o desse certo &#8220;deixar a cena&#8221;, s\u00f3 restaria a ele continuar. Mas ele se deixa pegar, \u00e9 morto do modo mais simples que algu\u00e9m como ele poderia ser; o super her\u00f3i vira ser vivo, mas n\u00e3o perde a \u00e1urea de mito. Dillinger morre em meio ao povo, subitamente (como Gable prega no filme do cinema), mas de modo planejado. Seu modo de se matar, sem precisar sujar as m\u00e3os, de deixar Billie ir, de se libertar enfim.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Billie observa cada passo de Dillinger com extremo zelo e profunda admira\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa admira\u00e7\u00e3o que o p\u00fablico tem pelo criminoso\/her\u00f3i mostrado em tela, e a aceita\u00e7\u00e3o de Billie em fazer tudo que ele pede \u00e9 completamente cr\u00edvel. O amor dela \u00e9 o nosso amor, o olhar dela \u00e9 o nosso olhar. E \u00e9 esse olhar que Mann coloca em perspectiva, na c\u00e2mera subjetiva do olhar de Billie, vendo a lei fechar a porta para sua fantasia, num final magistral para este filme inacredit\u00e1vel!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Thiago Mac\u00eado Correia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">ou: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2010\/01\/29\/inimigos-publicos-public-enemies-michael-mann-2009\/\">Inimigos P\u00fablicos<\/a> (Michael Mann, 2009) &#8211; Silvio Tavares &#8211; 4\/4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse \u00e9 o melhor filme do Michael Mann e existe uma raz\u00e3o para tal afirma\u00e7\u00e3o. Mann, esteta e formalista, aqui joga com uma arma que acrescenta ainda mais ao seu cinema de imagens: Mann constr\u00f3i um personagem. 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