{"id":3826,"date":"2009-06-10T12:49:43","date_gmt":"2009-06-10T15:49:43","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=3826"},"modified":"2009-06-10T12:49:43","modified_gmt":"2009-06-10T15:49:43","slug":"requiem-para-um-sonho-darren-aronofsky-2000","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/06\/10\/requiem-para-um-sonho-darren-aronofsky-2000\/","title":{"rendered":"R\u00e9quiem Para Um Sonho (Requiem for a Dream &#8211; Darren Aronofsky, 2000)"},"content":{"rendered":"<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3829\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2009\/06\/requiem10.jpg\" alt=\"requiem10\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3828\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2009\/06\/requiem3.jpg\" alt=\"requiem3\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3827\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2009\/06\/requiem2.jpg\" alt=\"requiem2\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\nAntes de qualquer pedra: 1.eu n\u00e3o tenho nada contra c\u00e2mera esquizofr\u00eanica, desde que saibam usa-la, e, principalmente, QUANDO usar. 2. Eu n\u00e3o tenho nada contra intelectualismo travestido por narrativa ou est\u00e9tica moderna e etceteras, desde que saibam como fazer. 3. E, definitivamente, eu n\u00e3o tenho nada contra a implanta\u00e7\u00e3o de algum estilo pr\u00f3prio que tenha como \u00fanico objetivo alcan\u00e7ar algum requinte visual (ou audiovisual) ou simplesmente para ser usado como uma muleta narrativa cool (se tivesse, n\u00e3o adoraria o Tarantino, por exemplo), desde que isso seja interessante. Mas o que eu com certeza tenho contra \u00e9 ter que aturar 1 hora e meia de filosofia vazia sendo filmada como se tivessem fazendo um remake de <em>2001<\/em> \u201cdahora\u201d, n\u00e3o na mensagem, mas na suposta pretens\u00e3o de determinado assunto.<\/p>\n<p>Essa porcariazinha que esse sujeito qual nome eu n\u00e3o estou afim de fazer um ctrl c,v, fez, \u00e9 o exerc\u00edcio mais bizonho de inutilidade cinematogr\u00e1fica. <em>R\u00e9quiem Para um Sonho<\/em> \u00e9 simplesmente nada. Ele finge ser tudo, mas n\u00e3o \u00e9 porra nenhuma. Ou seja l\u00e1 o que ele for, \u00e9 muito pouco perto do que ele finge ser.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\nO que R\u00e9quiem Para um Sonho \u00e9? Um filme que trata apenas e exclusivamente das consequ\u00eancias do uso de drogas. Eu uso e vou ficar assim e bl\u00e1,bl\u00e1. O que <em>R\u00e9queim Para um Sonho<\/em> pensa que \u00e9? Ha, muita coisa: pensa que trata da solid\u00e3o, aliena\u00e7\u00e3o emocional, deslocamento no mundo, etc. E \u00e9 filmado de tal forma que fa\u00e7a voc\u00ea acreditar que realmente existe algo por tr\u00e1s de tudo isso, quando na verdade ele ta filmando o vazio.<\/p>\n<p>Vou pegar exemplos pr\u00e1ticos do que <em>R\u00e9quiem Para um Sonho<\/em> \u00e9, e o que ele finge ser: Jennifer Connelly e Jared Leto, est\u00e3o os dois deitados em uma cama, e ent\u00e3o o diretor resolve corta-los, fazendo duas perspectivas na mesma cena, a dela e a dele, e ent\u00e3o \u00e9 um desfile de c\u00e2mera pelos corpos dos dois. Primeiramente h\u00e1 apenas um confronto de olhares, eles obviamente est\u00e3o em uma sintonia emocional fant\u00e1stica, os olhos falam mais que a boca, s\u00e3o dois seres que definitivamente tem muito o que dizer (o diretor sugestiona isso com sua c\u00e2mera), e ent\u00e3o, infelizmente, o sil\u00eancio \u00e9 quebrado, e o que antes era sugerido pelos olhares, agora \u00e9 transformado em poesia pelos jovens rebeldes. \u201cvoc\u00ea \u00e9 a pessoa mais linda do mundo\u201d diz ele, \u201cvoc\u00ea acha mesmo?!\u201d retruca ela, \u201csim, sim&#8230; sei que nunca devem ter te dito isso, mas \u00e9 o que penso\u201d indaga o james dean contemporaneo, \u201cn\u00e3o \u00e9 isso, j\u00e1 me falaram&#8230; mas \u00e9 que antes n\u00e3o significava nada. E agora que voc\u00ea falou, significa, sabe&#8230;?\u201d Sabe? \u00c9&#8230; E depois vai a Jennifer Connelly pra frente do espelho, nua na parte de baixo, e levanta os bra\u00e7os deixando com que uma luz acolhedora branca tome conta do lugar. Cada um pode interpretar como quiser, uns podem achar que ela estava em um estado de liberta\u00e7\u00e3o espiritual muito forte, mais ou menos quando a mente se separa do corpo, ela p\u00f4de se desprender dos elos carnais e se livrar, momentaneamente, dessa terra cheia de injusti\u00e7as, podrid\u00f5es, e aliena\u00e7\u00e3o (aliena\u00e7\u00e3o) que nossa gravidade nos obriga a sermos prisioneiros. Um momento muito belo do cinema. Ou simplesmente levantou os bra\u00e7os para cima enquanto estava nua na parte de baixo, que foi tudo o que aquela cena me disse. Ta, eu sempre sonhei em ver os pelinho pubianos da Jennifer Connelly, mas tinha que ser assim? Mas ok, ta valendo.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\nOu vamos voltar um pouquinho no tempo, quando Jennifer Connelly e Jered Ledo invadem um pr\u00e9dio. Eles v\u00e3o para a cobertura desse, contemplar a linda vista e desprender suas mentes juntos. Depois desse exerc\u00edcio emocional, o diretor comete o erro (de novo, ou primeiramente, tanto faz) de deixar eles falarem, da\u00ed ela reclama dos pais, e ele retruca \u201cpo,mas teus pais s\u00e3o legais, eles te d\u00e3o tudo\u201d da\u00ed ela explica \u201cah, sabe, eles me d\u00e3o comida, dinheiro,estudo, etc,mas n\u00e3o d\u00e3o o principal, sabe? O principal\u201d (sabe?), da\u00ed ele \u201chmmm, tu tem raz\u00e3o. Mas pq tu n\u00e3o pede pra eles (pais filhas da puta) abrirem uma loja pra ti fazer teus desenhos?\u201d da\u00ed ela \u201cta louco, n\u00e3o quero depender deles pra nada\u201d ent\u00e3o ele tenta a ultima cartada \u201cmas pq tu n\u00e3o trabalha ent\u00e3o?\u201d da\u00ed ela da o touch\u00e9 \u201cpq assim eu n\u00e3o teria muito tempo pra ficar contigo\u201d \u00d3unnnnnn, fufis. O di\u00e1logo foi mais ou menos assim, mas n\u00e3o consegui transmitir a mesma eleg\u00e2ncia. Ou seja, j\u00e1 deu pra entender a merda de tudo. O diretor filma eles como se fossem aspirantes a John Lennon, como se tivessem um lado Freudiano onde suas indaga\u00e7\u00f5es transbordassem por suas peles. \u00c9 quase como se ele usasse patins para filma-los, e por certas vezes, confundisse a c\u00e2mera com um violino, \u00e9 tudo muito belo. A grande merda \u00e9 ele n\u00e3o assumir seu filme simplesmente como um choque visual, mostrar as consequ\u00eancias e pronto, um bra\u00e7o podre, uma mulher espumando, uma garota sendo enrabada pra conseguir a droga, etc. A merda \u00e9 que ele sugere algo mais, ele endeusa os personagens, e n\u00e3o faz nada pra que essa expectativa seja alcan\u00e7ada. Ah, e tem o neg\u00e3o tamb\u00e9m, mas desse n\u00e3o quero falar, mas ele tem um lance com a m\u00e3e e tal. Hmmm&#8230;<\/div>\n<p style=\"text-align:justify;\">E, enfim, a Ellen Burstyn&#8230; Chega a ser triste ver o esfor\u00e7o que ela faz pra tornar tudo digno. Ali\u00e1s, isso \u00e9 o mais triste do filme. A atua\u00e7\u00e3o dela ta fenomenal, \u00e9 a \u00fanica que consegue demonstrar a fragilidade e sensibilidade que a personagem exige. Mas a c\u00e2mera desse sujeito&#8230; Ok, ele prefere satirizar a personagem no come\u00e7o, adotar um tom ir\u00f4nico com aqueles glup glup glup e os cacete, usar uma geladeira e televis\u00e3o como vil\u00f5es e tudo mais. Ele \u00e9 um sujeito engra\u00e7ado (mais ainda quando n\u00e3o resolve ser). Mas o sujeito n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de quando parar, ou acalmar. Ele transforma a personagem em uma palha\u00e7a, n\u00e3o digna de pena, mas de indiferen\u00e7a. A Ellen se fode l\u00e1 pra sentirmos pena, mas \u00e9 s\u00f3 indiferen\u00e7a mesmo, ou risos (ok, at\u00e9 tem como sentir pena, mas n\u00e3o da personagem, mas sim da atriz). O cara parece um diretorzinho rec\u00e9m sa\u00eddo da escola de cinema que quer mostrar seu estilo \u201cmuderninho\u201d de filmar, e acaba jogando toda as sutiliezas que certas partes exigiam pelo ralo, devido a esse egocentrismo babaca. \u00c9 um cara que implanta um estilo bobo, que n\u00e3o serve pra porra nenhuma narrativamente, e fica ridiculo visualmente, s\u00f3 pra parecer legalz\u00e3o. \u00c9 daqueles filmes perfeitos pra colocar em perfil do orkut. Tudo que se trata com a personagem da Ellen Burstyn \u00e9 uma muvuca, um tro\u00e7o feio, ruim de assistir. Ele estraga uma personagem ou atua\u00e7\u00e3o, sei l\u00e1, fant\u00e1stica, devido a n\u00e3o ter a minima no\u00e7\u00e3o do rid\u00edculo. O filme parece aquelas festas infantis criadas por uma bagaceira que casa com um velho rico (aquelas com unhas gigantes vermelhas, vestido de oncinha e um sinal que parece um buraco negro no rosto) e agora que tem dinheiro, inventa de fazer tudo sozinha, cheia de palhacinhos e lingua de sogra (e pescaria com brindes). O filme \u00e9 feio visualmente, e um nada no que se refere mensagem. Simplesmente n\u00e3o existe, \u00e9 como se filmassem <em>Todo Mundo em P\u00e2nico<\/em> com Mozart no fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ah, ok, tem uma cena boa: quando as amigas da Ellen Burtyn v\u00e3o at\u00e9 aquela clinica l\u00e1 e encontram ela com os cabelos cortados, toda horr\u00edvel etc, e depois muda pra elas no banco, chorando. A Ellen n\u00e3o fala nada, mas \u00e9 comovente mesmo, e se esse tom fosse adotado desde o come\u00e7o&#8230; Isso \u00e9 um choque visual, apenas. Isso que ele devia ter se assumido,mas n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>E n\u00e3o quero terminar elogiando: o filme \u00e9 uma grande bosta.<\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\">0\/4<\/div>\n<div style=\"text-align:right;\">Thiago Duarte<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de qualquer pedra: 1.eu n\u00e3o tenho nada contra c\u00e2mera esquizofr\u00eanica, desde que saibam usa-la, e, principalmente, QUANDO usar. 2. 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