{"id":369,"date":"2008-07-02T18:29:59","date_gmt":"2008-07-02T20:29:59","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=369"},"modified":"2008-07-02T18:29:59","modified_gmt":"2008-07-02T20:29:59","slug":"ninotchka-ernst-lubitsch-1939","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/02\/ninotchka-ernst-lubitsch-1939\/","title":{"rendered":"Ninotchka (Ernst Lubitsch, 1939)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/media-2.web.britannica.com\/eb-media\/43\/90743-004.jpg\" alt=\"\" width=\"339\" height=\"254\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>\u201cGarbo laughs\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Foi com este slogan que a Metro Goldwin Meyer comp\u00f4s a linha de frente da campanha promocional de Ninotchka, de Ernst Lubitsch, durante aquele que \u00e9 considerado o \u2018Ano de Ouro\u2019 da velha Hollywood \u2013 e do qual \u00e9 um dos meus representantes preferidos. A jogada, t\u00e3o perspicaz quanto qualquer linha de di\u00e1logo deste absurdo ve\u00edculo de comicidade, n\u00e3o apenas representa a brincadeira com a persona cinematogr\u00e1fica de Greta Garbo, atriz pouco utilizada em com\u00e9dias e popular justamente pela intensidade dram\u00e1tica das linhas de seu rosto. Tamb\u00e9m diz muito sobre a pr\u00f3pria estrutura de Ninotchka. N\u00e3o a personagem. O filme.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">S\u00e3o muitas as curiosidades que marcam os bastidores hist\u00f3ricos da produ\u00e7\u00e3o de Ninotchka. A principal delas \u00e9 o encontro de dois dos maiores mestres da com\u00e9dia ligeira, fato na \u00e9poca ainda n\u00e3o sabido pelos respons\u00e1veis deste encontro incr\u00edvel entre o texto de Billy Wilder e a dire\u00e7\u00e3o de Lubitsch. Wilder jamais negou ser filho do cinema de Lubitsch, o que seria uma grande heresia, \u00e9 verdade, mas parece ter encarado seu \u00fanico projeto em conjunto com o grande mestre como uma genu\u00edna aula, sem se satisfazer plenamente com a cadeira de pupilo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O resultado \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o sublime entre a mal\u00edcia e a ironia de Wilder com o romantismo e a agilidade dos filmes de Lubitsch, lidando concomitantemente com temas t\u00e3o distintos como o amor imposs\u00edvel e a s\u00e1tira social sem jamais perder o equil\u00edbrio, e utilizando a pr\u00f3pria sali\u00eancia de Garbo como atriz principal para balancear o imp\u00e9rio de um ou outro estilo de cinema \u2013 tanto \u00e9 que a partir do primeiro riso da protagonista, um momento sempre prometido, mas mantido em suspense minuto a minuto, \u00e9 que a hist\u00f3ria de amor come\u00e7a a se desenrolar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Antes do riso anunciado de Garbo, o que \u00e9 trabalhado \u00e9 o riso de quem v\u00ea. A primeira meia hora \u00e9 praticamente um surto em termos de comicidade. A trama, ambientada durante o dom\u00ednio comunista na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, joga tr\u00eas enviados russos dentro de uma Paris puramente capitalista e recheada de desejos. S\u00e3o tr\u00eas dos personagens secund\u00e1rios mais engra\u00e7ados j\u00e1 vistos, dignos de fazer qualquer filme dos irm\u00e3os Coen passar vergonha \u2013 cuja import\u00e2ncia \u00e9 retomada no ter\u00e7o final, outro luxo de explos\u00e3o c\u00f4mica. \u00c9 durante a prepara\u00e7\u00e3o para a entrada de Garbo que se encontram as principais s\u00e1tiras de Ninotchka \u00e0 guerra de ideologias que marcou o s\u00e9culo XX, sempre embaladas pelas falas certeiras e de duplo sentido \u2013 marca de Lubitsch que Wilder potencializou nas d\u00e9cadas seguintes \u2013 e pelo tom caricatural sempre presente, transformando algumas passagens em um ve\u00edculo t\u00e3o curioso quanto uma charge pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A ironia continua presente ao longo de todo o filme, mas \u00e9 transformada depois do riso em pano de fundo para uma hist\u00f3ria de amor imposs\u00edvel no melhor estilo velha-guarda, sempre deliciosa de se acompanhar e respaldada por um olhar rom\u00e2ntico t\u00e3o inebriante quanto c\u00ednico. E nem mesmo a surpreendente metragem do filme \u2013 s\u00e3o quase duas horas de idas e vindas, coisa pouco comum e usual a uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica \u2013 consegue fazer de Ninotchka um filme menos fascinante, seja pelo texto sempre surpreendente, pelo respaldo inventivo e absolutamente hil\u00e1rio dos coadjuvantes, ou talvez pela impressionante dire\u00e7\u00e3o de Lubitsch, fazendo a c\u00e2mera e o filme flutuarem cena por cena na mesma propor\u00e7\u00e3o em que os p\u00e9s b\u00eabados de Garbo riscam o sal\u00e3o em sua dan\u00e7a embriagada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Dalpizzolo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cGarbo laughs\u201d Foi com este slogan que a Metro Goldwin Meyer comp\u00f4s a linha de frente da campanha promocional de Ninotchka, de Ernst Lubitsch, durante aquele que \u00e9 considerado o \u2018Ano de Ouro\u2019 da velha Hollywood \u2013 e do qual &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/07\/02\/ninotchka-ernst-lubitsch-1939\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[184,330,419,2526,558,560,778,785,1585],"class_list":["post-369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-amor-impossivel","tag-billy-wilder","tag-capitalismo","tag-cinema","tag-comedia-romantica","tag-comunismo","tag-era-de-outro","tag-ernst-lubitsch","tag-ninotchka"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}