{"id":3639,"date":"2009-06-01T13:29:28","date_gmt":"2009-06-01T16:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=3639"},"modified":"2009-06-01T13:29:28","modified_gmt":"2009-06-01T16:29:28","slug":"pacto-sinistro-strangers-on-a-train-alfred-hitchcock-1951","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/06\/01\/pacto-sinistro-strangers-on-a-train-alfred-hitchcock-1951\/","title":{"rendered":"Pacto Sinistro (Strangers On A Train &#8211; Alfred Hitchcock, 1951)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3641\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" title=\"train03\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2009\/06\/train03.jpg\" alt=\"train03\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3642\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" title=\"train01\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2009\/06\/train01.jpg\" alt=\"train01\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3640\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" title=\"train2\" src=\"http:\/\/multiplot.files.wordpress.com\/2009\/06\/train2.jpg\" alt=\"train2\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Traduzido horrendamente para o portugu\u00eas como <em>Pacto Sinistro<\/em> &#8211; com claras inten\u00e7\u00f5es lucrativas -, <em>Strangers<\/em> pode ser visto como a prepara\u00e7\u00e3o de Hitchcock para a consagra\u00e7\u00e3o definitiva em <em>Psicose<\/em>, por v\u00e1rias coisas. Num primeiro momento &#8211; o pr\u00f3prio t\u00edtulo original corrobora essa dedu\u00e7\u00e3o -, Hitchcock ensaia a troca de protagonistas impercept\u00edvel, apesar de isso n\u00e3o passar muito claro diante do segundo fator, que \u00e9 uma das maiores cenas de suspense da d\u00e9cada de 50 (pau-a-pau com os minutos finais de <em>Vertigo<\/em>) e, n\u00e3o seria exagero dizer, de toda a hist\u00f3ria cinematogr\u00e1fica: a do carrossel. Al\u00e9m disso, em <em>Psicose<\/em>, Hitchcock voltaria a filmar em preto-e-branco, para destacar a adrenalina nos momentos de ataque de Norman Bates e, mais claramente, para o seu desfecho de personagem antol\u00f3gico &#8211; e o que isso tem de comum com <em>Strangers<\/em> \u00e9 que o P&amp;B aqui tamb\u00e9m \u00e9 ressaltado em momentos de suma import\u00e2ncia para a narrativa. Guy Haines e Bruno Anthony s\u00e3o dois desconhecidos quaisquer que est\u00e3o no mesmo vag\u00e3o qualquer de um trem qualquer. Anthony, ap\u00f3s puxar papo com o jovem tenista, demonstrando interesse em sua vida extra-curricular, conversa-lhe sobre a troca de crimes, o plano perfeito. Como \u00e9 not\u00e1vel, acompanhando onze filmes da carreira de Hitch em menos de um ano, e para o espectador atento ao estilo dos filmes do diretor, o plano perfeito sempre \u00e9 apresentado por Hitchcock e \u00e9 conduzido como tal at\u00e9 o <em>grand finale<\/em>. Neste caso, o diretor obtem seu primeiro \u00eaxito ao colocar dois atores desconhecidos, mas de efici\u00eancia mutuamente ambidestra: Farley Granger (Guy) aparenta uma certa imaturidade, o que confere um nervosismo extra ao transcorrer do filme, mediante a sapi\u00eancia ousada interpretada por Robert Walker (Bruno).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesse breve di\u00e1logo que os dois t\u00eam dentro do trem, tamb\u00e9m se repara em outra caracter\u00edstica que traz a diferencia\u00e7\u00e3o deste para os demais filmes de Hitch: o emprego do humor sarc\u00e1stico e sujo, com direito a uma cena em que Bruno &#8220;ensina&#8221; a duas senhoras a melhor maneira de fazer um assass\u00ednio, como um m\u00e1gico exibicionista. Por a\u00ed, \u00e9 poss\u00edvel obter uma breve interpreta\u00e7\u00e3o de uma das personagens, por\u00e9m, a an\u00e1lise que Hitchcock faz de ambas, em v\u00e1rios \u00e2mbitos, \u00e9 o que permite flexionar o espectador para a adrenalina final. Sobre o encontro dos dois, v\u00ea-se uma cr\u00edtica \u00e0 publicidade das trocas rom\u00e2nticas, bem como sua interpreta\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria e coletiva muito desviada do que pode ser a realidade (no caso, o Senador, pai de Anne, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o respons\u00e1vel como se espera pela rela\u00e7\u00e3o esperada de Guy); por outro lado, Anthony parece t\u00e3o distante de seus pais &#8211; a m\u00e3e, louca, e o pai, viajante e incapaz de valorizar um momento &#8211; que a sua procura por trabalho \u00e9 insatisfeita, afinal, se h\u00e1 algo que ele n\u00e3o quer \u00e9 uma &#8220;felicidade&#8221; (muito menos um romance como o do protagonista ben\u00e9volo), e, para disfar\u00e7ar o tempo, ele viaja e procura pensar em mirabolantes planos &#8211; quase como se assistino a v\u00e1rios filmes de Hitchcock &#8211; at\u00e9 que consegue a chance de ser reconhecido por algo e por algu\u00e9m, al\u00e9m de ter a chance de se ver livre da fam\u00edlia impresente. Talvez a conclus\u00e3o perfeita do plano n\u00e3o seja um alento para Anthony por tudo, enfim, ter dado certo, ou por obter essa &#8220;folga&#8221;, mas, sim, por ver sua id\u00e9ia ilustrada na realidade e um homem que colaborou e mostrou algum servi\u00e7o de correspond\u00eancia. Eis que Hitchcock muda a protagoniza\u00e7\u00e3o para o lado de Guy, e passamos a ver o plano como algo realmente lun\u00e1tico (at\u00e9 ent\u00e3o, era admir\u00e1vel e digno de torcida), num brilhante exerc\u00edcio narrativo: ter de ser vigiado dia e noite simplesmente por uma conversa num trem <em>qualquer<\/em> com um maluco <em>qualquer<\/em>, que n\u00e3o ousa parar para pensar se d\u00e1 ou n\u00e3o prosseguimento a sua id\u00e9ia. Na conversa que Guy tem com o Senador e Barbara, logo ap\u00f3s o caso de homic\u00eddio, a situa\u00e7\u00e3o c\u00ednica e verdadeira fica colocada bem como a fotografia do filme &#8211; num panorama preto-e-banco -: \u00e9 engra\u00e7ado como soa comum a suspeita policial, Hitch joga com o imagin\u00e1rio do espectador e tem um resultado perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 chegado o momento de decis\u00e3o e os dois lados foram-nos expostos; assim \u00e9 que Alfred cria a sua tens\u00e3o eletrizante desde a cena da partida de t\u00eanis at\u00e9 o desfecho no mesmo parque de divers\u00f5es, capaz de condenar qualquer um, por um mero capricho de um isqueiro. A cena do carrossel deve ter entrado para a galeria do cinema, pois nela h\u00e1 uma quase ininterrupta seq\u00fc\u00eancia de giros e dois personagens lutando ao lado de crian\u00e7as que pretendiam a divers\u00e3o &#8211; e pensam estar obtendo quando a coisa n\u00e3o p\u00e1ra mais e ainda acelera. Al\u00e9m de ter os dois lados do crime em foco, h\u00e1 ainda essa terceira perspectiva, de quem saiu para um dia comum como outro <em>qualquer<\/em>. Em se tratando de filmes de Hitchcock, <em>Strangers on a Train<\/em> \u00e9 um cl\u00e1ssico capaz de trazer o que sua carreira foi mais h\u00e1bil em apresentar, assim como demonstra um preparo pr\u00e9vio a obras futuras, principalmente <em>Psicose<\/em>. E se o sorriso de Norman Bates ilustra o final desse, a \u00faltima fala de Anthony ganha ainda mais valor quando percebida essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">Cassius Abreu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Traduzido horrendamente para o portugu\u00eas como Pacto Sinistro &#8211; com claras inten\u00e7\u00f5es lucrativas -, Strangers pode ser visto como a prepara\u00e7\u00e3o de Hitchcock para a consagra\u00e7\u00e3o definitiva em Psicose, por v\u00e1rias coisas. 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