{"id":3317,"date":"2009-04-24T23:57:37","date_gmt":"2009-04-25T02:57:37","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=3317"},"modified":"2009-04-24T23:57:37","modified_gmt":"2009-04-25T02:57:37","slug":"solaris-andrei-tarkovsky-1972","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/04\/24\/solaris-andrei-tarkovsky-1972\/","title":{"rendered":"Solaris (Solyaris &#8211; Andrei Tarkovsky, 1972)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img16.imageshack.us\/img16\/3695\/sol02x.jpg\" alt=\"\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img18.imageshack.us\/img18\/6668\/sol03.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px 1px;\" src=\"http:\/\/img18.imageshack.us\/img18\/9199\/sol01.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p><em>&#8220;S\u00f3 me interessa a verdade. N\u00e3o posso guiar-me por impulsos da alma. N\u00e3o sou poeta.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mais uma tour de force de quase 3 horas. E quando se fala de Tarkovski \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o sentida na pele mesmo, cada minuto \u00e9 de fato um minuto. E aqui o Tarkovski-way me deixou um pouco de saco cheio&#8230; Toda a primeira parte do filme, apesar de decorada com imagens sa\u00eddas de sonho, di\u00e1logos fant\u00e1sticos e exposi\u00e7\u00e3o de plot que ati\u00e7a a curiosidade do verdadeiro cin\u00e9filo, \u00e9 complicada de acompanhar, j\u00e1 que o Tark n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para a paci\u00eancia do expectador e d\u00e1-lhe sequ\u00eancias inteiras de 5 minutos em que nada acontece, exceto o sono pesado por parte de quem se aventura a assistir.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mesmo assim, nesta primeira parte Tark acaba sendo bem sucedido ao aprontar o mote do que vir\u00e1. Chris Klein, o psiquiatra pragm\u00e1tico e c\u00e9tico ter\u00e1 a oportunidade de fazer o que qualquer ateu fundamentalista sonha mas n\u00e3o consegue levar a cabo: p\u00f4r fim \u00e0 cren\u00e7a naquilo que transcende a compreens\u00e3o (limitada) humana. Mal sabe ele que seu ju\u00edzo ser\u00e1 colocado \u00e0 prova quando ele chegar na esta\u00e7\u00e3o na \u00f3rbita do planeta t\u00edtulo e se deparar com sua pr\u00f3pria consci\u00eancia, intensificando sua crise existencial j\u00e1 profunda quando o filme tem in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Solaris, da mesma forma como Stalker, discursa em favor da cren\u00e7a, da f\u00e9. O incr\u00e9dulo (aqui protagonista) sofrer\u00e1 o diabo a menos que reconhe\u00e7a a sua pequenez e assuma que a sua incredulidade responde d\u00favidas at\u00e9 a primeira esquina. Dali em diante, ou ele cr\u00ea ou ele pira.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tecnicamente falando o filme \u00e9 aquele desbunde que se espera do Tarkovski e que ele entrega com a efici\u00eancia de sempre. O filme cresce assustadoramente quando Kelvin finalmente chega na Esta\u00e7\u00e3o Solaris e o que se segue \u00e9 quase um filme de terror com vultos passando, sil\u00eancio inquietante, um clima realmente assustador. Mas n\u00e3o p\u00e1ra a\u00ed. Os personagens da Esta\u00e7\u00e3o representam as concep\u00e7\u00f5es de mundo de uma humanidade em crise. Uma crise da verdade, onde o relativismo dita as regras; uma crise do pragmatismo, onde a busca pelo conhecimento em todos os seus n\u00edveis \u00e9 sacrificado pela demanda de um resultado concreto, palp\u00e1vel, cr\u00edvel. E, por fim, uma crise onde o homem se mostra totalmente incapaz de lidar com todas as camadas do universo que o cerca e que o forma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Li em algum lugar que Solaris era um &#8220;ensaio&#8221; para o que viria a se tornar Stalker. Depois de v\u00ea-lo, concordo plenamente, para o bem e para o mal. Solaris vai pegando pelas bordas, como um gourmet que come\u00e7a a apreciar sua refei\u00e7\u00e3o pelas beiradas; Stalker vai no ponto nevr\u00e1lgico da quest\u00e3o. E esse &#8220;ensaio&#8221; poderia muito bem explicar a falta de ritmo da primeira parte do filme&#8230; Ou talvez tenha sido o meu sono mesmo que interrompeu o processo de total imers\u00e3o no filme&#8230; Quem sabe o filme n\u00e3o cresce na revisada?<\/p>\n<p>3\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Daniel Costa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;S\u00f3 me interessa a verdade. N\u00e3o posso guiar-me por impulsos da alma. 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