{"id":3263,"date":"2009-04-14T15:31:25","date_gmt":"2009-04-14T18:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=3263"},"modified":"2009-04-14T15:31:25","modified_gmt":"2009-04-14T18:31:25","slug":"a-lua-na-sarjeta-la-lune-dans-le-caniveau-%e2%80%93-jean-jacques-beineix-1983","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/04\/14\/a-lua-na-sarjeta-la-lune-dans-le-caniveau-%e2%80%93-jean-jacques-beineix-1983\/","title":{"rendered":"A Lua na Sarjeta (La Lune dans le Caniveau \u2013 Jean-Jacques Beineix, 1983)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img23.imageshack.us\/img23\/567\/vlcsnap7552.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img253.imageshack.us\/img253\/1033\/vlcsnap732669.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-top:2px;margin-bottom:2px;border:2px solid black;\" src=\"http:\/\/img23.imageshack.us\/img23\/2027\/vlcsnap725994.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"71\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A Lua na Sarjeta \u00e9 todo filmado como num estado de del\u00edrio, situado num mundo de sonhos e desilus\u00f5es onde as emo\u00e7\u00f5es ganham luzes, texturas e neblina regidas pela est\u00e9tica on\u00edrica e pela sensibilidade em carne viva de Jean-Jacques Beineix. A dor, a frustra\u00e7\u00e3o, a vingan\u00e7a, a raiva e a paix\u00e3o como elementos impregnados, todos juntos, em cada cent\u00edmetro da atmosfera irreal mista de noir e pesadelo que recai sobre o filme ap\u00f3s a bel\u00edssima seq\u00fc\u00eancia inicial, abrindo as portas de um mundo que anoiteceu sem que o dia seguinte jamais chegasse a nascer outra vez. Porque o dia seguinte j\u00e1 est\u00e1 morto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">G\u00e9rard (vivido cheio de ternura e solid\u00e3o por G\u00e9rard Depardieu) \u00e9 um estivador que vaga todas as noites pelas ruas do porto em busca do assassino de sua irm\u00e3, ou em busca de si mesmo, ou em busca de algo para buscar, quando encontra Loretta, a deusa em forma de Nastassja Kinski [\/redund\u00e2ncia].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E Loretta invade o filme como uma apari\u00e7\u00e3o. Ela entra no bar filmada de baixo, sob um contraluz dourado, passa por um n\u00e9on amarelo e a c\u00e2mera come\u00e7a a girar pelo ambiente, como se ela tivesse gravidade, enquanto rel\u00e2mpagos cruzam pelas janelas e uma trilha a la old hollywood toca ao fundo. O tempo p\u00e1ra, o filme entra em outra dimens\u00e3o, tudo para que Beineix celebre sua femme fatale presenteada com o dom de roubar o universo todo para si e transform\u00e1-lo numa extens\u00e3o do seu dom\u00ednio, auto proclamando-se (atrav\u00e9s dos olhos de G\u00e9rard, filtro entre o mundo de Beineix e o do p\u00fablico) como o \u00faltimo rastro de beleza pelas ruas do porto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A Lua na Sarjeta \u00e9 um filme sobre medo, culpa, sonhos desfeitos. Segundas e terceiras chances. E Loretta \u00e9 um esp\u00edrito sobre o \u00faltimo trem do fundo da merda em dire\u00e7\u00e3o ao miolo das nuvens, e a uma sa\u00edda do pesadelo, ou a um sono ainda mais profundo. E G\u00e9rard tenta se deixar levar, permiti-se ao desconhecido e \u00e0 possibilidade vaga de uma outra forma mais rara e mais forte de amor pela primeira e \u00faltima vez, sentindo-se enfim como um ladr\u00e3o, no poder de algo que n\u00e3o lhe pertence ou que n\u00e3o lhe inspira o \u00fanico sentimento com o qual est\u00e1 acostumado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que h\u00e1 de mais belo na constela\u00e7\u00e3o tecida por Jean-Jacques Beineix \u00e9, ao fim de tudo, a falha converter-se em dire\u00e7\u00e3o e a impot\u00eancia em \u00fanica rota poss\u00edvel. Encarar a penit\u00eancia do mundo como um castigo merecido e a tristeza da alma como um sinal pulsante de que, com sorte, ainda h\u00e1 alguma alma para se sentir triste, e que a felicidade \u00e9 na verdade um bem que G\u00e9rard n\u00e3o saberia jamais administrar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Isso porque A Lua na Sarjeta \u00e9 um filme sobre um homem feito de carne, sangue, remorso, fraqueza e vingan\u00e7a que, na falta de um alvo, resta desabar sobre ele mesmo, punindo-se com a forma de castigo mais cruel e nociva que j\u00e1 vi num filme: o veto aos pr\u00f3prios sonhos.<\/p>\n<p>4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\"><em>Screenshots!<\/em>: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/11\/04\/screenshots-nastassja-kinski-em-a-lua-na-sarjeta-jean-jacques-beineix\/\">A Lua na Sarjeta<\/a> (Jean-Jacques Beineix, 1983)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lua na Sarjeta \u00e9 todo filmado como num estado de del\u00edrio, situado num mundo de sonhos e desilus\u00f5es onde as emo\u00e7\u00f5es ganham luzes, texturas e neblina regidas pela est\u00e9tica on\u00edrica e pela sensibilidade em carne viva de Jean-Jacques Beineix. &hellip; <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/04\/14\/a-lua-na-sarjeta-la-lune-dans-le-caniveau-%e2%80%93-jean-jacques-beineix-1983\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[81,2526,513,875,924,1172,1282,1558,1564],"class_list":["post-3263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-a-lua-na-sarjeta","tag-cinema","tag-cinema-frances","tag-filmes","tag-gerard-depardieu","tag-jean-jacques-beineix","tag-la-lune-dans-le-caniveau","tag-nastassja-kinski","tag-neon-realismo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}