{"id":291,"date":"2008-06-16T19:57:54","date_gmt":"2008-06-16T21:57:54","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=291"},"modified":"2008-06-16T19:57:54","modified_gmt":"2008-06-16T21:57:54","slug":"fim-dos-tempos-m-night-shyamalan-2008","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/06\/16\/fim-dos-tempos-m-night-shyamalan-2008\/","title":{"rendered":"Fim dos Tempos (M. Night Shyamalan, 2008)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/i29.tinypic.com\/2nu61s1.jpg\" alt=\"\" width=\"483\" height=\"256\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Cont\u00e9m spoilers:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A curiosidade \u00e9 uma das caracter\u00edsticas humanas mais arraigadas. E, como tal, apresenta-se nas configura\u00e7\u00f5es mais diversas ao decorrer da vida de um indiv\u00edduo, mas jamais desaparece.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na inf\u00e2ncia se manifesta de forma expl\u00edcita, simples e \u00f3bvia. As perguntas formuladas nesta fase s\u00e3o claras e diretas, sinais de intelig\u00eancia para a crian\u00e7a ou at\u00e9 mesmo constrangimento de seus receptores em alguns casos. Mas h\u00e1 de se dizer que, durante este per\u00edodo, a curiosidade sempre \u00e9 observada a fim de avaliar o potencial do futuro adulto de construir sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de responsabilidade, sucesso e prosperidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c0 medida que crescemos, nos tornamos mais sofisticados. Pouco sabemos sobre o mundo que nos cerca (assim como n\u00e3o sab\u00edamos quando \u00e9ramos crian\u00e7as), mas tudo se torna mais complicado, as perguntas mais elaboradas, as formas de exibirmos nossa ignor\u00e2ncia perante o universo encontra formas mais dissimuladas. E quanto mais alto o n\u00edvel, mais diferentes s\u00e3o as perguntas, mais sofisticadas. A ci\u00eancia &#8220;institucionaliza&#8221; o processo por completo. A poderosa ferramenta racional estabelece m\u00e9todos descritos minuciosamente (ao menos em teoria), confere subst\u00e2ncia \u00e0 pr\u00e1tica de sua utiliza\u00e7\u00e3o e enumera conceitos e condi\u00e7\u00f5es para aceita\u00e7\u00e3o dentre as diversas correntes de pensamento cient\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fala-se muito no que podemos explicar. De todo o conhecimento obtido at\u00e9 hoje extra\u00edmos subst\u00e2ncias que comp\u00f5em medicamentos que salvam vidas de pessoas por doen\u00e7as outrora catastr\u00f3ficas, constru\u00edmos complexos computadores capazes de coordenar o tr\u00e2nsito de uma grande metr\u00f3pole, interligamos pessoas atrav\u00e9s de meios de comunica\u00e7\u00e3o inimagin\u00e1veis h\u00e1 um s\u00e9culo atr\u00e1s, enfim, tornamos a vida um &#8220;bem&#8221; mais duradouro e muito mais agrad\u00e1vel.<br \/>\nMas&#8230;e o que n\u00e3o podemos explicar? E nas situa\u00e7\u00f5es onde a ferramenta racional n\u00e3o \u00e9 adequada? E quando todas as explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis possuem falhas? O que acontece com nossa curiosidade?<br \/>\n\u00c9 justamente nessa lacuna que o novo filme de M. Night Shyamalan encontra sua maior d\u00e1diva (e, por consequ\u00eancia, seu maior risco). A vingan\u00e7a da natureza contra os homens j\u00e1 fora tratada em outras proje\u00e7\u00f5es, ineg\u00e1vel, mas n\u00e3o h\u00e1 simplifica\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica em &#8220;Fim dos Tempos&#8221;, uma vez que o filme traz \u00e0 tona as possibilidades de an\u00e1lise do fen\u00f4meno natural. Explicar o inexplic\u00e1vel, um enigma da ci\u00eancia, n\u00f3s a serem desatados por in\u00fameras m\u00e3os atrav\u00e9s do conhecimento agregado por s\u00e9culos de estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enquanto normalmente as explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o estapaf\u00fardias ou simplesmente se evita falar a respeito das causalidades de algo que distorce nossa no\u00e7\u00e3o de l\u00f3gica, em Fim dos Tempos elas est\u00e3o ali, tentando desesperadamente satisfazer a curiosidade das v\u00edtimas e a nossa&#8230;mas elas n\u00e3o funcionam, simplesmente n\u00e3o funcionam. Todas as possibilidades avaliadas possuem problemas. E Shyamalan parece se deliciar fazendo o m\u00e1ximo para que isso ocorra (e, talvez, mesmo brincar com seus abundantes detratores instigando-os a questionar se o que presenciamos \u00e9 sua genialidade ou erros abruptos no roteiro).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os estranhos e devastadores eventos na Costa Leste dos Estados Unidos s\u00e3o retratados de modo aterrorizante e a atmosfera sufocante chega a nos envolver por completo em alguns pontos (a cena da morte dos garotos \u00e9 desesperadora, por exemplo), gerando calafrios terr\u00edveis na espinha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 nesse ponto que os problemas de Fim dos Tempos come\u00e7am a se tornar mais evidentes, por outro lado. As excessivas tiradas de humor, irritantes, em sua maioria, impedem uma intera\u00e7\u00e3o mais perturbadora da est\u00f3ria com o espectador, ocasionando um contraste com o descrito no par\u00e1grafo anterior que n\u00e3o funciona nada bem para a receptividade do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Adicione-se a este elemento personagens insossos, sem profundidade psicol\u00f3gica e interpreta\u00e7\u00f5es pavorosas de Mark Walhberg (que jamais deveria ter sido escolhido para o papel, soa extremamente artificial nos momentos mais tensos) e de Zoey Deschanel (bel\u00edssima fisicamente, mas horr\u00edvel em todas as apari\u00e7\u00f5es) e, infelizmente, o resultado \u00e9 um filme irregular, que peca pelos minutos finais por excesso de detalhes (especialmente com a rela\u00e7\u00e3o &#8220;eventos-tempo&#8221;), peca por algumas situa\u00e7\u00f5es rid\u00edculas que n\u00e3o se encaixam no contexto s\u00e9rio do tema (o t\u00e3o falado deboche) e que desperdi\u00e7a uma grande id\u00e9ia com instrumentos inadequados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, sem d\u00favida, \u00e9, no m\u00ednimo curiosa a abordagem de Shyamalan, e apesar de longe de ser um filme excelente, proporciona um bom divertimento. O controverso diretor est\u00e1 de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">2\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>S\u00edlvio Tavares<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">ou: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/11\/24\/fim-dos-tempos-m-night-shyamalan-2008-2\/\">Fim dos Tempos<\/a> (M. Night Shyamalan, 2008) &#8211; Thiago Duarte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cont\u00e9m spoilers: A curiosidade \u00e9 uma das caracter\u00edsticas humanas mais arraigadas. E, como tal, apresenta-se nas configura\u00e7\u00f5es mais diversas ao decorrer da vida de um indiv\u00edduo, mas jamais desaparece. Na inf\u00e2ncia se manifesta de forma expl\u00edcita, simples e \u00f3bvia. 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