{"id":288,"date":"2008-06-16T19:47:02","date_gmt":"2008-06-16T21:47:02","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=288"},"modified":"2008-06-16T19:47:02","modified_gmt":"2008-06-16T21:47:02","slug":"sinais-m-night-shyamalan-2002","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2008\/06\/16\/sinais-m-night-shyamalan-2002\/","title":{"rendered":"Sinais (Signs &#8211; M. Night Shyamalan, 2002)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/www.falhanossa.com.br\/Signs2.jpg\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"291\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A imin\u00eancia de perigo sustentada pela casa envolta de um imenso milharal \u00e9 mantida num n\u00edvel que serve de base pra toda arquitetura visual de Shyamalan em Sinais. Nem em A Vila, mesmo num ambiente amplificado pela \u00e9poca em que o diretor situa o lugar, a sensa\u00e7\u00e3o de isolamento e abandono \u00e9 t\u00e3o forte, t\u00e3o depressiva e angustiante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A mim pouco importa a sub trama da reconquista da f\u00e9 e de uma unidade familiar anteriormente toda amputada e espalhada pelos c\u00f4modos de uma \u00fanica casa. Porque Sinais \u00e9 um filme em que todos os elementos s\u00e3o coadjuvantes uns dos outros, desfilando sob a \u00e9gide escravizante de uma atmosfera de tens\u00e3o que Shy resgata dos panos de fundo e traz a primeiro plano, exibindo seus personagens n\u00e3o sobrepostos a este len\u00e7ol, mas detr\u00e1s dele, por sua vez trespassado de uma mera sombra do que em tese precisaria ser o epicentro apenas iluminado pelos efeitos taquic\u00e1rdicos da ambienta\u00e7\u00e3o que M. Night Shyamalan consegue tecer. E apesar da historinha do padre ser bem boazinha e em algumas vezes at\u00e9 tocante, ela mesma serve de degrau para momentos de verdadeira claustrofobia cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sinais tem algumas das melhores cenas de Shyamalan, halos de redemoinhos sensoriais aos que um espectador pode experimentar, limitadamente, em alguns poucos filmes organiz\u00e1veis nos dedos. O modo absoluto com que o diretor compreende a sensa\u00e7\u00e3o sufocante de algu\u00e9m circundando a casa \u00e9 o catalisador de todos os grandes momentos dessa obra-prima de ess\u00eancia do suspense. O local por si s\u00f3 j\u00e1 pressup\u00f5e uma vaga amea\u00e7a (o milharal d\u00e1 ao mesmo tempo uma no\u00e7\u00e3o de amplitude e de lugar gradeado num contraste entre a imensid\u00e3o do nada por v\u00e1rios quil\u00f4metros \u2013 refor\u00e7ando a id\u00e9ia de que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m por perto para ajudar \u2013 e a sensa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel de n\u00e3o haver para onde fugir).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se a silhueta no telhado \u00e9 quase paralisante, o que se faz posteriormente provoca olhares para os lados em quem assiste, apenas no uso do som e da sugest\u00e3o de que qualquer coisa est\u00e1 prestes a saltar sobre o personagem, que no caso, \u00e9 voc\u00ea mesmo, j\u00e1 que aqui n\u00e3o apenas testemunhamos uma fam\u00edlia numa casa, mas fazemos parte dela. Shy isola o espectador jogando-o na ilus\u00e3o de um ser invis\u00edvel sujeito a tudo quanto \u00e9 poss\u00edvel neste universo f\u00edlmico, tornando todas as c\u00e2meras subjetivas, numa das mais eficientes imers\u00f5es que eu j\u00e1 vi. Sinais me engoliu pra dentro dele nos seus cento e poucos minutos, e eu escapei nem sei como.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tem umas coisas especialmente perturbadoras. Graham com a lanterna no milharal \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o exata de um pesadelo no qual, por mais que se corra, voc\u00ea parece n\u00e3o sair do lugar. E o grande centro de gravidade de Sinais, a cena no por\u00e3o, \u00e9 apenas daquelas poucas indiz\u00edveis e inexplic\u00e1veis \u00e0s quais temos o prazer de nos render. A melhor coisa que o indiano j\u00e1 fez na carreira, e uma das cenas mais opressivas e movedi\u00e7as j\u00e1 criadas (e preciso me lembrar disso pra um pr\u00f3ximo top! do g\u00eanero), na precis\u00e3o da coreografia, na simetria de cada micro composi\u00e7\u00e3o enquadrada nos limites claustrof\u00f3bicos daquele por\u00e3o, e na utiliza\u00e7\u00e3o incisiva de elementos de cena por interfer\u00eancia direta no arranjo da pr\u00f3pria cena, como pode ser visto nas varia\u00e7\u00f5es de luz planejadas por Shyamalan e que parecem transcorrer ao acaso, num processo org\u00e2nico que, repito, encarna e aprisiona o espectador num personagem impotente dentro do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na verdade, o terceiro ter\u00e7o todo de Sinais \u00e9 inesquec\u00edvel. O pr\u00f3prio trecho que precede a cena do por\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria bruta do \u2018algu\u00e9m rondando a casa\u2019 citado anteriormente, e do som como l\u00e2mina do suspense, pelo qual Shy representa a progress\u00e3o dos invasores entrando no lugar. \u00c9 tamb\u00e9m no som que a simples presen\u00e7a do monitorador de beb\u00eas como indicador de proximidade de perigo traz boas lembran\u00e7as de Silent Hill (o game) e aquele ru\u00eddo aterrorizante do radinho. Ali\u00e1s, o filme do Christopher Gans s\u00f3 n\u00e3o deu certo pela aus\u00eancia do elemento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sou do bloco do eu sozinho que considera Sinais um dos maiores suspenses de todos os tempos. \u00c9 um dos poucos filmes que conseguem me prender pelos ombros, me arrastar e me mergulhar completamente no seu universo, atingindo aquele efeito limite, o ponto mais alto at\u00e9 onde o cinema pode chegar, a justificativa mais sint\u00e9tica para a exist\u00eancia desta arte audiovisual teoricamente t\u00e3o limitada no que tange \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es que fogem \u00e0 superf\u00edcie do contato sonoro ou visual: me fazer despencar para dentro de um outro mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">4\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Luis Henrique Boaventura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">ou: <a href=\"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/06\/04\/sinais-signs-m-night-shyamalan-2002\/\">Sinais<\/a> (M. Night Shyamalan, 2002) &#8211; Rodrigo Jordao &#8211; 4\/4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imin\u00eancia de perigo sustentada pela casa envolta de um imenso milharal \u00e9 mantida num n\u00edvel que serve de base pra toda arquitetura visual de Shyamalan em Sinais. 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