{"id":2879,"date":"2009-02-16T16:34:11","date_gmt":"2009-02-16T18:34:11","guid":{"rendered":"http:\/\/multiplot.wordpress.com\/?p=2879"},"modified":"2009-02-16T16:34:11","modified_gmt":"2009-02-16T18:34:11","slug":"o-curioso-caso-de-benjamin-button-david-fincher-2008","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/multiplotcinema.com.br\/antigo\/2009\/02\/16\/o-curioso-caso-de-benjamin-button-david-fincher-2008\/","title":{"rendered":"O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher, 2008)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border:black 2px solid;margin:2px;\" src=\"http:\/\/img102.imageshack.us\/img102\/3353\/51092772gr7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>por Cassius Abreu<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cViver, e n\u00e3o ter a vergonha de ser feliz&#8230;\u201d, j\u00e1 cantava Gonzaguinha h\u00e1 muito tempo. Uma m\u00fasica de letra t\u00e3o comum, mas de forte apelo emocional; descrevendo a vida de todos n\u00f3s, com os clich\u00eas bem aplicados. O Curioso Caso de Benjamin Button, a superprodu\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de David Fincher, objetiva trazer \u00e0 tela este mesmo sentimental coletivo atrav\u00e9s de uma personagem singular. Tanto o ponto de partida do enredo \u2013 da personagem, que poderia ser muito bem explorada pela sua individulidade \u00fanica, com a quest\u00e3o do retrocesso f\u00edsico e o envelhecimento ps\u00edquico com a dualidade de a velhice, muitas vezes, ser um caminho para o est\u00e1gio de beb\u00ea, s\u00f3 que caminho com destino final \u2013 como naquilo que tenta contar e cantar \u2013 \u201cque a vida \u00e9 bonita, \u00e9 bonita e \u00e9 bonita\u201d \u2013, o filme de Fincher acaba escapando dos eixos e sendo extremamente perfeccionista para algo t\u00e3o simples.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c0 primeira vista, a impress\u00e3o que tive de Benjamin Button foi a de um filme enganoso. A expectativa por uma hist\u00f3ria diferencial, como no conto que serviu de inspira\u00e7\u00e3o ao roteiro do oscariz\u00e1vel Eric Roth, talvez tivesse afetado a primeira perspectiva, mas ainda traz coisas v\u00e1lidas. \u00c9 not\u00f3rio que O Curioso Caso acaba n\u00e3o sendo, se me permitem o pablismo, nada curioso. O problema est\u00e1 justamente na abordagem inicial da trama, prometendo uma s\u00e9rie de quest\u00f5es com a personagem misteriosa e cheia de ricas met\u00e1foras (como na hist\u00f3ria do relojoeiro, que introduz o filme nos tempos de Benjamin, todavia mostra-se apenas uma muleta sem v\u00ednculo representativo ao destino das personagens; soando, ao final, como uma tentativa de densificar a curiosidade que cercar\u00e1 Benjamin), para, depois, tratar sua figura principal como totalmente normal \u2013 n\u00e3o no sentido comum da palavra, ou seja, um \u201calgu\u00e9m\u201d diferente que \u00e9 tratado como um qualquer (e vivam as diferen\u00e7as e aquele velho bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1). A normalidade, na verdade, \u00e9 que as quest\u00f5es f\u00edsicas e diferencias de Button jamais s\u00e3o exploradas para valer, sem gerar desconfian\u00e7as ou intrigas de qualquer personagem (h\u00e1, apenas, uma rea\u00e7\u00e3o estupefata de m\u00e9dicos e idosos no asilo em que Benjamin \u00e9 abrigado, no come\u00e7o do filme). E isso incomoda por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es, atreladas \u00e0 segunda vis\u00e3o que se tem da obra em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Servindo como um retrato da vida, naquele destino corriqueiro de encontros \u00fanicos, experi\u00eancias dolorosas, mortes \u00e0 volta, celebra\u00e7\u00f5es e dramas, at\u00e9 chegar ao nosso \u00faltimo suspiro, O Curioso Caso de Benjamin Button \u00e9 incapaz de atrair o espectador pela longa dura\u00e7\u00e3o. A\u00ed que a dita curiosidade poderia fazer a diferen\u00e7a; s\u00f3 que, deixada de lado, aos poucos ignora, tamb\u00e9m, o interesse da plateia. Mais do que isso: se o objetivo \u00e9 retratar as fases da vida como um todo, por que tanta \u00eanfase no pr\u00edncipio, com Pitt velho\u00a0descobrindo as coisas? Para deixar bem \u00e0 mostra a maquiagem e os efeitos, na procura por pr\u00eamios, al\u00e9m de poder contar trajet\u00f3rias bonitinhas, como a viagem com o marinheiro? Por que, ent\u00e3o, a dispensa na vida dele nos momentos infanto-juvenis e de beb\u00ea? Uma edi\u00e7\u00e3o descuidada, pegando um di\u00e1rio de uma Cate Blanchett (todo mundo j\u00e1 falou, mas n\u00e3o custa repetir: totalmente desaparecida debaixo da maquiagem, sem capaz de demonstrar qualquer express\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o) idosa como justificativa para a falta de assuntos mais adiante \u2013 ou a simples pressa em encerrar o filme. Particularmente, os momentos finais foram-me at\u00e9 certo ponto agrad\u00e1veis, afinal convivo com idosos e sei das dificuldades quanto ao esquecimento, e O Curioso Caso, neste ponto, quase chegou a fazer com que eu mudasse de opini\u00e3o. No entanto, por mais uma vez o filme \u00e9 ralo no tratamento de certo assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Falando nisso, a hist\u00f3ria de Benjamin \u00e9 uma tentativa de Roth de repetir seu Forrest Gump, s\u00f3 que sem o carisma de Tom Hanks ou a m\u00e3o mais sens\u00edvel de Zemeckis \u2013 Fincher deveria voltar aos conceitos est\u00e9ticos que at\u00e9 aqui me irritaram (afinal, o perfeccionismo tem de ser traduzido em algo positivo ao filme, a meu ver&#8230; \u00c9 como uma escola de samba, em que os carros e fantasias luxuosas valem apenas 20% do todo; sem contagiar \u00e9 muito pouco, e, \u00e0s vezes, o pr\u00f3prio brilhantismo e riqueza de carros \u2013 aqui a parte t\u00e9cnica \u2013 atrapalham a desenvoltura do \u2018humano\u2019) \u2013, uma vez que passa por momentos at\u00edpicos da hist\u00f3ria norteamericana, entrando de carona na quest\u00e3o negra \u2013 Taraji P. Henson fez o qu\u00ea de t\u00e3o destac\u00e1vel ali? \u2013, a Guerra Mundial e o Katrina. S\u00f3 faltou a crise; e a prop\u00f3sito, dinheiro jamais \u00e9 problema para Button, mesmo tendo sido renegado ele ganha apoio do pai (a volta deste \u00e9 outro momento esquec\u00edvel do filme; inconclusiva), dono da f\u00e1brica de but\u00f5es Button\u2019s Button, \u00f4 piadinha s\u00f4 (e as dos sete raios no velhinho foram dose). Somente quando romanceia o enredo mais a fundo o filme tem certo destaque, seja na personagem de Tilda Swinton, guerreira para a vida e verdeiro exemplo, seja no amor entre Button e Daisy, incapaz de ser afastado pelo tempo e pela idade \u2013 a\u00ed entra uma cena de sexo totalmente vexamat\u00f3ria e descart\u00e1vel, com um Pitt garot\u00e3o e uma Blanchett al\u00e9m da maturidade, fisicamente falando.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Curioso Caso de Benjamin Button poderia ter sido mais inovador, mas tamb\u00e9m poderia ter trilhado a mesma id\u00e9ia, s\u00f3 que aprendido com a can\u00e7\u00e3o O Que \u00c9, O Que \u00c9 antes de faz\u00ea-lo; afinal, um Brad Pitt sorrindo e sem mudan\u00e7a de rea\u00e7\u00e3o mais alguns fatos pitorescos e um personagem bizarrinho, com um romance lan\u00e7ado no meio, n\u00e3o s\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o mais eficiente da vida. Eu ainda prefiro a pureza da resposta das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>1\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>por Adney Silva<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Estava bastante empolgado por esse filme. Afinal de contas, o tema de &#8220;O Curioso Caso de Benjamin Button&#8221; seria perfeito para um diretor como David Fincher. S\u00f3 que, infelizmente, ao inv\u00e9s de imprimir o sua marca\u00a0(tal como fez em &#8220;Zod\u00edaco&#8221;, por exemplo), o diretor adota um estilo de dire\u00e7\u00e3o pouco comum em rela\u00e7\u00e3o ao que conhecemos dele, produzindo um filme que, se n\u00e3o \u00e9 um desastre, tampouco merece ser digno de nota.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Talvez o maior problema seja a sua perda de ritmo conforme o seu desenrolar. A primeira parte \u00e9 legal, com aquele clima de conto (refor\u00e7ado pela narra\u00e7\u00e3o em off), abordando os primeiros anos de vida de Button. Entretanto, a partir da\u00ed, o filme sofre muito com altos e baixos, especialmente quando a personagem da Cate Blanchett se estabelece na vida de Benjamim. A partir da\u00ed, a dist\u00e2ncia entre o filme e espectador se torna alta demais, devido principalmente a falta do dom\u00ednio do ritmo da trama. E isso pode ser muito ruim especialmente para filmes longos como esse. Apesar disso, a parte t\u00e9cnica do filme \u00e9 muito boa e o Brad Pitt est\u00e1 bem (pena n\u00e3o poder o mesmo da Cate Blanchett e, principalmente, da Taraji P. Henson). Entretanto, essas n\u00e3o s\u00e3 credenciais suficientes para um filme com 13 indica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No fim das contas, Fincher acaba mostrando que, na maioria das vezes, mudar o seu estilo de dire\u00e7\u00e3o drasticamente para concorrer a uma premia\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o ser a melhor sa\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">2\/4<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>por Djonata Ramos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 interessante &#8211; o tema por si s\u00f3 j\u00e1 o \u00e9 &#8211; mas n\u00e3o sei, o Fincher perdeu a chance de fazer algo diferente. Ele se limita a perder tempo tratando do Benjamin como um aleijado social, como outro qualquer. Algo banal e raso, sendo que a sua \u201cdefici\u00eancia\u201d\u00a0 n\u00e3o \u00e9 grave pelo preconceito que ele pode vir a sofrer, e sim por ele ter de viver de forma totalmente adversa. O modo como isso pode acabar com a possibilidade de ser um marido feliz e um pai realizado \u2013 n\u00e3o que a fam\u00edlia da noiva v\u00e1 reclamar que ele \u00e9 parapl\u00e9gico, ou porque \u00e9 negro, mas sim porque, daqui a pouco, vai se tornar mais novo que o pr\u00f3prio filho -, por exemplo. Quando o Fincher parece se dar conta de que tem um material genu\u00edno, muito al\u00e9m de um simples preconceito racial\/social\/etc, \u00e9 tarde demais, e ele acaba apenas arranhando a superf\u00edcie da complexidade do assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mesmo assim tem algumas coisas que gostei. O relacionamento dele com a Blanchett \u00e9 bem interessante, a fotografia \u00e9 lind\u00edssima, e alguns planos s\u00e3o fant\u00e1sticos, al\u00e9m do elenco. O que fode tudo de vez \u00e9 a maldita &#8211; e inevit\u00e1vel \u2013 expectativa. Porra, esse cara vinha de Zod\u00edaco, um grande amadurecimento do seu pr\u00f3prio cinema e que tinha cara de prel\u00fadio pra uma obra-prima. Sa\u00ed decepcionado. N\u00e3o achei exatamente ruim, tem uns \u00f3timos momentos, mas basicamente perde tempo demais correndo atr\u00e1s do pr\u00f3prio rabo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sobre as indica\u00e7\u00f5es, algumas t\u00e9cnicas ok, a do Pitt n\u00e3o chega a ser um estupro, mas p\u00f4, melhor filme? N\u00e3o. Melhor dire\u00e7\u00e3o? Pior, ainda mais em se tratando de Fincher, que j\u00e1 fizera trabalhos de dire\u00e7\u00e3o bem mais interessantes, onde a sua \u201cm\u00e3o\u201d de fato pesa, o que n\u00e3o \u00e9 o caso deste, que t\u00e1 mais pra um piloto autom\u00e1tico que qualquer outra coisa. Al\u00e9m, \u00e9 claro, da j\u00e1 citada falta de no\u00e7\u00e3o de ritmo. Fincher desperdi\u00e7a tempo consider\u00e1vel se repetindo, dando um passo a cada meia hora, e o que j\u00e1 era um filme longo chega a parecer intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p>2\/4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Cassius Abreu \u201cViver, e n\u00e3o ter a vergonha de ser feliz&#8230;\u201d, j\u00e1 cantava Gonzaguinha h\u00e1 muito tempo. 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